“A televisão matou a janela” (Nélson Rodrigues) O salão nobre estava lotado quando o diretor de criação da filial brasileira da multinacional subiu ao palco. Consagrado. Aquela era sua noite. Sua agência já tinha ganhado dois Leões – Prata e Bronze – no badalado festival do cinema publicitário francês, com dois belíssimos comerciais. Agora, ele subia mais uma vez a escada para buscar o reluzente Leão de Ouro. Degraus da fama. E da fortuna. Na festa de encerramento, animadíssima, caiu na farra. Tinha o que comemorar. De fato. Muitas vezes estivera perto de conquistar o mais cobiçado troféu da propaganda mundial, mas perdera. Por isso, ou por aquilo. Não importa. Agora, chegara sua vez. Permitiu-se tudo a que tinha direito. Fotos, entrevistas, abraços, tapinhas nas costas, sorrisos, bajulações. Coisas que sempre detestara. Encarou a berlinda com visível prazer. Tinha chegado lá. Na virada da meia-noite, esbarrou numa diretora de criação alemã. Uma deusa. Louc...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO