Skip to main content

Posts

Showing posts with the label PANORÂMICA

FORMIGAS (por Denise Marino)

Uma cena ocorrida hoje, trouxe de volta uma velha imagem da infância. Fazia calor. Na parece branca da cozinha, uma fila de formigas se dirigia para algum lugar (as formigas, às vezes, parecem caminhar sem rumo). Fui até o armário e peguei o veneno que, talvez por pudor, insistimos em chamar “remédio”: remédio para formigas; remédio para mosquitos, remédio para baratas. O remédio, certamente, é para nosso alívio; não para o deles. Mas, enfim, apliquei uma carreirinha daquele veneno que já vem preparado numa espécie de seringa no parapeito da janela. É um veneno bonito: cor de rosa translúcido. Até eu me sinto atraída por ele, imagine as formigas! Acredito que elas tenham vontade de mergulhar. É o que eu sentiria se visse um riacho de gel cor de rosa, brilhante e transparente. Ainda mais num dia de calor. Imagino, além disso, que o sabor seja doce e com cheiro de doce. Irresistível. Algumas horas depois voltei à cozinha. O veneno havia escorrido pela par...

PROVÉRBIOS (por Denise Marino)

(Imagem: O semeador, Vincent Van Gogh) “Quem semeia vento colhe tempestade”. Provérbio conhecido. (Salvo engano está na Bíblia: curiosidade histórica) O que ele diz? 1. Justifica a existência das tempestades. ou 2. Indica a consequência de determinado comportamento. A maior parte das pessoas – e até o Google – responderão o óbvio: 2 (Dois!) (resposta dois!) O provérbio ensina sobre responsabilidade. Ensina que as pessoas colhem aquilo que plantam. Isto é, quem planta carinho, colhe carinho; quem planta compreensão, recebe compreensão; quem planta rancor, recebe rancor; e assim por diante. Até o Chico Buarque cantou com plena consciência e orgulho: “... Eu semeio o vento/ Na minha cidade/ Vou pra rua e bebo a tempestade...” Ou seja, o governador e candidato Geraldo Alckmin perdeu uma grande oportunidade de mostrar que está em sintonia com o que a maioria do povo pensa. Covarde! Molenga! Arregou! Perdeu Chuchu! Voltou atrás para fic...

O VISIONÁRIO UMBERTO ECO (por Denise Marino)

Em 2015, numa cerimônia na Universidade de Turim, Umberto Eco declarou: “As mídias sociais deram direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. (...) O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Muita gente torceu o nariz para o escritor italiano: “elitista” – pensaram. E alguns correram a defender o direito à voz dos excluídos da razão e do bom senso e a saudar a internet como um espaço democrático de comunicação e informação. Passados quase três anos, duvido que exista um único internauta ativo que, pelo menos três vezes por semana, ao deparar com certos posts em sua linha do tempo, não tenha exclamado com convicção: “imbecil!”, “idiota!!”. Dá para ouvir Umberto Eco em seu descanso eterno: - Tesoro, non te l´no detto? Mas o filósofo e professor de Semiótica não parou por aí. Ele criticou o excesso de informação, tão prejudicial qua...

DENISE MARINO ASSISTIU "PANTERA NEGRA" E COMENTA

Não entendo muito de gibis e nem da transposição de seus heróis para as telas do cinema. Mas, pelo pouco que sei, creio que se pode dizer que Pantera Negra é um clássico. Todos os clichês estão lá: batalhas estrambólicas, explosões, raios destruidores, efeitos especiais e os super poderes dos que querem proteger o mundo contra os que querem dominá-lo. Logo de início e do alto da minha pouca experiência chamou a atenção a referência à lenda do reino perdido de Atlântida. Ao menos, foi assim que Wakanda me pareceu: uma civilização superior, erigida com base no conhecimento e enriquecida pela exploração de um metal especial, o vibranium que, tal como o oricalco – o metal da montanha, mais brilhante do que o ouro – dava uma aparência especial aos artefatos de Atlântida. _ Sim, eu sei que Atlântida era uma ilha e que Wakanda, ao contrário, fica no coração do continente africano. Também sei que os super heróis de Atlântida são os aquáticos Namor (da própria Marvel) e o A...

...E O BRASIL DESFILOU NU EM PLENA SAPUCAÍ (por Denise Marino)

Aos poucos a vida vai voltando ao normal, com uma preguiça danada. Preguiça também da polêmica em torno do desfile da Tuiuti. Que é que tem? Foi bacana. Propuseram uma reflexão sobre as cicatrizes deixadas pela escravidão. Poderiam até ter aprofundado mais e visto como a própria preguiça e a aversão ao trabalho fazem parte da cultura brasileira e estão relacionadas ao passado escravista. Em vez disso, questionaram a reforma trabalhista. Beleza! Colocaram o vice da Dilma vestido de vampiro. Achei engraçado. Ironizaram os manifestantes pelo impeachment? Sem problemas, direito deles. É assim nas democracias. Que diferença! Antigamente não havia isso de democracia. No começo, quando as primeiras escolas de samba receberam o reconhecimento oficial, receberam também o “delicado” pedido de apoio à propaganda patriótica do governo. O chefe de Estado era o ditador e populista Getúlio Vargas. E assim foi, sob censura e controle mesmo durante o curto período democrático e...