Skip to main content

Posts

CIDRA SECA - FELIZ 2017! (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

Pode ser que sim, pode ser que não. Sem compassos de espera, sem expectativas. Quem aguentaria? Ninguém, de fato. Em terras sem sonhos, nada floresce muito, nada é verdejante em boa parte do tempo, do ano, do período. Não há ciclos, nem esperanças, nem temores. Tudo sempre parece absolutamente calma. No outro lado do estuário há promessas. Como o próprio nome diz, ‘promessas’. O suor do rosto não é devidamente recompensado, tudo está em falta, a fábula do grande atraso. Para qualquer lado onde se vire o rosto, é isso: uma teia frágil de um devir etéreo. Lutas pessoais pelos ‘protagonismos do desejo’ e uma terra arrasada de dar dó. Entre às 23:59h do dia 31 e a 0:00h do dia primeiro, somente os ponteiros avançarão. O perpétuo modo de se guiar em escuridão permanecerá. Não há de se ter perspectiva acamada de alguma corrosão nascida em fé. É melhor não acreditar, é melhor não crer, é melhor não confiar. Inúmeras histórias: desde que o mun...

TIROS NO PÉ (uma crônica de Ademir Demarchi publicada originalmente em 06/08/2015)

Muitos dos americanos não perderam o gosto de matar animais a tiros, mesmo depois de terem acabado com a fauna de bisões e de índios, transformando em heróis os “desbravadores” do Oeste ou generais como Custer, que aprendemos a admirar nos bangue-bangues urdidos pela indústria de Hollywood. Os que não se enquadram na vida de trabalho rotineira viram mercenários em áreas de conflito ou acham uma vaguinha no exército para dar tiros nos bandidos da vez, tal como já foi com os vietnamitas e agora se dá com os árabes, por motivação econômica. É de tal modo sistêmico de sua cultura que dá para generalizar, tal como faço. Ainda bem que isso já não é mais um fato preponderante, pois há um imenso contingente de pessoas que se estarrece com a violência, provavelmente sensibilizadas por tanto desenho animado que aquele país fabrica, ainda que se possa dizer o contrário em relação à quantidade de filmes e games de violência que também possa ter motivado isso. O fato é que o assassinato de C...

NOSSO ANIVERSARIANTE DE HOJE É O GODFATHER DO POWER-POP AMERICANO

PARA SAUDAR A MEMÓRIA DO MAIOR ÍCONE DO POWER-POP AMERICANO EM TODOS OS TEMPOS, COMANDANTE DE BANDAS COMO OS BOX-TOPS E O BIG STAR , RESGATAMOS UMA APRESENTAÇÃO SOLO MEIO DESENGONÇADA MAS BEM LEGAL GRAVADA  EM VIDEOTAPE REALIZADA EM SAN FRANCISCO 31 ANOS ATRÁS. DIVIRTAM-SE

LEVA UM CASAQUINHO SAÚDA A MEMÓRIA DE SUA ALTEZA CARRIE FISHER

Nos despedimos de Carrie Fisher resgatando a deliciosa sessão de fotos que ela topou fazer para a Revista Rolling Stone em 1983, aos 27 anos,  como a Princesa Leia usando o mesmo biquini dourado que encantou marmanjos desta e de outras Galáxias distantes em "O Retorno de Jedi". A sessão de fotos foi realizada no Golden Gate National Recreation Area, em San Francisco, California.

LEVA UM CASAQUINHO ESCOLHE OS DEZ MELHORES FILMES DE 2016 (por Chico Marques)

1. A JUVENTUDE (Paolo Sorretino) Depois de um filme repleto de superlativos como A Grande Beleza , ninguém imaginava que Paolo Sorrentino retornasse com um filme ainda mais contudente. E não é que ele fez justamente isso? A Juventude  traz Michael Caine e Harvey Keitel como dois velhos amigos que enxergam a velhice por ângulos diferentes. Enquanto Caine faz um músico renomado que só quer curtir em paz seus últimos dias mergulhado no tédio -- a ponto de esnobar um convite da Rainha Elizabeth --, o segundo é cineasta e pretende realizar seu último filme, uma espécie de longa-testamento protagonizado pela atriz que lançou 50 anos atrás -- Jane Fonda, em uma aparição hipnotizante e inesquecível. Rachel Weisz, interpreta a atormentada filha do músico, e é seu personagem que ajuda a equilibrar essa história com doçura, conflito e afeto. O filme lança olhar irônico e ferino não só para a velhice ou a juventude, mas para a vida em si, incluindo aí a fogueira das vaidades do mundo do ...

NOSSO HOMEM NA FLÓRIDA FÁBIO CAMPOS COMENTA "JACKIE", COM NATALIE PORTMAN

por Fábio Campos Cinebiografias são tão comuns no cinema que acabaram virando um subgênero. Existem diversas maneiras de se apresentar a vida alguém no cinema. A mais comum é aquela cinebiografia didática, cobrindo um longo período da vida do biografado, mostrando fatos que o levaram a realizar algum grande feito, ou que moldaram a sua personalidade, transformando-o naquela celebridade conhecida do grande publico. Apesar de produzir grandes filmes, temos o limite de pouco mais de duas horas para contar, muitas vezes, uma longa história e, com isso, eliminando as sutilezas do biografado, outras vezes pode simplesmente descambar para a bajulação. Outro tipo de cinebiografia, cada vez mais utilizado, é concentrar o foco num acontecimento marcante da vida do biografado, mostrando, assim, as suas nuances. Esse tipo de aproximação cabe melhor num filme de duas horas e nos traz um contato inédito com o biografado. Neste caso, normalmente, o biografado já tem uma trajetória ba...