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Showing posts with the label As Almas do Negócio

PLAY IT AGAIN, SAM! (uma crônica publicitária de Carlão Bittencourt)

“Menos é Mais” (máxima da propaganda) Nunca gostei da badalação que cerca a propaganda. Acho exagerada. E sem sentido. Afinal, um sapateiro, solitário em seu ofício, agrega tanto valor para a sociedade quanto um publicitário. Com a vantagem de falar menos e não nos deixar a pé. Outra coisa que me incomoda na profissão é a falsa intimidade. Você já reparou? Qualquer pessoa que atue na área se refere ao publicitário da moda como se tivesse morado com ele. É vergonhoso. Por essas e outras, evito sempre que possível os grandes eventos do meio. Mas existem alguns a que você precisa ir. Por alguma razão imperativa. Daí, como não tem remédio, remediado está. A historinha a seguir aconteceu numa dessas ocasiões, no começo dos anos 90. Intimado a comparecer, abotoei o paletó e encarei. Aliás encaramos, pois o Diretor de Criação da agência, Luiz Christino foi junto comigo. E o convescote em questão era a Semana Internacional de Criação, no Hotel Maksoud Plaza, em São...

A FALSA LOIRA (uma crônica publicitária de Carlão Bittencourt)

A imaginação é a pipa  que se  pode empinar mais alto (Lauren Bacall) Mais do que um publicitário de sucesso, o herói desta história é uma lenda viva da propaganda brasileira. Criou a agência mais famosa dos anos 70/80 e, muito mais difícil, tratou de reinventá-la nos anos 90, em parceria com outros craques. O homem não é fraco. Seu nome é Alex. Alex Periscinoto. E esta passagem trata da sua imensa criatividade, que extrapola em muito o circuito da propaganda. Na época em que o fato aconteceu, Alex ainda estava longe de ser um poderoso dono de uma grande agência. Era, então, Diretor de Arte de uma grande loja de departamentos, em São Paulo. O Mappin. Alex era casado, mas não era santo. Depois, de trocar olhares com uma bela loira, colega de trabalho, o assunto prosperou. Bastante. E a dupla partiu para a criação de algo bem mais interessante do que um mero tablóide de ofertas. Acontece que o demo não pode ver ninguém feliz. Vacilou, o tinhoso atr...

O LEÃO DE CANNES (uma reminiscência publicitária de Carlão Bittencourt)

“A televisão matou a janela” (Nélson Rodrigues) O salão nobre estava lotado quando o diretor de criação da filial brasileira da multinacional subiu ao palco. Consagrado. Aquela era sua noite. Sua agência já tinha ganhado dois Leões – Prata e Bronze – no badalado festival do cinema publicitário francês, com dois belíssimos comerciais. Agora, ele subia mais uma vez a escada para buscar o reluzente Leão de Ouro. Degraus da fama. E da fortuna. Na festa de encerramento, animadíssima, caiu na farra. Tinha o que comemorar. De fato. Muitas vezes estivera perto de conquistar o mais cobiçado troféu da propaganda mundial, mas perdera. Por isso, ou por aquilo. Não importa. Agora, chegara sua vez. Permitiu-se tudo a que tinha direito. Fotos, entrevistas, abraços, tapinhas nas costas, sorrisos, bajulações. Coisas que sempre detestara. Encarou a berlinda com visível prazer. Tinha chegado lá. Na virada da meia-noite, esbarrou numa diretora de criação alemã. Uma deusa. Louc...

ONDE SE GANHA O PÃO NAO SE COME A CARNE #1 (uma crônica de Carlão Bittencourt)

“Antes à tarde do que nunca” (Zózimo Barroso do Amaral) A máxima é uma das maiores lições que um profissional, de qualquer ramo, pode aprender. Desde cedo. O curioso é que, na propaganda, o sábio conselho não pegou. Aqui se ganha o pão e se come a carne. Sempre. As razões são muitas. Desde a pressão do trabalho (que mexe com a libido da moçada), até o clima de liberalidade que as agências cultivam. A verdade é que propaganda e sexo namoram desde o tempo do reclame. Como é de se esperar, isso rendeu grandes histórias. Uma melhor do que a outra. Como as moças. Vamos a algumas das mais engraçadas, dando ênfase aos detalhes picantes e particularmente escabrosos. Mas sem declinar nomes. Óbvio. AS GAROTAS DO RÁDIO Num famoso estúdio de jingles, a turma sacou que uma dupla de secretárias costumava desaparecer na hora do almoço. Estavam sempre juntas, grudadas e, de uma hora para a outra, sumiam. No ar. Apesar de serem praticamente meninas e do jeito ingênu...

