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O POETINHA DESSA SEMANA FOI UM MEMBRO ILUSTRE DA BLACK MOUNTAIN POETS SOCIETY

ilustração: O Alce, de George Stubbs Poesia, Uma Coisa Natural Nem nossos vícios nem nossas virtudes promovem o poema. “Eles surgem           e morrem tal como o fazem todos os anos           sobre as rochas.”           O poema se alimenta de pensamentos, sentimentos, impulsos,           para recriar     a si mesmo, uma urgência espiritual capaz de transpor sombrias escadas. Essa beleza é uma persistência interior           em direção à fonte pelejando contra (dentro) a correnteza do rio,           um chamado que escutamos e respondemos na intempestividade do mundo,           bramidos primordiais a partir dos quais o mundo novo poderia surgir, não há salmões no reservatório onde           caem as avelãs, senão nas cascatas a batalhar, inarticulado...

POEMINHA DE DOMINGO QUASE NATAL (por Vinícius de Moraes)

POEMA DE NATAL Vinicius de Moraes Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio. Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações Se deixem, graves e simples. Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente. Marcus Vinicius de Moraes (18/10/1913 - 09/07/1980), poeta, jornalista, compositor...

POEMINHA DE DOMINGO (por Ana Cristina Cesar)

É MUITO CLARO Ana Cristina Cesar é muito claro  amor  bateu  para ficar  nesta varanda descoberta  a anoitecer sobre a cidade  em construção  sobre a pequena constrição  no teu peito  angústia de felicidade  luzes de automóveis  riscando o tempo  canteiros de obras  em repouso  recuo súbito da trama Ana Cristina Cesar nasceu em 1952,  na cidade do Rio de Janeiro.  Foi criada entre Niterói,  Copacabana e os jardins do velho Bennet.  Depois de suas primeiras viagens pelo mundo,  deu aulas, traduziu, fez letras,  escreveu para revistas e jornais alternativos,  saiu na antologia "26 Poetas Hoje",  de Heloísa Buarque de Hollanda,  e lançou seus primeiros livros  em edições independentes:  "Cenas de Abril" e "Correspondência Completa".  Dez anos depois, fez um M.A.  em tradução literária em Londres...

POEMINHA DE DOMINGO (por Torquato Neto)

COGITO Torquato Neto eu sou como eu sou pronome pessoal intransferível do homem que iniciei na medida do impossível eu sou como eu sou agora sem grandes segredos dantes sem novos secretos dentes nesta hora eu sou como eu sou presente desferrolhado indecente feito um pedaço de mim eu sou como eu sou vidente  e vivo tranquilamente  todas as horas do fim. Torquato Pereira de Araújo Neto  nasceu em Teresina, Piauí,  em 09 de Novembro de 1944. Estudou no mesmo colégio que Gilberto Gil, em Salvador, tornando-se amigo do compositor e também dos irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Em 1962 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou um curso de Jornalismo. Sem o diploma, começou a exercer a profissão em diversos jornais cariocas.   Foi um dos mentores intelectuais  do movimento tropicalista,  participou da famosa capa do LP  "Tropicália ou Panis et Circenses",  que traz...

POEMINHA DE DOMINGO (por Afonso Henriques Neto)

UMA NOITE o tio cuspia pardais de cinco em cinco minutos. esta grama de lágrimas forrando a alma inteira (conforme se diz da jaula de nervos) recebe os macios passos de toda a família na casa evaporada mais os vazios passos de ela própria menina. a avó puxava linhas de cor de dentro dos olhos. uma gritaria de primos e bruxas escalava o vento escalpelava a tempestade pedaços de romã podre no bolor e charco do tanque. o pai conduzia a festa como um barqueiro puxando peixes mortos nós os irmãos jogávamos no fogo dentaduras pétalas tranças fotografias cuspes aniversários e sempre uma canção só cal e ossos a mãe de nuvem parindo orquídeas no cimento. Afonso Henriques de Guimaraes Neto  nasceu em Belo Horizonte em 1944.  Morou no Rio de Janeiro e em para Brasília,  onde concluiu os estudos fundamentais  e, posteriormente, a faculdade de Direito.  Afonso é filho do poeta...

