Thursday, June 14, 2018

SEGUNDA SEMANA DO FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2018 - PROGRAMAÇÃO




FESTIVAL VARILUX 2018
PROGRAMAÇÃO SANTOS

Em Santos, os filmes do Festival Varilux estão sendo exibidos no Cinespaço Santos, que fica no Miramar Shopping – Rua Euclides da Cunha, 21.

14/06 – QUINTA-FEIRA
14h00
O Orgulho, de Yvan Attal
15h55
Nos Vemos no Paraíso, de Albert Dupontel
18h10
O Amante Duplo, de François Ozon
20h15
A Aparição, de Xavier Giannoli

15/06 – SEXTA-FEIRA
14h50
Carnívoras, de Jérémie Renier e Yannick Renier
16h50
Custódia, de Xavier Legrand
18h45
O Orgulho, de Yvan Attal
20h40
A Excêntrica Família de Gaspard, de Antony Cordier

16/06 – SÁBADO
15h00
A Raposa Má, de Benjamim Renner e Patrick Imbert
16h40
O Poder de Diane, de Fabien Gorgeart
18h25
O Retorno do Herói, de Laurent Tirard
20h15
De Carona Para o Amor, de Franck Dubosc

17/06 – DOMINGO
18h00
Nos Vemos no Paraíso, de Albert Dupontel
20h15
Promessa ao amanhecer, de Eric Barbier

18/06 – SEGUNDA-FEIRA
14h00
Gauguin – Viagem ao Taiti, de Edouard Deluc
16h00
Marvin, de Anne Fontaine
18h15
A Aparição, de Xavier Giannoli
20h50
Carnívoras, de Jérémie Renier e Yannick Renier

19/06 – TERÇA-FEIRA
14h40
O Último Suspiro, de Daniel Roby
16h30
Primavera em Casablanca, de Nabil Ayouch
18h50
A Noite Devorou o Mundo, de Dominique Rocher
20h45
50 são os novos 30, de Valérie Lemercier

20/06 – QUARTA-FEIRA
14h20
Custódia, de Xavier Legrand
16h15
A Excêntrica Família de Gaspard, de Antony Cordier
18h20
A Busca do Chef Ducasse, de Giles de Maistre
20h40
Promessa ao amanhecer, de Eric Barbier


Outras informações no site www.variluxcinefrances.com/2018

CAMPEONATO MUNDIAL DA TERRA-DE-CEGO FIFA 2018: A FESTA VAI COMEÇAR (por Marcelo Rayel Correggiari)



