Friday, May 26, 2017

CONFIRA AQUI A PROGRAMAÇÃO DA VIRADA CULTURAL EM SANTOS NESTE FIM DE SEMANA



A Virada Cultural Paulista 2017 em Santos ocorre neste sábado (27) e domingo (28), com programação que abrange shows musicais de artistas como Tiê, Marina Lima, Alcione (foto) e da banda de hardcore santista Garage Fuzz, na Praça Mauá, no Centro Histórico, além de apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), no Teatro Coliseu.

Outros destaques são o stand-up ‘O problema não é você, sou eu’, com Rafael Cortez, no Teatro Guarany; a peça ‘Antônio – da tua tão necessária poesia’, com Clarisse Abujamra e Ivan Abujamra, também no Guarany; e a performance ‘Loucas por eles’, da Mesa2 Produções, no Teatro Coliseu, com Ellen Rocche e Suely Franco no elenco.

Toda a programação é gratuita, mas haverá retirada antecipada de ingressos para o concerto da Osesp e para a peça ‘Louca por eles’, no Coliseu, e para o stand-up de Rafael Cortez, no Guarany. As entradas estarão disponíveis, duas horas antes do início de cada atração (até o esgotamento de lugares), nas bilheterias dos respectivos teatros.

A programação da Virada Cultural Paulista tem os municípios participantes como correalizadores, ficando responsáveis pela montagem da infraestrutura de palco, som, segurança e limpeza, além de reforço à programação artística.

Este ano, pela primeira vez, a Virada tem apoio do Ministério da Cultura, por meio do Fundo Nacional de Cultura e da Lei Rouanet, além da habitual parceria do Sesc-SP. Todo o evento, criado em 2007, é produzido pela APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte, organização social de cultura parceira da Secretaria.

Confira a programação completa


PALCO EXTERNO

Praça Mauá Sábado (27)
18h30 - DJ Juba
19h30 - Garage Fuzz
21h - FunkSoulGroove – Chemical Funk
22h30 - Tiê
23h59 - Marina Lima e Banda Strobo

Praça Mauá Domingo (28)
15h30 - ‘O Mundo Visto Daqui’, de Victor Camejo
17h - As Bahias e a Cozinha Mineira
18h30 - Alcione


PALCOS INTERNOS

Teatro Coliseu Sábado (27)
18h - ‘Loucas por eles’, da Mesa2 Produções

Teatro Coliseu Domingo (28)
11h - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Teatro Guarany Sábado (27)
22h - ‘Antônio – da tua tão necessária poesia’,
com Clarisse Abujamra e Ivan Abujamra

 Teatro Guarany Domingo (28)
0h30 - ‘O problema não é você, sou eu’, com Rafael Cortez
11h - ‘Panos e Lendas’, da Cia. Pic Nic
16h - ‘Vestida de Shakespeare’, de As Pagus


CATE BLANCHETT COMPLETA 48 ANOS DE IDADE E NÓS AQUI COMEMORAMOS

por Chico Marques


Que Meryl Streep que nada!

Mais do que qualquer outra atriz de língua inglesa nos últimos 25 anos, Cate Blanchett sim é que é capaz das personificações mais impressionantes e das performances mais densas e contundentes do cinema atual.  

Nascida em Melbourne, Australia, em 1969, Cate encara qualquer parada.

Já interpretou a Rainha Elizabeth I em duas ocasiões diferentes.

Ganhou um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua personificação de Katherine Hepburn em O Aviador de Martin Scorsese.

E, claro, já foi Bob Dylan numa encruzilhada no momento mais prolífico de sua carreira em I'm Not There de Todd Haynes.

Sem contar que ganhou o Oscar de Melhor Atriz dando vida a uma aristocrata fake fascinante inspirada em Blanche Dubois em Blue Jasmine de Woody Allen.

 E quase ganhou de novo este ano como a sóbria e atormentada Carol, novamente sob a batuta de Todd Haynes.


Cate coleciona prêmios.

Já ganhou 3 Baftas e 3 Golden Globes, para citar apenas prêmios de primeira grandeza.

Coleciona definições bombásticas também.

A revista Entertainment Weekly a chamou de "uma das pessoas mais inteligentes de Hollywood".

Já a revista People a coloca como "uma das pessoas mais bonitas do mundo".

E a Empire determinou que ela é "uma das 100 estrelas mais sexy na história do Cinema".


Cate Blanchett é uma mulher lindíssima, talentosíssima e, como se isso não bastasse, é talvez a mais rica atriz australiana, dona de um patrimônio avaliado em 45 milhões de dólares.

Casada com o diretor e roteirista Andrew Upton, com quem tem 4 filhos, possui uma das carreiras mais bem focadas da cena atual, e alterna brilhantemente papeis densos em filmes de relevo com papeis de de destaque em blockbusters -- como a terceira aventura de Thor que está atualmente em produção pela Marvel.


Cate Blanchett completou 48 anos no último dia 14 de Maio, e nós aqui quase esquecemos.

Quase.

Nos redimimos disso agora escolhendo cinco filmes menos badalados de sua filmografia.

Em comum entre eles, apenas o fato de estarem disponíveis para locação nas estantes da Paradiso Videolocadora.








OSCAR E LUCINDA
(Oscar and Lucinda, 1998, 131 minutos, direção Gilliam Armstrong)

Oscar (Ralph Fiennes) é um padre que tem o hábito de jogar secretamente. Ele doa a maior parte do que ganha em suas apostas aos pobres e acredita que assim conseguirá o perdão de Deus. Lucinda (Cate Blanchett) é uma australiana arrojada disposta a quebrar as regras da sociedade para ser feliz. Quando Lucinda revela ao padre, através de uma confissão, sua obsessão pelo jogo, a vida dos dois muda pa sempre. Apresentando atuações brilhantes num cenário espetacular, Oscar E Lucinda é um triunfo em todos os sentidos. Quem não conhece, precisa conhecer.


VIDA BANDIDA
(Bandits, 2001, 122 minutos, direção Barry Levinson)

Bruce Willis é Joe, um especialista que desenvolveu um plano perfeito para roubar bancos, mas que acabou sendo pego pela polícia. Recém saídos da prosão, ele e Terry (Billy Bob Thornton) estão sem rumo e sem dinheiro, mas tudo muda quando começam a arquitetar um plano para manter os gerentes dos bancos que pretendem roubar em cativeiro desde a noite anterior ao roubo. Quando fogem por outros estados e batem de frente com leis federais, conhecem Kate (Cate Blanchett), uma dona de casa sexy e excêntrica, cuja indecisão para escolher entre os dois ladrões pode estragar esta parceria. Uma comédia de erros divertida e brilhante baseada num romance de muito sucesso de Elmore Leonard. Direção perfeita do especialista Barry Levinson.


AUTO CONTROLE
(Pushing Tin, 1999, 123 minutos, direção Mike Newell)

Uma comédia nada convencional sobre dois controladores de tráfego aéreo, cuja intensa rivalidade e queda para individualidade causa um divertido pandemônio em suas carreiras, em seus casamentos... e nos aviões que cruzam seu espaço aéreo! Nick Falzone (John Cusack) é o mais ocupado, e o melhor, controlador de tráfego aéreo de Long Island - até que Russell Bell (Billy Bob Thornton) invade a cidade como um caubói motorizado. Devidamente abastecidos da cafeína e machismo, os dois se enfrentam em uma competição de intelectos e vontades, na qual só poderá haver um vencedor. Cate Blanchett e Angelina Jolie fazem papeis secundários, mas deliciosamente inusitados.


DESAPARECIDAS
(The Missing, 2004, 130 minutos, direção Ron Howard)

Em pleno século XIX Samuel Jones (Tommy Lee Jones) decide voltar para casa, após muitos anos ausente, numa tentativa de fazer as pazes com sua filha Maggie (Cate Blanchett). Maggie não vê o pai desde quando era criança, mas precisa de sua ajuda quando sua filha mais velha é sequestrada por Chidin (Eric Schweig), um psicopata que possui poderes místicos. Chidin já sequestrou outras crianças, sendo o responsável por uma grande quantidade de mortos no Novo México. Juntos, Samuel e Maggie precisam encontrá-la antes que Chidin atravesse a fronteira com o México. Performances contundentes de Cate Blanchett e Tommy Lee Jones num western climático em que Ron Howard brinca de John Ford com resultados impressionante. Belíssimo filme.


