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EDUARDO CAVALCANTI CELEBRA O MÁRTIR E SAÚDA OS BRAVOS SOBREVIVENTES DO GRUNGE

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em várias outras publicações.  É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

DONA MARIA LÚCIA (uma crônica de Álvaro Carvalho Jr)

Seus olhos azuis parecem ter vida própria. Giram pela sala antiga e não deixam de encarar seus visitantes de frente. Os cabelos curtos, a roupa simples mostram uma professora de idade mediana que enfrentou, e enfrenta, problemas quase insuperáveis. Mas a voz forte, clara, num português muito bem falado, revelam uma mulher forte, que defende suas convicções com persistência e força incríveis. Ela é Dona Maria Lúcia, a proprietária de uma área maravilhosa, muito grande, encravada na Serra da Mantiqueira pouco mais de seis quilômetros da cidade que recebe o nome do criador do Sítio do Pica Pau Amarelo, Monteiro Lobato. O Museu que Dona Maria Lúcia mantém não é um verdadeiro museu, fato que ela mesmo deixa claro. " Lobato viveu aqui apenas sete anos. Depois mudou-se para Taubaté. O sítio pertenceu ao avô dele, que, depois de morto, o deixou para o escritor. Como não sabia administrar ou lidar com dinheiro, Lobato o vendeu ao meu avô, que o deixou ao meu pai e, finalmente, ...

PROFESSOR: ESPERANÇOSO E BRINCALHÃO (uma crônica de Marcus Vinícius Batista)

Quando atravessava o pátio de uma das universidades de Santos, encontrei-a pela enésima vez, mas mantive minha distância platônica. Uma professora pequena, cansada, com feições sérias. Ao mesmo tempo, rápida, agitada, transmitindo a sensação de que sempre há algo por fazer. Talvez para não quebrar a aura que construí em torno dela, nunca me aproximei para agradecê-la. A professora foi uma das responsáveis pela minha paixão por livros, embora não concorde – 25 anos depois – com muitos de seus métodos. Mas o “estrago” estava feito: a leitura como combustível de formação do homem. A lembrança pessoal é simplesmente o ponto de partida para a reflexão sobre este trabalhador contraditório, demasiado humano. É justo fazê-lo provar do próprio remédio? Sim, avaliá-lo sempre, e não enaltecê-lo um dia por ano. Distorção infeliz seria se apagássemos do quadro negro o antagonismo de suas qualidades e defeitos, elementos que o completam. A cultura latina recomenda: mortos devem ser beatif...

CAFÉ & BOM DIA #78 (por Carlos Eduardo Brizolinha)

Luís Soares, cuja ação do tempo não macula a face, tornando-o eternamente jovem e jovial, disse me que não leu "Ulisses". Me confortou saber, pois creio ser campeão de tentativas. Me enquadro no grupo que sabem da fama, mas nunca leram. Por incrível que possa parecer posso passar uma tarde inteira falando de "Ulisses" sem nunca ter lido "Ulisses", embora tenha lido "Dublinenses", "Retrato de um Artista", "Exilados" sem ter considerado excepcionais é de "Ulisses" que guardo a maior quantidade de informações. Informações colhidas em outros grandes autores. Paulo Francis em abril de 1991 disse que Joyce era muito chato e que havia sido um suplicio até entender. Antony Burgess disse que "Ulisses" não tem enredo e sim entretrechos e subtrechos. O mesmo Francis diz que "Ulisses" é o mais profundo mergulho no inconsciente humano. Paulo Coelho entre tantos outros considera ser um livro que você lê e ...