A CHUVA, A NEVE, O OCEANO, OS PRÉDIOS, OS PERSONAGENS: 30 ANOS DEPOIS DO BLADE RUNNER ORIGINAL, TUDO PERMANECE MÁGICO, QUASE TÓXICO, E DEFINITIVAMENTE ASFIXIANTE por Rui Miguel Tovar (de Lisboa) para NIT Volta e meia (que é como quem diz, umas quantas vezes por semana), vou ao YouTube, escrevo “Blade Runner” e deixo correr uma hora e tal de Vangelis com frases soltas do filme de 1982. Yup, é isso mesmo: enquanto trabalho, ouço Vangelis misturado com as vozes de Harrison Ford e Sean Young. Que pan-ca-da. True. Posto isto, o Blade Runner de Ridley Scott é claramente um dos meus filmes preferidos. O ambiente de 2019, o estilo Lucky Luke de Harrison Ford, a música de Vangelis, a chuva miudinha constante, as piruetas da Daryl Hannah, o emotivo “like tears in rain” do Rutger Hauer, o picante “is this testing whether I’m a Replicant or a lesbian, Mr Deckard” da Sean Young. Tudo é sensorial. Passam-se 35 anos e eis-nos de novo a saltar para um futuro distante, o de 2049. Pe...
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