CHEGADAS E PARTIDAS
(The Shipping News, 2001, 124 minutos, direção Lasse Hallstrom)

Um homem comum procura reconstituir sua vida em um ambiente novo e completamente diferente do seu, uma comunidade pesqueira. Quoyle (Kevin Spacey) é um nova-iorquino infeliz e solitário que perde sua esposa (Cate Blanchett) em um acidente de carro. Transtornado, ele viaja com sua tia (Judi Dench) e sua filha para Newfoundland, uma região peculiar, onde viviam seus antepassados. Quoyle se fixa como repórter no jornal local e a cada artigo que escreve, a noção que tem de sua própria vida muda, assim como a impressão que tinha daquela comunidade. O novo emprego, o novo relacionamento com a misteriosa Wavey (Julianne Moore) e a belíssima Newfoundland mudam a vida de Quoyle para sempre. Um drama inusitado com um elenco magnífico em papeis extremamente marcantes, dirigido por um mestre. O que mais alguém pode esperar de um filme?




A GOLEADA (uma crônica de Marcus Vinícius Batista)




Não gosto de goleadas. Não entenda como a frase definitiva de um despeitado, de alguém que resolveu esbravejar de cabeça inchada, de um sujeito que não sabe perder ou de um torcedor que decidiu fugir dos defeitos do time do coração.

Goleadas tiram o prazer do futebol. Representam um ato de violência contra este jogo, que – por essência – necessita do equilíbrio, das reviravoltas, das viradas no placar, da possibilidade de dar ao pequeno a real esperança de derrubar o gigante.

Na conversa de vestiário e de boteco, a goleada começa com 4 a 0. É o placar que serve de fronteira entre a luta e a surra. A partir daí, não testemunhamos uma partida, e sim um apedrejamento em praça pública, um espancamento torpe, sem a chance de defesa, ainda que seja ilegítima.

As goleadas evidenciam a solidão de quem vence. Dar um chocolate não significa adocicar a derrota do oponente, mas fornecer a ele uma overdose de glicose, quando o índice de diabetes já se encontra acima de 300. Quem goleia não se sente odiado, amado ou admirado. Do outro lado do campo, só se vê vergonha de si mesmo, paralisia diante do inesperado ou a resignação perante o que se sabia na véspera.

Goleadas não servem como treinamento. É vencer sem sofrimento, dor ou taquicardia. Quem goleia enrola os próprios defeitos nas redes adversárias. Quem perde fica sem saber se ainda possui alguma qualidade que mereça ser explorada no próximo jogo. Pior: se ali existe um time capaz de correr amanhã, capaz de perder de pouco ou até de empatar.

Golear é abdicar de preceitos religiosos, da moralidade cristã. É a conquista sem penitência, a glória sem sacrifícios, que dispensa as orações, o pedido ao desconhecido, a vitória concedida aos escolhidos. O time goleado, que deveria ser o símbolo do pecado, transfere a culpa ao vencedor, incapaz de ser misericordioso, sem piedade diante de homens caídos.

As goleadas provocam relaxamento dos torcedores, tanto nas arquibancadas como nos sofás. Não há surpresas. Não há suor, gula, consumo excessivo de qualquer substância legal ou proibida. A narrativa vai permanecer linear como história mal contada. Os personagens seguirão suas vidas, naquele jogo, sem sobressaltos. Vilões e heróis serão os mesmos.

Quando um time goleia, ele lacra a porteira das emoções. Morrem o medo, a fé, a ansiedade, a angústia e a raiva. Se um time perde por 5, 6, 7 a 0, o torcedor constrói uma couraça para sustentar a dor. Não há o que falar, a digestão será tão lenta quanto um almoço de três horas.

Se meu time vence, perco a atenção e a vigilância sobre a partida. Sem riscos, o torcedor não poderá se servir do ópio. Os problemas de amanhã tocam a campainha sem que o jogo tenha terminado. O futebol perde o encanto, torna-se previsível como uma noite de casados no trio elétrico. Talvez se toque no assunto no dia seguinte, mas aí a ausência de calor racionaliza e pasteuriza as opiniões. Os absurdos dos palpiteiros dão lugar aos comentaristas de gravata.

Entre dois times grandes, a goleada se equilibra na corda entre dois edifícios, cuja queda beira o desrespeito. Quem vence se vê na obrigação de respeitar a história alheia, talvez pensando em si próprio, talvez no temor da mínima chance de ressurreição do derrotado. É um código de honra entre leões, no qual se morre com glórias, mata-se com compaixão.

Não deixe de ver futebol por causa de goleadas. Elas permitem uma exceção. A goleada só vale contra o rival histórico. Neste caso, o sangue tem gosto de doce de criança, gulosa pela repetição até passar mal. Vencer o maior rival é o gozo da vingança porque quem hoje goleia já sentiu as marcas dos pneus em dia de atropelamento.

Em goleadas, Brasil e Alemanha jamais será como Santos e Corinthians, Flamengo e Fluminense, Real Madrid e Barcelona, o time da minha rua contra o da rua ao lado. Nestes jogos, golear é missão, humilhar é dádiva, ganhar é ter o que dizer para sempre, mesmo que dure até a próxima partida, mesmo que seja por 1 a 0.


(publicado originalmente em CONVERSAS E DISTRAÇÕES em 18 de Abril de 2017)

 
Marcus Vinícius Batista
é o cronista santista número um, ponto.
É autor de "Quando Os Mudos Conversam"
Realejo Livros)
coletânea de crônicas escritas
entre 2007 e 2015
e mantém uma coluna semanal
no Boqueirão News
que é aguardada com avidez
por sua legião de leitores.
Atendendo a um pedido
de LEVA UM CASAQUINHO,
ele se dispôs a resgatar
algumas de suas crônicas favoritas
escritas nos últimos anos
para republicação no BAÚ DO MARCÃO.

CAFÉ & BOM DIA #61 (por Carlos Eduardo Brizolinha)



Nunca fui bom aluno de matemática, sou péssimo em lidar com números, razão pela qual ando atrás de Beremiz Samir para poder entender os cálculos, números de projeções, métodos estatísticos et cétera e tal. Como houve um retrocesso na qualidade do jornalismo, salve Claudio Abramo, mantenho DE TI O LEGADO DO CETICISMO RACIONAL, deram de me oferecer números e números que não consigo entender patavina. Beremiz Samir que tive o prazer de conhecer ainda menino me impressionava com seus feitos, um singular personagem, um fabuloso calculista da Pérsia. Hank Tade-Maiá e Beremiz sei que decidiu viajar junto para Bagdá e durante o trajeto Beremiz deu mostras de sua extraordinária habilidade com os cálculos. Em suas viagens, Esse Homem que Calculava resolveu diversos problemas , tais como: dos 35 camelos; dos quatro quatros; do joalheiro; dos 21 vasos; do jogo de xadrez; dos três marinheiros; das abelhas; da metade de x da vida; dos número 142.875; entre outros. assim sendo e sendo assim só ele para me fazer entender a enxurrada de números nos jornais televisivos. Como pode o que stá em tal jornal não estar no outro? Li que em Bagdá, Beremiz rapidamente ficou famoso e muito requisitado, tanto por pessoas comuns quanto por nobres, despertando a simpatia de uns e a inveja de outros. Trabalhou como secretário do Grão-vizir Ibrahim Maluf, enquanto Tade-Maiá ficou como escriba deste mesmo ministro, Beremiz aceitou também a tarefa de ensinar a matemática à filha do poeta Lezid, travando conhecimento com Telassim, sua futura esposa. O califa, então, ouviu falar de Beremiz e concedeu-lhe uma audiência, na qual ficou encantado com a argúcia do calculista, elogiando-o, ainda que desconfiado de tamanha habilidade matemática. Onde anda Beremiz para pedagogizar essa enxurrada de números que pode ser singularizada em uma só palavra, meu café está mais caro.



Alguns anos atrás lia Bolaños, dizia eu ter sido um passeio no parque em dia de chuva intensa para ver infra realismo. Sempre me ocorre quando se fala de nova literatura é algo que acharam no quarto dos fundos. Bolaños não fez escola. O moderno nos tempos atuais tem o tempo de uma bolha de sabão. Não posso negar a criatividade, me curvo diante da criatividade deste chileno, afinal fazer uma enciclopédia de autores fictícios é uma empreitada e tanto. Os críticos incensaram Bolaños e viram nele vapores de Jim Morrison com Joyce que não consegui ver, mas quem sou eu? Uma pessoa muito estimada e professor na federal do Paraná disse me ter começado com o livro erradoetetives Selvagens " primeiramente. Depois ler " Livro de 98 " e ai sim, Noturno no Chile ". É ótimo ter esse tipo de orientação, Quando comentei com meu amigo já havia terminado " Noturno no Chile " . Gostei embora não eleve Bolanõs ao mais alto grau da prateleira sagrada. O Padre Ordutia Lacroix sonhando em ser crítico literário visita o maior crítico do Chile Lamarca Farwel, é assim o ponto inicial de uma costura ficcional que nos encanta e diverte. É especialmente divertido ler as aulas de marxismo dada a Pinochet, como também o componente grego gasto. O FB me faz relembrar apontamentos de outrora, mas Lucy é melhor com sua coleção de alfinetes.



Jarry foi transgressor e auto destrutivo, sabe se lá se por intenso consumo de bebidas, éter e absinto. Com a morte de sua mãe veio a desestabilização emocional, surge um desprezo pela vida social e biológica. Antes de ser internado num sanatório criara uma fusão do seu personagem Ubu e vivia omo se tal fosse. O personagem nasce de uma troça juvenil por vingança e diversão. É estruturada para um teatro de marionetes e depois para os palcos. Jarry com sua ida para Paris cresce com a publicação de um texto, sendo premiado. Encena informalmente " Os cornos de P.H. " nasce Ubu. A estréia de Ubu rei em 09 de dezembro de 1896, gerou muita polêmica,resultando numa temporada curtíssima de apenas duas apresentações. Conforme Edward Braun, a sala estava tomada por mais de mil espectadores. “Desses, se calcula que não mais de cem pagaram sua entrada, e que o resto eram críticos,amigos e desocupados. Fala de Pai Ubu - Capitão Bordura , decidi nomear o senhor, será Duque do Maranhão. O Capitão replica - Mas como Pai Ubu se você é um plebeu? Pai Ubu solta uma frase enigmática JARNICOTONBLEU! JARNICOTONBLEU! JARNICOTONBLEU! Pois bem, acordei com os brados JORNICOTONBLEU. Realidade ou vinho? Me vi num palco como ignóbil patife no meio de muitos Palotins. O alucinado e criativo Jarry se utiliza de Palotins que são todos eles habilitados para as piores e mais imundas tarefas. Todos os palotins saíram em busca do significado da palavra JORNICOTONBLEU, alguns anos de esforços desenterraram inúmeros esquifes e de um deles sai Cotton. Para você ter uma ideia de Cotton, foi ele um ser que quando perambulou pela face da Terra era tão odiado que surgiu o termo " Je revie Cotton " ou seja, " Te renego Cotton " Dai esse termo passou por um processo de mutação que evoluiu para JARNICOTONBLEU. Tal como Ubu mandaria todos para o buraco ao som de JORNICOTONBLEU. Obviamente dei saltos de canguru na obra de Jarry, mas não cai em nenhum buraco.



Pouco mais de 3 milhões de habitantes, berço de La Cumparsita, celeiro de grandes artistas plásticos tais como Juan Manuel Blanes, Pedro Figari, Pedro Blanes Viali, José Cuneo Perinetti, Rafael Barrada. Aprecio muito os trabalhos de Torres Garcia e José Gurvich, sendo Torres um pintor muito inventivo que trabalhou com Gaudí na obra " Sagrada Família ". Gurvich de origem Lituana migrou para o Uruguai. A literatura ganha corpo com Bartolomé Hidalgo que deu identidade nacional, depois abre o século XX com José Enrique Rodó de grande importância para as letras do paisito. Nos anos 40 surge o magnifico Juan Carlos Onetti, primeiramente por se diferenciar de outros autores latinos. Seu olhar existencialista, amargo, solitário e seu palco " Santa Maria ", cidade imaginária onde nasceram inspirações para sua prosa desencantada, com pleno domínio psicológico. Rejeito os doutos que enxergam Gabriel Garcia, Borges como influência na sua obra. Bordaberry presidente do Uruguai prende Onetti em 1974 e exilou se em Madri. Em Junta Cadáveres, livro com tom mais suave e bem humorado do que " A Vida Breve ", Onetti é caustico. Acompanhar Larsen montar um prostíbulo ideal em Santa Maria com prostitutas velhas e vividas sustenta um livro muito bom. O Uruguai tem uma literatura muito boa, vide Benedetti, Carlos Moreno, Eduardo Galeano, o ótimo poeta Rafael Courtoisie.



É uma situação que não há como arrancar imagens divertidas, o efeito é provocar um afastamento da realidade. "Em si mesma. toda ideia é neutra ou deveria ser; nesta animação projeta chamas e demências...(...) ". Esta aí a abertura do livro de Cioran " Breviário da Decomposição ".O tópico é Genealogia do Fanatismo que digito usando a ideia em outro caminho. Há um cemitério para ideias que brotam e morrem, não há a minima possibilidade de renovar os 513 deputados federais, tal se dá com senadores. O clientelismo é milenar e assim será, roubo outra ideia de Cioran onde diz que o ser nasce com uma dose de pureza predestinada a ser corrompida. Ninguém lembra dos inúmeros escândalos na história do Brasil e todos eles não creio ter atingido o numero de envolvidos deste. Quando governadores saqueiam silenciosamente seus estados, neo Atílas, Alaricos para que nossos olhos não vejam grama, não vejam nada em pé. Li " A queda do império romano , A queda da Bastilha, queda do terceiro reich, queda do muro de Berlin...et cetera ", e gostaria de ver meus sonhos não serem aviltados, mas quando queda levam embora escorpiões que se afogam por instinto, que caiam todos e caim outros tantos até que propósitos justos se encaixem.

BOM DIA (COM O CAFÉ MAIS CARO)




Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta
é poeta e proprietário
da banca de livros usados
mais charmosa da cidade de Santos,
situada à Rua Bahia sem número,
quase esquina com Mal. Deodoro,
ao lado do EMPÓRIO SAÚDE HOMEOFÓRMULA,
onde bebe vários cafés orgânicos por dia,
e da loja de equipamentos de áudio ORLANDO,
do amigo Orlando Valência.




COM VOCÊS, MAIS UM ELETRIZANTE EPISÓDIO (O 68°) DA SAGA CONJUGAL "AH, O AMOR"



— Eu não curto muito esses teus papinhos inbox no face.

— Mas o que te incomoda?

— Quando é na linha do tempo eu posso ver.

— Mas você precisa ver tudo?

— Talvez. Acho que sim. Dá uma insegurança.

— Mas que insegurança? Você sabe tudo da minha vida.

— Quase tudo. Menos esses teus papos no face.

— Para com essa nóia, é conversa com amizades antigas, nada que te interesse.

— Ah, é? Então me dá a senha do teu face pra eu dar uma olhada.

— De jeito nenhum. Você tem de confiar em mim.

— Eu confio, mas às vezes me dá umas cismas.

— Problema seu.

— Se você me der sua senha eu te dou a minha.

— Mas eu não quero a sua senha.

— Você não quer saber o que eu escrevo inbox?

— Pra que eu ia querer?

— Pra saber tudo sobre mim. Tudo

— Eu sei bastante sobre você e te gosto assim. Pra mim basta.

— Eu gostaria de ser como você. Mas não consigo.

— Como assim? Você não me gosta?

— Claro que gosto, mas queria saber o que tá escrito inbox.

— Então só vai gostar completamente se souber isso.

— Não é tão grave. Eu gosto de você, mas queria ver as mensagens.

— Não sei por que uma coisa depende da outra.

— Não depende. Mas eu queria que a gente não tivesse segredos.

— Não são segredos.

— Então por que não deixa eu ver?

— Não tenho nada a esconder. É uma questão de privacidade. Acho que nós dois temos de ter pelo menos uma coisa nossa, que o outro não fique interferindo.

— Eu não preciso disso.

— Mas eu preciso.

— Controla essa obsessão com a senha.

— É que eu quero você por completo.

— Impossível.

— Você não quer se dar por completo?

— Não se trata disso. Ter o outro por completo é pura ficção. Ainda mais se o caminho for uma senha do face.

— Deve existir um caminho.

— Acho que não. Essa impossibilidade é da natureza humana.

— Você acha?

— Tenho certeza.

— Mas eu quero continuar tentando.

— Tá bem. Eu te dou a senha, só pra você ver que não adianta nada.

— Não, não. Por favor, não faça isso.

— Ué, não quer mais?

— Me deu medo.

— Medo?

— É, medo. E cansaço, muito cansaço.






Luiz Antonio Guimarães Cancello
é Escritor, Psicólogo, Professor e Músico.
Foi editor, ao lado do poeta Jair Freitas,
da lendária revista cultural ARTÉRIA,
marco da Cultura Santista dos Anos 1980.
Possuí vários livros publicados,
alguns sobre Psicologia,
outros de Ficção,
que podem ser adquiridos
na Realejo Livros
(Marechal Deodoro, 2 , Tel: 13 3284-9146)
na Disqueria Santos
(Conselheiro Nébias, 850, Tel: 13 3232-4767)
ou pelo website
www.luizcancello.psc.com