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POEMINHA DE DOMINGO (por Antonio Luiz Nilo)

PONTO E TRAÇO Mais uma vez estamos nós no papel. Eu e minha infiel caneta, a brilhante delatora da discreta intimidade. Deslizando, independente e segura, sobre a superfície de pautas estreitas, a pena, sem a mínima pena, apenas flui seu veneno. Encouraçada pela sutileza das entrelinhas vai rasgando o papel e a alma como os orientais que espetam sem dor. A velha caneta, apesar de infiel, é mesmo a velha e única confidente. Às vezes penso que faz parte da gente, como um membro implantado. Uma espécie de prótese da personalidade. Na verdade, a velha caneta e eu somos apenas um. Um único traço de ódio e amor preenchendo os espaços. Um único jeito de confessar as culpas de quem peca por viver. O que a velha caneta representa pra mim é tão somente a própria existência. Algo como o começo, o meio e o fim. Se hei de responsabilizá-la pela força da tristeza e a insegurança da alegria, assim o faço. E com ela, eu assino embaixo. Antonio ...