Semana retumbante, essa...
... última terça, dia nacional da flor roxa com o encontro interestelar de Donald Trump e Kim Jong-un. Alguns afirmando que é “... o encontro do século...”.
Lamentamos, por intermédio dessa cosmológica Mercearia, que talvez o ‘encontro do século’ seja justamente o encontro da Terra com o meteoro. Nada além disso...
Lapidar (no caso do país parar na campa) ver o chefe do executivo nacional emplacar nos anais nacionais como o pior presidente da história da República (e do Brasil!) Injustiça! Justamente ele que passou boa parte do tempo reclamando ser um ‘vice decorativo’.
Pessoalmente, a coisa melhorou deveras para o mandatário federal: tornou-se, agora, um ‘presidente decorativo’.
72% achando que o trem ‘tá’ ruim é saudável: as estações de TV até tentam imprimir certo clima de ‘Coupe du Monde’ no inconsciente brasileiro, mas não vai virar. Não tem nem clima...!
Copa entre os BRICS é melhor do que em qualquer outro lugar: fica aquele clima “No Coração das Trevas”, uma mistura de selva, gelo e arena romana. “(...) O horror, o horror (...)”.
Queria ver jogo no domingo em Moscou e na quarta em Vladivostok: aí, sim! Copa do Mundo “raiz”!
Diziam os antigos que “... em terra de cego, quem tem um olho é rei”! Nada muito alentador em termos de ‘evolução da espécie’.
Pois nessa quinta, o jogo de abertura entre os donos da casa, a Rússia, contra a intrépida Arábia Saudita, por mais uma fase final do Campeonato Mundial da Terra-de-Cego FIFA 2018.
Técnicos geniais com estratagemas de outro mundo, jogadores suando sangue pelos seus países, cartões amarelos e vermelhos, contusões, botinadas, muito 0X0 e cobranças de pênaltis.
Lionel Messi é o único que tem um olho. Cristiano Ronaldo ali por perto. França avacalhada por um técnico osso duro de roer, Bélgica enfiando 4 no segundo adversário brasileiro, muito arremedo de estrogonofe, vodka na caveira e um verão que é um frio ‘da moléstia’.
Equipes de jornalismo se lascando para atender a plateia brasileira com um fuso horário dos infernos: todo mundo labutando às 3, 4, 5 da manhã, vidão na madruga de Moscou. Nossa ‘night’ é melhor do que a deles.
Se bem que, pelos salários nababescos que recebem, comparados com a ausência deles para 11 milhões de fodidos há 3 anos ininterruptos, número que sobe para 24 milhões (ou bem mais!) se incluirmos os ‘desalentados’, “... ‘tá’ bom demais, ‘né’?!”. ‘Tão’ garotos!
Como tem quem pague, no caso anunciantes dos ramos de bebida, telefonia celular, fabricante de automóveis, além de bancos, bancos e mais bancos, “suave na nave”. “... ‘tá’ pago, ‘çaporra’!”. Se der problema na hora de fechar o caixa, o BNDS dá jeito no negócio.
É justamente essa mecânica que assola o país na sua miséria (não nos esqueçamos que, porventura, há uma ligação bem estreita entre padrões mercantis e capitalistas com pauperização de milhões) que faz com que o “clima de Copa” não tenha decolado até agora em terras tupiniquins.
Graças a Deus! Se é um sinal de que o país anda se movendo para a ‘prateleira de cima’ (como costumam dizer os mineiros) é a perda desse ‘clima de Copa’. Deve rolar um ‘churras’ aqui e acolá na casa de um(a) conhecido(a), como de costume, mas nada além disso.
É bom se ligar... até o dinheiro da carne do pobre ‘churras’ em dia de jogo serve para alimentar os melhores esquemas de corrupção na face da Terra.
“... ‘tá’ tudo dominado!”.
E ainda vem a TV Cultura (São Paulo) mostrar, no seu principal jornal do dia, o exemplo do sistema educacional... DA FINLÂNDIA!!! Aí, o(a) telespectador(a) manda se foder e é tido como raivoso(a), mal-educado(a), intransigente e irascível.
Ora, pelo amor de Deus! Um país que tem 5,5 milhões de habitantes... fica fácil. Pequeno em território e população, qualquer ideia de jerico cola! Sem contar que o governo local é o mais socialista possível: ajuda em tudo tendo como troca tributações que podem alcançar 51% dos ganhos de seus cidadãos.
Num lugar onde a corrida presidencial se dá sobre necessária reforma tributária em que os mais ricos pagam mais impostos, ou se reduzir e eliminar certos tributos, o exemplo da Finlândia, como modelo educacional, deveria ser substituído pelo caso de Sobral, esse, sim, que tem mais a ver com os 27 países disfarçados de um país somente.
De longe, o esporte futebol é o mais mal jogado ao redor do planeta. Clássico local tipo Real Madrid X Barcelona serve para ofuscar os grandes clássicos locais em lugares como Lituânia, Uzbequistão e Jamaica. Quando a fase final do campeonato mundial chega aos níveis de um Islândia X Nigéria é que nos tocamos o quanto um jogo de futebol perde em execução para outras modalidades como o vôlei, o basquete e o rugbi.
Até hóquei de campo e cricket tornam-se mais interessantes...
De qualquer maneira, a festa do Campeonato Mundial da Terra-de-Cego FIFA 2018 só está começando. Na esperança de, pelo menos, muitos gols em cada partida.
E “... vem ‘ni nóis’, meteoro!”.



Marcelo Rayel Correggiari
nasceu em Santos há 48 anos
e vive na mítica Vila Belmiro.
Formado em Letras,
leciona Inglês para sobreviver,
mas vive mesmo é de escrever e traduzir.
É avesso a hermetismos
e herméticos em geral,
e escreve semanalmente em
LEVA UM CASAQUINHO

LEONARDO TONUS, POESIA SOCIAL (por Flávio Viegas Amoreira)



Um poeta de necessário lirismo social: entra para a literatura com um duelo honrando Stendhal. Sem o fim da História e com premências demasiado humanas ainda mais intensas, a poesia farol do destino coletivo e das vicissitudes do sonho segue antena dos povos como pontificava Pound. Entrecortado de alto relevos de poderosas metáfora, Leonardo Tonus estréia em seu próprio terreno com uma preciosa reunião de poemas: “Agora vai ser assim” com delicada apresentação da Editora Nós de São Paulo. Tonus é um militante visceral das letras, grande voz a levar a literatura brasileira em França e embaixador do melhor que se faz nas escrituras lusoparlantes no Velho Continente. Formalíssima apresentação para quem fala e faz literaturas de vanguarda, - sim no plural da caleidoscópica produção brasileira em poesia, prosa e “proesia”,  a nova concepção de gêneros indeterminados ´deleuzianamente´ amalgamados.  Denunciar sem cair no panfletário, expor sem didatismo, amplificar o sentido de ágora cosmopolita nunca em detrimento da poeticidade. Leonardo trafega célere e sereno entre experimentação e a referida denúncia social: não o ´vanguardoso´ experimentalismo, a experimentação calculada  com literalidade sem peias, um verso audaz, escorreito e não menos densamente comunicacional. Em meu ofício gozozo de rastreamento do que surge em poesia brasileira me deparo com mais esse esforço de inventividade pelo conteúdo sem descuido da mesma criação sutilmente torneada na forma. Quem diria na alvorada dum século high-tech fosse necessário a ingente luta contra novos fascismos?! Quem poderia supor a desigualdade social se agudizasse planetariamente? Na nobre esteira de Romain Rolland e Éluard nosso autor  expõem o câncer da indiferença feito anátema pós-moderno. Tonus evocatório na medida certa do intertextual cita no contexto de sua amplitude Clarice Lispector, Samuel Rawet de quem é especialista e a quem o Brasil deve um resgate, Saint-John Perse que ecoa poeta atlântico que também é e sem nomear percebo forte influência enriquecedora dos russos Iessênin, Maiakovski e Anna Akhmátova. Da imensa poeta uso como epígrafe de dois ensaios críticos que elaborei sobre “Agora vai ser assim” que será lançado dia 21 na Livraria da Vila em Sampa:

“Hoje, tenho muito o que fazer
Devo matar a memória até o fim.
Minha alma vai ter de virar pedra.
Terei de reaprender a viver.”

Leonardo Tonus tem como carro-chefe ou ´leitmotiv´ um verso perfeitamente alinhavado: “Despedida de pedra” que uso como âncora para sondar essa atmosfera lírica que vos revelo:

"Hoje queimarei todos os meus livros
e meus dicionários.
Pelos becos da cidade
meus ensaios
dilacerados
espalharei.
Enterrarei meus poemas.
Meus pulsos cortarei.
Com minhas unhas
e o bico de meu tinteiro
perfurarei teus olhos,
catálogos
registros
e romances.

Hoje,
a palavra
reduzida
a pó
sufocará
a indiferença
os ditadores,
as balas
a fome.”

Nessa semana em que um navio errante a deriva percorre dilacerado o Mediterrâneo com simbólico nome “Aquarius” levando 600 almas exangues, Leonardo Tonus faz-se bardo providencial e visionário. “Marujo ensinou-me a língua das formigas” em outro poema, Tonus tem lastro de um beat transmoderno com a seriedade de Pasternak e a concisão rutilante de nosso Manoel de Barros. Leia-mos!







Poeta, contista e crítico literário,
Flávio Viegas Amoreira é das mais inventivas
vozes da Nova Literatura Brasileira
surgidas na virada do século: a ‘’Geração 00’’.
Utiliza forte experimentação formal
e inovação de conteúdos, alternando
gêneros diversos em sintaxe fragmentada.
Vem sendo estudado como uma das vozes
da pós-modernidade literária brasileira
em universidades americanas e européias.
Participante de movimentos culturais
e de fomento à leitura, é autor de livros como
Maralto (2002), A Biblioteca Submergida (2003),

Contogramas (2004) e Escorbuto, Cantos da Costa (2005).

DEIXEM O PAÍS EM PAZ... (por Alvaro Carvalho Jr)



Dizem que conselho, se fosse bom, não seria gratuito. Mas, desculpem caros leitores, não resisto e encaminho um conselho aos velhos políticos, particularmente FHC e Lula: deixem o País em paz! Vocês tiveram seus momentos, sentaram na cadeira de presidente, outros nas cadeiras deputados, senadores e, num balanço final, o que restou? Apenas revolta, um País dividido, uma enorme conta para pagar (coisa que não sabem de nada...) e uma população desanimada, descrente e prestes a um colapso de nervos. Vocês nos cansaram...

Posso garantir a todos os velhos políticos que a aposentadoria não mete medo em ninguém. Eu, pobre jornalista, aposentado pelo sistema do INSS, afirmo que sinto saudades de uma redação de jornal, mas sinto-me muito mais à vontade, muito mais leve e solto usando meu moleton e um delicioso e aconchegante crocs. Imaginem vocês, brasileiros especiais (não sei bem porque, mas...) com suas polpudas aposentadorias, sim aquelas que a gente finacia com impostos, usufruindo de todas as regalias que foram acumulando ao longo de anos de mordomia! Imagine, plano de saúde sem limites, dinheiro garantido no final do mês, sem o risco de depender de uma reforma pevidenciária para receber. Saibam, serão dias maravilhosos!!!!

Acredito que, como eu, vocês tenham netos. Uma sequência natural da vida. Aproveitá-los neste momento em que ainda não chegaram à adolescência e que ainda temos saúde e rédeas para controlá-los (isso se chama educaçaão, não sei se conhecem a palavra...), criam dias incríveis, recheados de um convívio delicioso, como se nossos filhos tivessem vivido  a experiência de Benjamin de Button e alí estão, na nossa frente, não mais adultos, mas crianças peraltas, saudáveis e que pedem de tudo um pouco, de sorvete a figurinhas da Copa. Saibam, é algo quase impossível de descrever. Para nós, brasileiros do pé no chão, os netos devem escolher: ou sorvete ou figurinhas. Os dois nunca, fogem do orçamento permitido pelo salário do INSS. Agora, vocês, com a burra cheia, podem tudo: sorvetes, figurinhas, brinquedos, uma matinê, um tênis novo e tudo mais. Tentem a experiência, é muito boa. Se para nós, duros, é ótimo, imaginem para vocês...

Além disso, longe das manchetes e dos mais importantes acontecimentos nacionais, a honra de suas mães seria, finalmente, respeitada. Nada mais de ofensas nas redes sociais e, pasmem!, poderão degustar uma deliciosa pizza na mais cara pizzaria da cidade sem serem defestrados por mau educados que não sabem se controlar. Sentariam em mesas bem decoradas, cheirosas, atendidos por garçons que os tratariam por Doutor, mas não aquele Doutor desrrespeitoso que vocês nem percebiam, enquanto ainda estavam na ativa! Sim, ou vocês pensam que o garçon que os atendia não enfrentava problemas com as contas no final do mês, com a mensalidade do filho na escola, com a conta de água, luz, do supermercado, aluguel?

Esses personagens, os garçons, fazem parte deste Brasil de pés no chão, aquele que vocês sempre olham de cima para baixo. Inclusive, peço desculpas pelo vocabulário, pela utilização de um vernáculo quase desconhecido nesse Brasil do andar de cima, onde vocês vivem. Sei que deveria evitar paralvras como salário, educação, instrução, água, luz, aluguel, impostos, decência, honestidade, justiça, meritocracia, trabalhador, população, povo (estas duas parecem, mas não são a mesma coisa...), respeito, e uma outra palavra especial: Constituição!

Pode não acreditar, mas Constituição parece ser uma palavra importante e saiba: ela é! Define o documento mais importante do país, uma espécie de manual que rege toda nossa vida, que nos ajuda a definir o que é certo e errado. Infelizmente, nossa Constituição reformada em 1988, que o então deputado Ulisses Gumarães definiu de “redentora”, tem um erro básico que vocês sabem muito bem e usaram com maestria: ela define todas as responsabilidades do Estado para com o cidadão, mas não define os deveres do cidadão para com o Estado! Nesse caso, a aposentadoria não resolverá nada; essa é a única situação em que vocês estarão em igualdade de condições com o Brasil de baixo, aquele dos cidadãos com pés no chão. Mas não se preocupem, vocês ainda terão amigos influentes e, em alguns casos, manterão suas regalias.Nada que venha a estragar suas vidas...

Não sei se os conselhos ajudam . Entretanto, vamos analisar alguns pontos que estão acontecendo e que são inaceitáveis em qualquer País sério. Um sujeito preso, condenado em todas as instâncias, que não ganhou um só voto a seu favor, não pode e nem deve continuar essa ladainha da inocência. São volumes e mais volumes de provas, declarações, depoimentos, documentos, enfim uma renca de papéis mostrando todas as tramóias feitas ao longo de mais de 8 anos de poder. Os Ministros do Supremo, inclusive, foram, em sua maioria escolhidos por ele e, nem assim, conseguiu vencer. Portanto, a culpa fica mais clara e sua impossibilidade de concorrer ao próximo pleito uma verdade definitiva.

O sr. Silva, encarcerado na Papuda, insiste que é preso político e que, mesmo assim, vai sair candidato. Diz que seu encontro com o povo acontecerá de qualquer maneira, mas, como um preso pode ficar dando declaraçõe desse tipo numa clara necessidade de contubar o país, de pensar apenas no seu ego, no seu plano de poder? Nem pela nossa Constituição, “a generosa”, definição minha, ele encontra meios para sustentar essa louca tese de candidatura mesmo preso. Infelizmente, outros tão insanos começam a se movimentar. Um preso numa cidade de Minas, lança seu nome para a vereança e, caso nossa Justiça Eleitoral não tome uma posição dura e definitiva, não será surpresa se Fernandinho Beira-Mar não sair para senador por algum Estado.

Assim, sr. Silva, o melhor seria deixar o País em paz. Cumpra sua dívida para com a sociedade – a Constituição “bondosa” permite que cumpra apenas 1/6 da pena com bom comportamento. Divida os 12 anos por 6 e terá o tempo exato. Só para esclarecer...- e vá curtir a vida com os netos. O estado paga, ou seja o povo, a população. Vamos lembrar que seus asseclas lhe permitem a mantenção de todos os privilégios de um ex-presidente, mesmo condenado. Portanto poderá passear com seus netos em qualquer lugar, sempre vigados por seguranças ou em carros blindados ou até passagens aéras para Disney e assemelhados.

Com FHC acontece a mesma coisa. Sentado em seus confortáveis divãs de um belo apartamento em Higienópolis, ou Jardins, não tenho certeza, o ex-presidente adora dar pitacos na política brasileira, como se fosse Zeus sentado em seu trono; inacessível, impávido colosso, impoluto, dono da verdade definitiva. Na verdade, FHC fala tanto e tantas sandices, que o melhor seria ficar calado: daria um excelente poeta. O sr. Fernando Henrique já saiu do poder faz mais de 10 anos, já atingiu uma idade que o melhor seira decorar uma série de histórias para contar aos netos ou, melhor ainda, contar suas aventuras políticas, bem mais educativas do que as do sr. Silva. FHC, pelo menos, saiu ileso e ainda está solto, apesar de que o cerco começa a apertar.

Para os demais políticos, o mesmo conselho. Deixem o País em paz! Todos estão cheios de dinheiro, comungam políticas do século passado e não conseguem mais esconder o pouco caso para com a população. Não sabem mais o que significa trabalhar pelo País; conhecem apenas a usurpação do País. Nem vale a pena citar exemplos claro que os jornais estampam todos os dias. Basta o exemplo emblemático da Pedtrobras que de 8ª empresa do mundo passou a ser a mais endividada do mundo. E aqueles que se aventuram a presidente, prestem atenção: tenham um pouco de simancol e recolham suas candidaturas. Não é possível a gente ser obrigado a suportar um Bolsonaro, o típico  misógino de direita. Muito menos um Ciro Gomes, o misógino ou micuim que dá no cocô do cavalo do bandido que morre no trailler, pela esquerda.

Vivemos outros tempos. Calheiros, Jaders, Lobões, Collor, Sarneys, Alkmins, Marinas e tantos outros, não conseguiram mudar o discurso e seguem com as mesmas manias, as mesmas promessas e a mesma voracidade. Esquecem que já desempenharam cargos públicos e que nada mudou neste nosso Brasil. Nós, brasileiros dos pés no chão, queremos alguém que tenha condições de liderar o país sem divisões e que nos apresente um plano moderno e eficiente de governo. Cartilhas, sejam de direita o esquerda, não interessam. Queremos grandes teses e grandes desafios. Ou ficaremos nessa mesmice até o fim dos tempos, perpetuando o velho chavão: “Brasil, o eterno País do futuro”. Acredito que isso já cansou a beleza de todo mundo...deixem o país em paz! Inté...

Álvaro Carvalho Jr. é jornalista aposentado
e trabalhou para vários jornais e revistas
ao longo de 40 anos de carreira.
Colabora com LEVA UM CASAQUINHO
quando esquece que está aposentado.

AS FOCAS AMESTRADAS DE NABOKOV (por Ademir Demarchi)



O enredo de "Gargalhada na Escuridão", romance de Nabokov, é descrito por ele mesmo, já de cara nos dois primeiros parágrafos, com uma banalidade atroz:

“Era uma vez um homem chamado Albinus, que vivia em Berlim, Alemanha. Era rico, respeitável, feliz. Um dia abandonou a esposa por uma amante jovem. Amava-a; não era amado – e sua vida terminou em desastre."

Eis aí toda a história, e bem poderíamos abandoná-la neste ponto, se não houvesse vantagem e prazer em contá-la. Embora haja espaço mais do que suficiente numa pedra tumular para conter, encadernada em musgo, a versão resumida da vida de um homem, os pormenores são sempre bem recebidos”.

Nabokov, narrador sagaz, começa então a alinhavar o enredo, se detendo com ironia num meio intelectual de artistas, escritores e músicos medíocres, oportunizado pela pretensão da amante de Albinus virar atriz de cinema. Ingênua, ignorante, ambiciosa até mesmo em querer para si a casa da esposa de Albinus, ela atinge seu auge ao conseguir que ele compre para ela como produtor um papel de coadjuvante em um filme. Ao assistí-lo na sala de testes, ela se vê como uma figura borrada e detestável, à sombra de uma outra atriz de nome ironizado pelo autor como Dorianna Karenina. A partir disso, entrega-se à devassidão com outro amante que a acompanha com Albinus em uma viagem entediante pelos Alpes, ocupando quartos contíguos numa hospedaria, que serve para seus encontros nas barbas do ricaço. O fim é patético e sarcástico. Lido hoje, o romance parece um tanto longo e se arrastar em alguns pontos, porém o senso de observação irônica de Nabokov vai se insurgindo e reside aí o maior interesse para um leitor, hoje. Eis alguns trechos peculiares desse Nabokov:

PERSONAGENS DE UM JANTAR

1. “Chegou Baum, o escritor, indivíduo corpulento, de rosto vermelho, ruidoso, com acentuadas tendências comunistas e uma renda apreciável, acompanhado da esposa, mulher já de certa idade, mas de figura ainda esplêndida, que, em sua agitada juventude, nadara num tanque de vidro entre focas amestradas”.

2. “A conversa já estava bastante animada. Olga Waldheim, cantora de braços alvos e busto volumoso, cabelos ondulados, cor de geleia de laranja, e uma gema de melodia em cada inflexão de sua voz, contava, como habitualmente fazia, histórias engraçadas a respeito de seus seis gatos persas.”

3. “Albinus, de pé no meio da sala, a rir, olhou, através do tufo de cabelos brancos de Lampert (excelente especialista em doenças da garganta e violinista medíocre), para Margot, e pensou que o seu vestido de tule negro, com aquela dália de veludo sobre o peito, lhe assentava maravilhosamente bem.”

4. “Havia um sorriso levemente defensivo nos lábios de Margot, como se ela não soubesse se estavam ou não a zombar dela, e seus olhos tinham aquela expressão muito especial de gamo novo, que significava, ele bem o sabia, que ela estava a ouvir coisas que não compreendia – naquele caso, as ideias de Lampert acerca da música de Hindemith.”

NABOKOVIANAS

“Certa vez um homem – dizia Rex, enquanto dobrava a esquina em companhia de Margot – perdeu uma abotoadura de brilhante num mar amplo e azul e, vinte anos mais tarde, no dia extato, uma sexta-feira, parece, estava comendo um grande peixe... mas não havia, dentro, brilhante algum. Eis aí o que me agrada nas coincidências.”

“–Mas por que razão, diga-me – indagou, maliciosamente, Albinus (a Rex, amante de Margot) as mulheres o aborrecem tanto?” (...) “Não! (...) A mulher, para mim, é apenas um mamífero inofensivo, ou uma companheira agradável... às vezes.”

“Vou contar-lhe um segredo: uma verdadeira atriz jamais se sente satisfeita.” “Nem tampouco o público, às vezes – replicou, calmamente, Rex.” “A propósito, minha cara: como foi que encontrou o seu nome de atriz? Ele me intriga um tanto.” “Oh, essa é uma longa história – respondeu ela, com ar pensativo. – Se algum dia o senhor for tomar chá comigo, eu talvez lhe diga algo mais a respeito dele. O rapaz que me sugeriu esse nome se suicidou.” “Ah... isso é de estranhar. Mas o que eu queria saber... Diga-me uma coisa: já leu Tolstoi?” “Doll’s Toy? – repetiu Dorianna Karenina - Não. Receio que não. Por que?”

“Por fim, no quinto hotel, foram convidados a subir pelo elevador e ver se serviam os únicos quartos disponíveis. O ascensorista, um rapazinho de tez cor de azeitona, que os conduziu, ficou com o seu belo perfil voltado para eles.”

Gargalhada na escuridão, de Vladimir Nabokov [trad. Brenno Silveira, São Paulo: Boa Leitura, s.d.]






Ademir Demarchi é santista de Maringá, no Paraná,
onde nasceu em 7 de Abril de 1960.
Além de poeta, cronista e tradutor,
é editor da prestigiada revista BABEL.
Possui diversos livros publicados.
Seus poemas estão reunidos em "Pirão de Sereia"
e suas crônicas em "Siri Na Lata",
ambos publicados pela Realejo Livros e Edições.
(basta clicar nos nomes para ser enviado
ao website da editora)