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Showing posts with the label Poeminha de Segunda

O ESPÍRITO DA LETRA (um poema de Bruno Tolentino)

Ao pé da letra agora, em minha vida  há a morte e uma mulher... E a letra dela,  a primeira, me busca e me martela  ouvido adentro a mesma despedida  outra vez e outra vez, sempre espremida  entre as vogais do amor... Mas como vê-la  sem exumar uma vez mais a estrela  que há anos-luz se esbate sem saída,  sem prazo de morrer na luz que treme?!  O mostro que eu matei deixou-me a marca  suas pernas abertas ante a Parca  aparecem-me em tudo: é a letra M  a da Medusa que eu amei, a barca  sem amarras, sem remos e sem leme... Bruno Tolentino nasceu no Rio de Janeiro em 12 de Novembro de 1940. Conviveu desde crianças com intelectuais e escritores como Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto  Deixou o Brasil em 1964  para viver  na Inglaterra  por 30 anos  co mo professor  em O...

OS QUATRO ELEMENTOS - A TERRA (por Vinícius de Moraes)

Um dia, estando nós em verdes prados Eu e a Amada, a vagar, gozando a brisa Ei-la que me detém nos meus agrados E abaixa-se, e olha a terra, e a analisa Com face cauta e olhos dissimulados E, mais, me esquece; e, mais, se interioriza Como se os beijos meus fossem mal dados E a minha mão não fosse mais precisa. Irritado, me afasto; mas a Amada A minha zanga, meiga, me entretém Com essa astúcia que o sexo lhe deu. Mas eu que não sou bobo, digo nada… Ah, e assim… (só penso) Muito bem: Antes que a terra a coma, como eu. Vinícius de Moraes nasceu   em 19 de Outubro de 1913   na cidade do Rio de Janeiro.   Sua obra é vasta,   passando pela literatura,   teatro, cinema e música.   Ainda assim, sempre considerou   que a poesia foi sua primeira   e maior vocação, e que   toda sua atividade artística   deriva do fato de ser poeta. Gostava demais das mulheres. Casou-se n...

O POETINHA DESTA SEGUNDA FAZ PARTE DA SANTÍSSIMA TRINDADE DA POESIA BEAT AO LADO DE MR. GINSBERG E MR. FERLINGHETTI

A BAGUNÇA TODA... QUEM SABE Subi seis lances de escada até meu pequeno quarto mobiliado abri a janela e comecei a jogar fora as tais coisas mais importantes na vida Primeiro, a Verdade, ganindo como um dedo-duro: “Não! Direi coisas terríveis de você!” “Ah, é? Não tenho nada a esconder... FORA!” Depois, Deus, assombrado, corado e choroso de espanto: “Não é culpa minha! Não sou a causa de tudo isso!” “FORA!” Depois o Amor, aliciando subornos: “Você não conhecerá a impotência! As garotas da capa da Vogue, todas suas!” Apertei sua bunda gorda e gritei: “Seu destino é um desvalido!” Peguei a Fé, a Esperança e a Caridade as três juntas abraçadas: “Você não vai sobreviver sem nós!” “Estou enlouquecendo com vocês! Tchau!” Depois a Beleza... Ah, a Beleza – Tão logo a levei até a janela disse: “Você eu amei mais na vida ... mas é uma assassina; a Beleza mata!” Sem querer realmente atirá-la desci correndo as escadas chegando a tempo d...

LADIES & GENTLEMEN: THE ONE AND ONLY... ALLEN GINSBERG

O Uivo Para Carl Solomon  I Eu vi os expoentes da minha geração, destruídos pela      loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,  arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada     em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo     contato celestial com o dínamo estrelado da      maquinaria da noite, que pobres esfarrapados e olheiras fundas, viajaram      fumando sentados na sobrenatural escuridão dos     miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando     sobre os tetos das cidades contemplando o jazz, que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado     e viram anjos maometanos cambaleando iluminados     nos telhados das casas de cômodos, que passaram por universidades com olhos frios e      radiantes alucinando Arkans...