No fim de um mundo melancólico os homens lêem jornais. Homens indiferentes a comer laranjas que ardem como o sol. Me deram uma maçã para lembrar a morte. Sei que cidades telegrafam pedindo querosene. O véu que olhei voar caiu no deserto. O poema final ninguém escreverá desse mundo particular de doze horas. Em vez de juízo final a mim me preocupa o sonho final. João Cabral de Melo Neto nasceu em Recife, Pernambuco em 9 de janeiro de 1920. Sua poesia vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, porém caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos marcados pelo uso de rimas toantes. João Cabral inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil, e deixou uma obra literária densa e relaticamente extensa. Quando morreu, em 9 de Outubro de 1999, era considerado um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.
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