Friday, June 23, 2017

A HAVAIANA MAIS AUSTRALIANA DO PLANETA TERRA COMPLETA 50 ANINHOS ESTA SEMANA.

por Chico Marques


Pouca gente sabe, mas a belíssima atriz australiana Nicole Kidman nasceu, na verdade, em Honolulu, Hawaii.

Filha de um renomado psiquiatra e pesquisador em bioquímica e de uma enfermeira, ela foi morar em Sydney com três anos de idade.

Como era linda desde pequenininha, virou uma modelo infantil de sucesso.

Quando cresceu, ficou ainda mais linda, e tratou de estudar artes dramáticas para tentar alguma coisa na TV australiana, que a recebeu de braços abertos.

Da TV para o cinema foi um pulinho, e com a projeção que o Cinema Australiano ganhou a partir de meados dos Anos 80, nossa linda ruivinha não demorou muito até que seu rosto começasse a despontar em filmes muito interessantes como "Flirting" (onde contracena com a também muito jovem Naomi Watts) e "Dead Calm" (ao lado de Billy Zane e Sam Neill), ambos sucessos internacionais.

Seu primeiro trabalho hollywoodiano foi "Dias de Trovão", um ótimo drama de corridas dirigido por Tony Scott e escrito pelo especialista Robert Towne, onde ela não só rendeu uma ótima performance como também começou a namorar seu futuro maridão Tom Cruise, com quem foi casada por 10 anos.



Enquanto esteve casada com Cruise, Nicole Kidman procurou seguir um caminho próprio, o mais desatrelada possível da carreira do marido.

Graças a suas escolhas, Nicole conseguiu desenvolver uma carreira bem mais consistente em termos artísticos que a do marido. Fez thrillers inisitados como "Malícia" e "Um Sonho Sem Limites", musicais como "Moulin Rouge", dramas históricos como "Billy Bathgate" e "Retrato de uma Mulher" e ainda blockbusters como "O Pacificador" e "Batman Eternamente".

Claro que, vez ou outra, Cruise e ela acabaram contracenando em projetos como "Um Sonho Distante" de Ron Howard e "De Olhos Bem Fechados" de Stanley Kubrick, mas foram apenas esses.


Nicole Kidman viveu sua melhor fase como atriz da virada do século para cá, depois do fim de seu casamento com Tom Cruise, esbanjando versatilidade, vontade de trabalhar e uma atitude sempre inquieta, desafiando os padrões e as expectativas de Hollywood, dos críticos e do seu público com suas inesperadas escolhas.

Conseguiu alternar filmes que a tornaram uma atriz extremamente popular -- como "A Intérprete", "Austrália", "A Bússola de Ouro" e "Mulheres Perfeitas" -- com outros bem independentes -- "Margot e o Casamento" de Noah Baumbach, "Pele" e "Reencarnação", ambos de Jonathan Glazer -- e alguns até experimentais -- caso de "Dogville", de Lars Von Trier.

Mas foi em dramas como "As Horas", onde ela interpreta Virginia Woolf na derradeira crise de depressão de sua vida, e "Uma Longa Viagem", onde ela contracena com Colin Firth, além de trabalhos mais recentes como "Olhos da Justiça" de Billy Ray (refilmagem do premiado filme argentino "O Secredo de Seus Olhos") e "Hemingway e Gellhorn" de Philip Kaufman que Nicole finalmente ganhou status de grande atriz.


Ano passado, às vésperas de completar 50 anos, Nicole tratou de se antecipar a um novo momento de sua carreira, onde os papéis como protagonista em filmes para cinema começam a escassear, e decidiu apostar pesado na TV, onde foi recebida como uma grande estrela.

Participou de Big Little Lies, série da HBO dirigida pelo brilhante Jean-Marc Vallée, ao lado de Reese Whiterspoon, Laura Dern e Shailene Woodley.

E está escalada para a segunda temporada de Top of the Lake, série de Jane Campion para a BBC-TV, com Elisabeth Moss e Gwendoline Christie.

Mas continua incansavelmente envolvida com cinema, em filmes que prometem surpreender, como os ainda inéditos "How to Talk to Girls at Parties" de John Cameron Mitchell e "The Beguiled" de Sofia Coppola.

Daí, comemoramos a aniversário de 50 anos de Nicole Kidman promovendo um rápido tour em sua carreira através de 8 grandes filmes dos quais ela participou, e que estão disponíveis nas estantes da Paradiso Videolocadora. 







