Skip to main content

POEMINHA DE DOMINGO (por Ademir Demarchi)



TÚMULOS DE LUZ 



veio um prefeito de saída
e lépido repaginou a avenida
quisera estivesse pensando vida
se não governasse de costas
e para nada desse respostas
- será por sair vivo, tal a sorte,
que o assombrava a morte,
que nos deu como inovação
uma reforma à base de caixão? 
- caixõezinhos de luz, imaturos
pequenos como de nascituros
em que durante o dia, tal coiotes
dormem fortíssimos holofotes
mas à noite, parecendo fantasmas, 
uivam suas luzes como miasmas,
assombram as palmeiras imperiais,
porém ocultam dos munícipes os ais
alta tecnologia, luzes em sete cores 
tantas que são mais que as flores
que outro veio e plantou, feito êmulo,
um imenso jardim de míni ixoras 
querendo dar alguma vida aos túmulos
naquele caríssimo cemitério da hora




Ademir Demarchi nasceu há 55 anos
 na cidade de Maringá, Paraná, 
mas vive em Santos há quase 20 anos.
É responsável pela BABEL,
 uma das revistas de poesia
 mais respeitadas do país.
Publicou vários livros de poemas,
e reuniu todos eles num único volume, 
"PIRÃO DE SEREIA"
 (Realejo Edições, 2012),
 com 30 anos de poesia
 em quase 300 páginas.
É um bom amigo de
 LEVA UM CASAQUINHO.
 P.S.: TÚMULOS DE LUZ
 é um poema inédito,
 e não consta em nenhum
 dos livros de Ademir Demarchi
 publicados até agora.










Comments

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.