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MARION COTILLARD COMPLETA 42 ANOS, E NÓS AQUI COMEMORAMOS EM GRANDE ESTILO

por Chico Marques Ao invés da pequena biografia habitual, publicaremos aqui uma entrevista que Marion Cotillard concedeu para The Talk quando concorreu ao Oscar 2015 na categoria de Melhor Atriz, pelo filme Dois dias e Uma Noite, dirigido e roteirizado pelos Irmãos Daderne. A t radução é de Dayane Oliveira. Sra. Cotillard, você tem trabalhado em diferentes projetos, de filmes franceses a blockbusters de Hollywood. Você tem um estilo favorito para trabalhar? Não, eu amo o quanto cada trabalho é diferente. Eu não gosto de comparar, porque eu não vejo como. Eu não tenho um processo favorito. Meu processo favorito é o processo ideal para a pessoa com que eu estou trabalhando. Eu posso caber em qualquer situação, desde que o diretor me respeite e não tente me colocar em uma situação para tirar algo de mim – se eu posso, lhe darei sem essa situação. Não funciona com todos. Que tipo de situação? Me deixar irritada ou criar uma situação que não está relacionado co...

A GRANDE ESTREIA DA SEMANA É "DETROIT", NOVO FILME DE KATHRYN BIGELOW

por Ricardo Vieira Lisbôa (de Lisboa) para   É a hora por que Larry (Algee Smith) ansiou toda a sua vida. Está a segundos de subir ao palco acompanhado dos seus comparsas de banda. O conjunto chama-se The Dramatics. O drama vai acontecer, de facto, mas não será naquele palco. Detroit está a arder lá fora. A turba enfurecida não tem reservas a expressar o seu ódio pela autoridade branca, a da classe política e a das forças policiais. A multidão destrói vitrinas, incendeia edifícios e grita por sangue. Larry não chega a estrear-se em palco, porque a casa de espectáculos da Motown tem de ser evacuada. A lei marcial impera e, portanto, o espectáculo “mustn’t go on”. A história do filme de Bigelow também é um pouco assim: começa por espraiar-se, cobrindo horizontalmente o território da cidade, aqui representado como campo de combate ou paisagem de um western nocturno convulso (carpenteriano?), mas depois o palco muda. Transitamos da rua para um motel, cenário predilecto de u...

OUTRA BOA ESTRÉIA DA SEMANA É "LOGAN LUCKYN", NOVO FILME DE STEVEN SODERBERGH

por Luiz Mendonça (de Lisboa) para   Steven Soderbergh inaugurou com Contagion (Contágio, 2011), aquilo que ele mesmo considerou como um desejo de fazer cinema de género que permitisse ao espectador divertir-se durante um bocado. De lá para cá já tivemos, para além do terror de fim do mundo do referido título, filmes de espiões e pancadaria [Haywire (Uma Traição Fatal, 2011)], comédia dramática [Magic Mike (2012)], um corporation thriller [Side Effects (Efeitos Secundários, 2013)], um biopic de época [Behind the Candelabra (Por Detrás do Candelabro, 2013)] e agora, no seu regresso, uma heist comedy, Logan Lucky (2017). Ao longo da carreira de Steven Soderbergh, e de forma mais pronunciada depois de Traffic (Traffic – Ninguém Sai Ileso, 2000), os seus filmes vêm-se distanciando dos seus personagens num acto de desprendimento, cada vez mais pronunciado, ajudado pelas tramas: os trabalhadores do sexo – The Girlfriend Experience (Confissões de Uma Namorada de Serviço, 2009) e Ma...

VALORES (uma crônica de Marcelo Rayel Correggiari)

Um dos grandes desafios de se tocar uma Mercearia é entender os valores de tudo o que nos cerca. ‘Precificação’ é um exercício quase infernal de se entender, em valores comerciais, o tamanho do trabalho que deu certo item ter chegado ali, bem diante dos nossos olhos. O ponto nem sempre está no valor de aquisição, mas na manutenção do que foi adquirido... conquistado. Isso sem contar que o corpo muda, a cabeça também, o que não tinha a menor relevância antes se torna crucial agora... dependendo dos tombos e traumas, os medos se tornam radicais. O conhecimento de formas diferentes das nossas é de deixar com o cu na mão: está para nascer aquele(a) que, no mínimo, não sente algum ‘friozinho na barriga’ ao longo de uma interação em que ‘o(a) outro(a)’ impreterivelmente soa como ‘certo alguém’ que vem para nos desestabilizar. Ah, a alteridade...! Não houve qualquer filosofia que deu conta de assunto tão fascinante e, ao mesmo tempo, espinhoso. Porém, fique tranquilo(a), quer...

CORRENDO SEM PARAR (uma crônica de Ademir Demarchi)

A correria do dia a dia virou rotina na vida urbana deste Planeta em que a economia parece ter se tornado uma religião fundamentalista a ponto de mais que nunca regular a existência e incorporar a pressa em cada um. Daí que já parece natural, pela necessidade de praticar exercícios, também continuar correndo com pressa por aí quilômetros e quilômetros sem natureza em volta. Isso quando não se fica confinado em academias movidas a música enlouquecedora boa pra amestrar macaco depelado. Conheço pessoas que, quando as encontro num eventual passeio, param para conversar sem parar de correr. É meio esquisito, mas é assim mesmo: você fica parado olhando e a moça fica simulando que está correndo na sua frente, mexendo sem parar pernas e braços e suando enquanto fala, cabelo pra cá, cabelo pra lá, geralmente com um par de fones de ouvido conectando-a em sabe-se lá que planeta. No meu é que não é. É como se pegássemos um boneco à pilha e o levantássemos do chão – ele continuaria a es...