Skip to main content

Posts

NO PAÍS DAS CALÇAS CÁQUIS (por Marcelo Rayel Correggiari)

Num período razoavelmente turbulento da vida nacional, permeado inclusive mundo afora por uma grave crise humana, há de se entender que a noção de justiça ao longo da história universal pode ser simplesmente uma ilusão. Quando um padrão se repete, é necessário muito sangue-frio para saber com certa exatidão qual a porcentagem de contribuição nossa no ‘merdelê’ todo. Já aviso que nunca é uma tarefa fácil ou suave. Auto-crítica para a transformação é um artigo cujo preço é salgado pacas. Porque não pára na ‘auto-crítica’. Precisa-se de muita coragem para cessar o funcionamento daquilo que não funciona bem. Num momento em que certo ‘macartismo’ impera com ‘listinhas’ para lá e para cá na presença de um policiamento deveras beligerante, em que a virulência de agora é proporcional ao estímulo agressivo de outrora, há de se pensar que estivemos sempre no superficial e aquilo que precisaríamos fazer não foi feito. Doze entre dez estudantes de ciências jurídicas pref...

TEMPO DE BUSCA DE CRISTO EM OVO (por Ademir Demarchi)

Com a crise se tornando rotina, o judiciário tira folga pascoal de semana inteira para procurar Cristo em ovo, isso que mal saíram os juízes de uma emendada federal de 20 dias entre natal e ano novo, mais outra no carnaval, fora férias e licenças prêmio. A toga não se toca. Ganhadores dos mais altos salários do país, acima dos tetos constitucionais, graças a jeitinhos criados para burlar essa lei, eles se somam aos políticos nessa benesse paga por nós, ganhando “salários” de vinte mil a oitenta mil reais. Justiça no Brasil é coisa de fantasia divina, daí que as velhinhas religiosas atingidas pelo vazamento daquela barragem amadora da Samarco devem estar dizendo em Minas que “ela tarda mas não falha”, referindo-se à tragédia que atingiu Roger Agnelli, que morreu com toda sua família numa queda de avião neste sábado. Ele era um dos responsáveis pela exploração ávida de minério e, indiretamente, por construções de barragens mal feitas como a que gerou a tragédia de Minas. Agnel...

2 OPINIÕES SOBRE "ZOOM", COM MARIANA XIMENES, ALISON PILL E GAEL GARCIA BERNAL

EXERCÍCIO DE ESTILO REÚNE MARIANA XIMENES, ALISON PILL E GAEL GARCIA BERNAL   por Érico Borgo para OMELETE Um filme sobre um quadrinho a respeito de um diretor rodando um longa sobre uma escritora cuja protagonista de seu romance é a autora do quadrinho. Com essa estrutura de serpente comendo a própria cauda, Zoom, de Pedro Morelli, leva ao extremo ideias de metalinguagem, com inventividade. Cada segmento do longa tem sua linguagem, elenco e ritmo próprios. São como três contos, sendo que um é responsável pelo outro. A forma é bastante interessante, especialmente no segmento do quadrinho, que é totalmente animado em rotoscopia. Como ligação temática entre as três partes estão a arte e o sexo. Emma (Alison Pill) é uma quadrinista que durante o dia trabalha em uma fábrica de bonecas sexuais realistas. A modelo Michelle (Mariana Ximenes) aspira uma carreira como escritora, mas só é respeitada pela sua beleza. Já Edward (Gael García Bernal) é um cineasta de filme...

2 OPINIÕES SOBRE "CONSPIRAÇÃO E PODER", COM CATE BLANCHETT E ROBERT REDFORD

DIGNIDADE ACIMA DE TUDO E ANTES DE MAIS NADA por Carlos Cirne para COLUNAS E NOTAS É impressionante como determinados eventos históricos se repetem ciclicamente, com apenas algumas pequenas alterações de elenco. Principalmente na mídia norte-americana, é comum presenciarmos as sagas de jornalistas – de jornais, revistas ou televisão – em busca da verdade sobre eventos relacionados ao mundo da política, com os mais variados resultados. O que há em comum, geralmente, é a maneira como as histórias são ficcionalizadas e apresentadas ao público, na forma de filmes ou séries de televisão. E é o que se vê neste “Conspiração e Poder”, atualmente em cartaz. Com a diferença de que não espere um final feliz desta vez. Nesta história, a produtora do investigativo programa “60 Minutes”, Mary Papes (Cate Blanchett, melhor do que nunca, fora do piloto automático de “Carol”), recebe documentos que parecem atestar a “fuga” do serviço militar no Vietnã do então presidente norte-americ...

2 OPINIÕES SOBRE O FILME DE SUSPENSE BRASILEIRO "PARA MINHA AMADA MORTA"

MACHO EM LUTO por Bruno Carmelo para ADORO CINEMA Fernando (Fernando Alves Pinto) acaba de perder a esposa. Para retratar a dor do personagem, o roteiro coloca à disposição todos os símbolos clássicos do luto: ele dorme cheirando as roupas da amada, fica observando fotografias dos dois juntos, assiste a vídeos dos bons momentos do casal, organiza as joias e outros objetos pessoais dela. Um dia, descobre em uma das fitas que a esposa o traía. Transtornado, Fernando decide fazer o que qualquer macho dominador faria: encontrar o amante, matá-lo, seduzir a esposa dele e, se possível, seduzir a filha mais velha também. O filme abre caminho para o protagonista realizar sua vingança sem muitos obstáculos. O filho de Fernando é convenientemente retirado da história (ele vai passar alguns dias na casa da tia, sabe-se lá por quanto tempo), o trabalho de fotógrafo é esquecido, o adversário é encontrado em poucas horas e seguido com facilidade: Fernando caminha a poucos metros ...

COMEMORO OS DEZ ANOS DA ROLLING STONE BRASIL CANCELANDO MINHA ASSINATURA

Quando a primeira edição da Rolling Stone Brasil fui lançada em Outubro de 2006, com Gisele Bundchen na capa e uma entrevista antológica concedida por Bob Dylan, muitos roqueiros brasileiros, que não suportavam o fato da Argentina ter sua edição da Rolling Stone desde meados dos Anos 90 e nós não, respiraram aliviados. O caso é que, desde o fim da Revista BIZZ , nunca mais tivemos uma publicação musical de interesse geral com colaboradores gabaritados e um padrão de qualidade editorial que avalizasse sua leitura.    É sempre bom lembrar que, antes da BIZZ , tivemos a inesquecível Rock, A História e a Glória  na segunda metade dos Anos 70 e, um pouco antes, entre 1972 e 1973, uma efêmera edição  brasileira da Rolling Stone , que tinha colaboradores estelares como Luis Carlos Maciel, Ezequiel Neves, Tárik de Souza, Ana Maria Bahiana, Gabriel O'Meara e Okky de Souza.  Infelizmente, era uma empreitada totalmente perdulária, quiçá suicida em termos comerci...