“Ao fim da vida, depois de dedicá-la à física e ganhar um Prêmio Nobel, o cientista Richard Feymann disse: ‘vivemos num universo misterioso e sem nenhum propósito’”. A frase, lida numa revista semanal, parecendo propositadamente misturada ao noticiário político, ficou ecoando na cabeça do ginecologista aposentado Dr. Aranha, atualmente ornitólogo e filósofo improvisado depois de dedicar-se uma vida à zoologia no consultório de madames. Também se vislumbrando uma espécie de inseto ainda não identificada por si próprio, no fim da vida tentava fazer a mesma constatação que Feymann, enquanto dava frutas e alpistes aos pássaros de sua gaiola tropical. Passou a tarde entre as duas funções. “O que intriga não é o mistério, que, afinal, move a curiosidade humana e dá um sentido à vida. Onde há mistério há um curioso. O problema está na falta de propósito do universo, da vida...” Banhara-se, ceara, dormira, acordara, fez o desjejum e eis ainda a remoer o mistério e a falta de senti...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO