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Showing posts with the label Realejo Edições

AVENTURAS NA ÁFRICA (por Ademir Demarchi)

Julio Cruz Neto começa seu livro   O caranguejo do Saara – Memórias de um jornalista brasileiro no Rally Paris-Dakar   passando a sensação ao leitor de que não vai conseguir transmitir o que foi sua experiência de participar representando o extinto Jornal da Tarde na cobertura de dois rallys Paris-Dakar. Com 21 anos naquela época, um foca iniciante na redação, de cara ele pegou uma incursão pelo rally dos Sertões (São Paulo a Natal) para sacolejar em jipes por estradas esburacadas. Foi a senha para, em seguida, nove meses depois, o acaso de novo o levar a cair em Granada e enveredar pela África para atravessar o deserto do Saara passando por Marrocos, Mauritânia, Senegal, Mali, Burkina Faso, Níger, Líbia e Egito, em 1999 no percurso Granada-Dakar e em 2000 no percurso Dakar-Cairo. Passadas as sessões de vômitos e turbulências, a sensação inicial da narrativa se dissipa e o leitor se vê em meio à areia e aos tipos mais bizarros, viajando com o autor pela realidade crua...

QUANDO OS MUDOS CONVERSAM (uma crônica de Marcus Vinícius Batista)

Duas pessoas em um local público ou numa conversa do dia-a-dia. O diálogo seria uma atitude previsível, com troca de experiências, de valores, de percepções de mundo. Se você não é uma delas, basta esticar as orelhas para captar o fenômeno. Ambas falam, gesticulam, contam suas vidas. Ambas fingem esperar uma reação do interlocutor. O diálogo, muitas vezes, é estéril. Jamais existiu. O que presenciamos são dois monólogos, nos quais o outro sujeito é público, audiência cativa, e não alguém com papel interativo. O homem atual fala demais. Fala tanto que falseia a necessidade de ser ouvido. Não se trata daquela tia tagarela ou do vizinho para quem não podemos perguntar se está tudo bem. O homem de hoje deseja uma caixa de ressonância, confirmadora de teses, uma cabeça que balance positivamente a cada frase exalada com veemência. Estamos interessados em ouvir outras pessoas? Realmente nos importamos com aquilo que elas têm a dizer sobre suas rotinas anônimas e ordinárias?...

"STONER": O GRANDE ROMANCE AMERICANO QUE PERMANECEU ESQUECIDO POR 50 ANOS

Quando um país possui uma Indústria Editorial muito atuante e sempre movida pelo que está no prelo aguardando a hora de chegar ao público -- caso dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França --, é perfeitamente natural que grandes livros sejam lançados no mercado, recebam críticas entusiasmadas, vendam relativamente bem, mas acabem esquecidos depois de algum tempo, para dar lugar a novos autores e novos lançamentos. Só aqueles autores que viram bestsellers, ou aqueles que ganham o respeito da Academia -- tem ainda aqueles que optam por virar fuguras públicas num esforço promocional para seus trabalhos literários -- conseguem manter uma existência editoral mais perene. Por sorte, esse mesmo mercado editorial que não hesita em escantear autores de gabarito com vários livros publicados, também se permite promover resgates de autores esquecidos de tempos em tempos. Aconteceu, por exemplo, com Nathanael West e John Fante, que ninguém lia nem comentava mais em meados dos Anos 70,...

AVENTURAS NA ÁFRICA (por Ademir Demarchi)

Julio Cruz Neto começa seu livro   O caranguejo do Saara – Memórias de um jornalista brasileiro no Rally Paris-Dakar   passando a sensação ao leitor de que não vai conseguir transmitir o que foi sua experiência de participar representando o extinto Jornal da Tarde na cobertura de dois rallys Paris-Dakar. Com 21 anos naquela época, um foca iniciante na redação, de cara ele pegou uma incursão pelo rally dos Sertões (São Paulo a Natal) para sacolejar em jipes por estradas esburacadas. Foi a senha para, em seguida, nove meses depois, o acaso de novo o levar a cair em Granada e enveredar pela África para atravessar o deserto do Saara passando por Marrocos, Mauritânia, Senegal, Mali, Burkina Faso, Níger, Líbia e Egito, em 1999 no percurso Granada-Dakar e em 2000 no percurso Dakar-Cairo. Passadas as sessões de vômitos e turbulências, a sensação inicial da narrativa se dissipa e o leitor se vê em meio à areia e aos tipos mais bizarros, viajando com o autor pela realidade cr...

COMEÇA HOJE A 8º TARRAFA LITERÁRIA. PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI.

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14 DE MARÇO, O DIA DO LIVREIRO

por José Luiz Tahan Nunca tinha lido ou ouvido que os livreiros tinham uma data comemorativa. E não é que têm? Foi ontem, no dia 14 de março. Recebi uma mensagem no Facebook, na manhã do nosso dia, enviada pelo meu amigo Matthew Shirts. Dizia mais ou menos assim: “Feliz dia do livreiro, Zé! Que você seja abraçado pelos amigos na Realejo, uma das maiores livrarias do Brasil, do mundo e de Santos!” Adorei o recado e os elogios envolvendo a grandeza de uma livraria de 50 metros quadrados em meio às redes de megastores... Coisa de amigo mesmo. Continuei olhando a minha página e surgiu mais um recado, agora de uma cliente, a Romilda, que mora em Dubai. Fui comparado por ela a um agitador cultural que sacudiu Santos nos anos de chumbo. Maurice Legeard era um cinéfilo importado da França que fez muito pela sétima arte por essas bandas. A Romilda ainda enfatizou o cumprimento com uma ilustração que fazia alusão a Dom Quixote – acho engraçado as ...

UM LIVREIRO PARA CHAMAR DE SEU (por José Luiz Tahan)

Tem um camarada com quem me identifico muito, somos farinha do mesmo saco. A livraria que ele toca é de rua, pequena e charmosa, e os títulos são rigorosamente escolhidos e assim classificados: história, futebol, música e -- o que mais me diverte -- temas cariocas.  Estou me referindo à Livraria Folha Seca, do meu chapa Rodrigo Ferrari. Quando foi batizada de uma batelada só se abraçou dois dos ganchos principais no nome da casa. O chute cheio de efeito do Didi e a música do Nelson Cavaquinho, entrelaçados, se uniram para dar a identidade à Folha Seca. Quatro anos atrás, quando estive pelo Rio lançando o Jeitinho americano, de Matthew Shirts, fizemos o lançamento lá com o Rodrigo. C heguei bem cedo, antes do almoço e fiquei pela livraria o dia inteiro. Como o calor no Rio é coisa séria, achei por bem me abrigar no valente ar-condicionado oferecido na casa. A experiência de observar a rotina numa livraria é muito rica para um livreiro, ainda mais quando a livraria não...