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Showing posts with the label Albert Camus

CAFÉ & BOM DIA #55 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Descobri Roland Barthes através de uma biografia escrita por Louis Jean Calvet, passaram alguns anos até ler " Fragmentos de um discurso amoroso ", texto absolutamente fantástico e imprescindível para que gosta de ler. Não menos importante os livros " Sade, Fourier, Loyola " e " Sobre Racine ". A editora Martins Fontes editou mais de 20 títulos deste mestre, um dos quais li neste sábado de chuvas intensas. Pois então, Barthes reflete sobre o falecimento da mãe. " Diário de Luto " é o sabor amargo que Henriette Binger deixou. Marca nas páginas um livro desejado, a importância de sua mãe no resultado de suas realizações. Quando diz ser estranho, pois a voz de sua mãe que conhecia tão bem, se diz que ela é o próprio grão de lembrança ( " a querida inflexão " ) , não ouve mais. É como uma surdez localizada. ( pag. 14 ). Livros que deixam um gosto amargo, de difícil digestão. Foi assim com " Cartas ao Pai " de Kafka, como ta...

CAFÉ & BOM DIA #52 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Em O artista na prisão, Albert Camus fala sobre Oscar Wilde, argumentando que o artista não pode viver alheio a vida. Quando se trata daqueles que, devido ao nascimento ou à inclinação, conseguem apenas ter uma ideia horrível da felicidade, segundo a expressão de Saint-Just, então a dor é, para eles, uma das faces da verdade, embora seja a menos nobre; e a verdade do escravo vale mais do que a mentira do senhor. A grande alma de Wilde, elevada acima da vaidade pelo sofrimento, aspirava contudo àquela felicidade orgulhosa que lhe restava encontrar para além da infelicidade. “Depois”, dizia Wilde, “precisarei aprender a ser feliz”. Não o foi. O esforço em direção à verdade, a simples resistência a tudo que, na cadeia, arrasta o homem para baixo, bastam para exaurir a alma. Wilde não produziu mais nada depois da A balada da prisão de Reading, e conheceu sem dúvida a indizível infelicidade do artista que conhece os caminhos do gênio, mas que não tem mais forças para segui-lo. A misé...

CAFÉ E BOM DIA #47 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

O primeiro livro que li em janeiro de 2016 foi Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 — Villeblevin, 4 de janeiro de 1960) nasceu na Argélia, foi escritor e filósofo e escreveu o Avesso e o Direito quando tinha 22 anos. O Avesso e Direito é um livro pequeno, tem só 109 páginas, contando com 20 páginas só de prefácio. Mas é lindo, incrível ver como o Camus pode ter escrito esse livro com só 22 anos. Na verdade, particularmente, acho que os jovens tem muito a dizer, só não são escutados. Esse livro contém 5 peças que para ele são 'ensaios literários', ele fala sobre a solidão, sobre a ausência de Deus, sobre o amor, sobre a morte, sobre o absurdo da condição humana, tudo de uma maneira poética, que quem já leu Camus, sabe como é. É lindo, e no mais, não custa nada, são poucas páginas. Vai aí um dos trechos que eu mais gostei: "Isso tudo não se concilia? Bela verdade. Uma mulher que se abandona para ir ao cinema, um velho que não é mais ouvido, uma morte que nada r...

CAFÉ E BOM DIA #46 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

"Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu. Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso." Quero para mim o espirito desta frase, transformada A forma para casar com o que eu sou: Viver não É necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em goza-la penso. Só quero torna-la grande, ainda que para isso Tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torna-la de toda a humanidade; ainda que para isso Tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho Na essencia animica do meu sangue o propósito Impessoal de engrandecer a pátria e contribuir Para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. NÃO EXISTE ANO MÊS, SEMANA, DIA, HORA, MINUTO, SEGU...

CAFÉ E BOM DIA #45 ESPECIAL DE REVEILLON (por Carlos Eduardo Brizolinha)

L’AFFAIRE SARDINHA O bispo ensinou ao bugre Que pão não é pão, mas Deus Presente em eucaristia E como um dia faltasse Pão ao bugre, ele comeu O bispo, eucaristicamente Paródia e intertextualidade de José Paulo Paes. Se pudesse querer ser alguém não seria John Malkovich e sim José Paulo Paes. O Avesso e Direito é um livro pequeno, tem só 109 páginas, contando com 20 páginas só de prefácio. Mas é lindo, incrível ver como o Camus pode ter escrito esse livro com só 22 anos. Na verdade, particularmente, acho que os jovens tem muito a dizer, só não são escutados. Esse livro contém 5 peças que para ele são 'ensaios literários', ele fala sobre a solidão, sobre a ausência de Deus, sobre o amor, sobre a morte, sobre o absurdo da condição humana, tudo de uma maneira poética, que quem já leu Camus, sabe como é. É lindo, e no mais, não custa nada, são poucas páginas. Vai aí um dos trechos que eu mais gostei: "Isso tudo não se concilia? Bela verdade. ...

CANTO DE PÁGINA RECOMENDA "VOZ SEM SAÍDA", UM BELO ROMANCE DE CÉLINE CURIOL

por Chico Marques Tem certos livros que a gente compra sem saber exatamente porque comprou. Depois esquece na prateleira da estante por anos, também sem saber porque. Então, um belo dia, esse livro meio que sorri enviesado para você, daí você o tira da estante, começa a ler, fica encantado com o altíssimo gabarito artístico tanto da autora quanto do romance, e, quando termina, sai se perguntando que diferença aquele livro teria feito em sua vida se você o tivesse lido tempos oito anos atrás, quando o comprou. Acabo de ler "Voz Sem Saída", romance de estréia da escritora francesa Céline Curiol  (Editora Nova Fronteira, 2006, facílimo de encontrar na Estante Virtual, a preços bem camaradas) , que arrancou elogios rasgados de Paul Auster na ocasião de seu lançamento, a ponto dele insistir com seu editor que, se comprasse os direitos para editá-lo nos Estados Unidos, ele, Auster, escreveria o prefácio. Seu editor topou, e em 2008 sua tradução, "Voice Over...