O FORNECEDOR (uma reminiscência publicitária de Carlão Bittencourt)

“Nada é mais letal contra o ciúme do que uma gargalhada” Françoise Sagan O rapaz tinha chegado há pouco do seu país, a Suíça. Não conhecia nada de São Paulo. Nem ninguém. Veio com uma mala, a máquina fotográfica, a cara e a coragem. Apenas. O outro bem de valor que possuía, não precisou revelar na alfândega: o talento para a fotografia. Imenso. Consciente disso, passou a visitar as principais agências de propaganda da cidade atrás de trabalho. Numa delas encontrou uma conterrânea, diretora de arte. Foi a sopa no mel. Não só começou a fotografar como, de quebra, ainda arranjou um cantinho para dormir, enquanto as finanças não melhoravam. Virou hóspede na casa dela. Embora a moça fosse casada, isso não foi empecilho. O marido, paulistano da gema, também era do ramo, um bem sucedido diretor de comerciais. Em pouco tempo ficaram amigos. Os três. Corta. Seis meses depois, ele já tinha conquistado o respeito do mercado. Como fotógrafo e diretor de fotografia. Agend...

AS MINAS DO REI SALOMÃO (uma reminiscência publicitária de Carlão Bittencourt)

“Mulher, patrão e cachaça, em todo canto se acha” ( Adoniran Barbosa) Esta historinha não aconteceu numa agência de propaganda. Mas num estúdio de som. O personagem principal é músico, exímio violonista, e autor de jingles antológicos, desses que grudam feito chiclete no ouvido, e a gente não esquece nunca mais. O cidadão é de descendência árabe, mas tem tudo a ver com o Rei Salomão. É justo, sábio e também tem um fraco pelas mulheres. Assim mesmo, no plural. Tanto que, apesar de casado na época do episódio, ele não se furtava a pular a cerca. Ou as cercas, para ser totalmente honesto. Pois o esganado, fora a primeira dama, ainda desfrutava de uma amante oficial (casada, óbvio) e três namoradas não oficiais. Tudo bem que ele venha de uma família de sírios libaneses, povo notoriamente conhecido por seu voraz apetite sexual. Mas se relacionar com cinco mulheres, simultaneamente, é digno de registro. Porque tamanha façanha, além da competência de um leão, exige ...

A DIRETORA DE ARTE JÚNIOR (uma crônica publicitária de Carlão Bittencourt)

“Jovens, envelheçam” (Nelson Rodrigues) Quando alguém se apresentar a você como júnior, não vacile. Mande para chamar o pai. Imediatamente. É melhor e mais produtivo. Porque o júnior não decide nada. No máximo, faz pose. De herdeiro. Só. A única exceção que conheço é Florestan Fernandes Júnior, o filho do Mestre*. Excelente jornalista, Júnior é também uma pessoa da melhor qualidade. Solitário, meu amigo confirma a regra. Profissionalmente o problema é o mesmo. Com funcionário júnior, todo cuidado é pouco. Porque o júnior está envolvido até o pescoço naquele faz de conta profissional tão comum às empresas. Recebe uma miséria, está sempre abarrotado de tarefas e, pior, não é responsável por nada do que faz. Resumindo: dinamite pura. Uma criança com uma navalha. Vou dar um exemplo. Embasado. Houve época em que eu também era júnior. Faz tempo. Na Almap, começo dos anos 70. Após três meses de estágio na Criação, fui contratado. Redator júnior. Na Carteira de Trabalh...