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CAFÉ E BOM DIA #44 ESPECIAL DE NATAL (por Carlos Eduardo Brizolinha)

No fronti-hospício do inferno o "Deixai toda esperança ó vós que entrais" em A Comédia de Dante, "O homem comum, que não tem qualquer domínio de seu mental, torna-se escravo de imagens e pensamentos que tomam sua mente e passam por seu cérebro como uma turba enfurecida", - Quem aqui entra, faz-me uma honra; quem não entra - um prazer".- F. Nietzsche, em A Gaia Ciência. Dinâmica de solidão sociável altamente recomendável pra quem, como eu, tem dificuldades crônicas para relacionamentos sem valor. por exemplo, a péssima inclinação de projetar na fulana da esquina modelos perfeitos de pessoa com quem seria bom estar e me livrar quiçá do fardo de, por maior que me queira para o mundo, ser sempre pequeno para mim. Quando o sonho arruína, a dor é tanto maior porque, não é o fulano da esquina que se escafedeu ou se revelou, foi meu ideal que "tragicamente" foi derrotado. Esse excesso de tragédia me irrita, por isso, creio, minha empatia com o Nietzsch...

CAFÉ E BOM DIA #22 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Dia lindo, dias perfeitos.  Desocupadamente, entre um e outro bate papo abro, leio um texto curto de Bukowski intitulado "Notas de um Candidato a Suicídio" (Charles Bukowski  claro que não tem explicação para quem tem bom gosto e quem não tem) "O que pra um homem é água, pra outro é fogo.  Não consigo atinar com o motivo da popularidade de Faulkner, dos jogos de beisebol, Bob Hope, Henry Miller, Shakespeare, Ibsen, as peças de Tchekov.  G. B. Shaw me faz bocejar do princípio ao fim.  Tolstói, idem, Guerra e Paz, pra mim, é o maior fracasso desde O Capote, de Gogol.  De Mailer, já falei.  Bob Dylan me dá impressão de canastronice, ao passo que Donovan parece ter classe mesmo.  Simplesmente não dá pra entender. boxe, futebol profissional, basquete, são coisas que têm dinamismo.  O Hemingway do início era bom.  Dos foi um garoto danado.  Sherwood Anderson, de cabo a rabo.  O Saroyan do início.  Tênis e óper...

CAFÉ E BOM DIA #16

por Carlos Eduardo Brizolinha "Em si mesma, toda ideia é neutra ou deveria sê-lo; mas o homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está consumada...  Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas." (Cioran, A Genealogia do Fanatismo)  Emil Cioran nasceu em 1911, na Romênia, formando-se em Filosofia pela Universidade de Bucareste. Em 1937, mudou-se para a França, onde escreveu a maior parte de sua obra. Morreu em 1995, em Paris, legando-nos uma obra perturbadora, provocante, densa, de linguagem profundamente poética e estilo verbal arrojado e radical. Filósofo-poeta que confronta os cumes do desespero, sonda os abismos do niilismo e ainda tem a coragem de persistir na existência ainda que considere ter nascido mais como inconveniente do que como maravilha, Cioran escreveu algumas das mais belas páginas de filosofia ...