POEMINHA DE DOMINGO (por Bernardo Vilhena)

TIRA-TEIMA Tire a faca do peito e o medo dos olhos Ponha uns óculos escuros e saia por aí. Dando bandeira Tire o nó da garganta que a palavra corre fácil sem desculpas nem contornos Direta: do diafragma ao céu da boca Tire o trinco da porta liberte a corrente de ar Deixe os bons ventos levantarem a poeira levando o cisco ao olho grande Tire a sorte na esquina na primeira cigana ou no velho realejo Leia o horóscopo e olhe o céu lembre-se das estrelas e da estrada Tire o corpo da reta e o cu da seringa que malandro é você, rapaz o lado bom da faca é o cabo Tire a mulher mais bonita pra dançar e dance Dance olhando dentro dos olhos até que ela morra de vergonha Tire o revólver e atire a primeira pedra a última palavra a praga e a sorte a peste, ou o vírus? Bernardo Vilhena nasceu  na cidade do Rio de Janeiro  em 10 de janeiro de 1949.  Depois de participar  do coletivo  NUVEM CIGANA nos anos 70,  tor...

POEMINHA DE DOMINGO (por Solange Menegale Piasentin)

Solange Menegale Piasentin  nasceu no Rio de Janeiro,  mas foi criada em Brasília DF,  onde se descobriu poeta  e  estudou Literatura na UnB. Vive entre o Brasil e a Europa  desde o início dos Anos 1980,  quando foi estudar na  Universidade Clássica de Lisboa. Hoje mora no Norte da Itália,  onde leciona e  faz traduções,   Solange comete vez ou outra  um poema lindo  como esse acima,  que faz parte de seu livro DE ESTRELAS E ESCORPIÕES publicado em 1998  por Massao Ohno Editor. Solange está dando início a  uma nova aventura em sua vida,  como proprietária de um Café  em Leco  e é uma amiga muito querida  de LEVA UM CASAQUINHO (Chico Marques)

POEMINHA DE DOMINGO (por Fábio Rossi)

As três marias No céu da maromba Não são guias  Nem fazem sombra Alumiam como fogo Na mata verde A noite escura  E com tal ardência E candura Faz do caminho Um chão de estrelas  Até o aconchego De nosso ninho O céu da maromba Acaricia os olhos E as lagrimas do rio preto Descem brincando curvas No seu rosto a lamentar o vento O brilho lento da sua lua O céu da maromba É negro ... Fábio Rossi é um cara admirável. Dublê de advogado  e poeta de mão cheia, brinda constantemente seus amigos, que recebem suas postagens disparadas pelas Redes Sociais,  com poemas intensos e precisos,  de uma delicadeza impávida,  que são a cara dele. É casado com Cristina,  uma mulher notável,  que eu conheço desde menina.  Esse poema foi reproduzido  do perfil de Fábio no Facebook  sem sua autorização, claro,  que é como tem que ser. (pedir licença é para aqueles  que não go...

POEMINHA DE DOMINGO (por Cissa Peralta)

A MENINA E O CANIBAL Cala a boca, Desejo! Silêncio! Grãos de areia não falam no deserto. Apunhalo cogumelos. Planto flores no cimento Bebo no teu beijo saliva e fel. "Acordei nesta terça  com uma notícia  muito triste:  Cissa Peralta, amiga, musa, poeta,  escritora, jornalista, ativista cultural,  dentre tantas atividades, alegrias,  amores, humores,  aceitou ao convite de Deus,  para inspirar a partir de outra dimensão" (Raul Christiano,  poeta  e  diretor  das Oficinas Culturais  do Estado de São Paulo)