Cold Mountain (2003)
Dir.: Anthony Minghella

Romance ambientado na Guerra Civil americana escrito por Charles Frazier, Cold Mountain foi convertido para os cinemas pelas mãos de Anthony Minghella, realizador que em 1997 conquistara 9 Oscars com O Paciente Inglês (incluindo o prêmio de melhor filme e diretor). Logo que fora anunciado, o filme gerou muitas expectativas não só pelo precedente de Minghella com materiais desse tipo, mas também porque, para muitos, Cold Mountain estava destinado a ser o E o Vento Levou das novas gerações. Não foi o caso, mas o filme de Minghella é um título bem eficiente aos propósitos de contar uma espécie de Odisseia de Ulisses com o retorno do soldado desertor Inman, Jude Law indicado ao Oscar, ao povoado de Cold Mountain para reencontrar a sua amada Ada, personagem de Kidman, que tenta colocar a sua propriedade rural de pé ao lado da amiga Ruby, papel de Renée Zellweger. O trio central estava em alta na ocasião (Kidman e Zellweger acabavam de sair de duas disputas consecutivas pela estatueta do Oscar), mas o filme também reserva ótimos momentos para atores conhecidos em participações especiais, como Natalie Portman, Philip Seymour Hoffman, Charlie Hunnam e o músico Jack White. Rendeu a Renée Zellweger diversos prêmios como atriz coadjuvante, incluindo o da Academia de Hollywood.

Um Sonho sem Limites (1995)
Dir.: Gus Van Sant

Sensação em Cannes quando foi exibido em 1995, a comédia de humor negro Um Sonho sem Limites fez o público respeitar Nicole como atriz, descolando-a da imagem que até então era mais difundida da australiana, a de sra. Cruise. No longa de Gus Van Sant (Gênio Indomável, Milk), Kidman interpreta uma garota do tempo casada com um homem simples (Matt Dillon) que faz de um tudo em sua escalada ambiciosa por fama e dinheiro no showbusiness. Suzanne Stone é tão obcecada por sua carreira na televisão que contrata três adolescentes, vividos por Joaquin Phoenix, Casey Affleck e Alison Folland, em início de carreira, para orquestrarem um plano macabro ao seu lado. A interpretação de Kidman nesse filme rendeu a atriz diversos prêmios, incluindo o seu primeiro Globo de Ouro (melhor atriz em comédia ou musical) e um Critic’s Choice Award. Merecia ter sido indicada ao Oscar. Suzanne Stone é a bitch preferida de 9 em cada 10 fãs da Nicole e mostra para o público um lado sombrio da atriz.
A Pele (2006)
Dir.: Steven Shainberg

Baseado na biografia da fotógrafa nova-iorquina Diane Arbus escrita por Patricia Bosworth, A Pele é um dos títulos pouco conhecidos na carreira da atriz. Conduzido por Steven Shainberg, que em 2002 havia dirigido o inusitado Secretária com Maggie Gyllenhaal, o longa reimagina a trajetória de Arbus dentro do próprio universo que a fotógrafa buscava retratar em seu trabalho, àquele de pessoas marginalizadas por suas deficiências físicas. Com inspirações em contos “infantis” como A Bela e a Fera e Alice no País das Maravilhas, Shainberg opta por uma abordagem não convencional em biografias, a não literalidade, a leve ausência de realismo e a reimaginação de eventos reais em tom onírico, ao transformar a reprimida Diane em uma das maiores fotógrafas americanas de todos os tempos. O longa prima pelo apuro estético e investe na parceria entre Kidman e Robert Downey Jr., quando ainda se interessava por fazer outra coisa além de dar vida a Tony Stark na franquia da Marvel Vingadores.
Reencarnação (2004)
Dir.: Jonathan Glazer

Provavelmente um dos títulos mais injustiçados na carreira da atriz, Reencarnação só passou a ser visto com outros olhos pela crítica nos últimos anos em movimentos de revisão da obra empreendidos por algumas vozes importantes na área. O longa traz Nicole como Anna, uma mulher que ainda se recupera da trágica morte do seu companheiro Sean. Quando ela começa a refazer a sua vida e anuncia que se casará novamente, surge um garoto de dez anos que diz ser a reencarnação do falecido Sean. Segundo longa-metragem da pequena, mas interessante, carreira de Jonathan Glazer (Sexy Beast e Sob a Pele), Reencarnação gerou polêmica na sua época pela famosa cena em que a atriz aparece nua em uma banheira com o garoto Cameron Bright e não agradou parte da crítica presente no Festival de Veneza quando ele fora exibido por lá. Contudo, o longa é muito mais do que esta cena. Reencarnação acaba revelando-se como um interessante ensaio do diretor sobre o processo do luto e da crença e traz uma das mais intensas interpretações da carreira de Nicole. Em uma das cenas mais memoráveis do filme, Kidman apresenta um misto de reações da sua personagem em um plano fechado durante a apresentação de uma ópera. É primoroso.
De Olhos Bem Fechados (1999)
Dir.: Stanley Kubrick

Último filme da carreira do cultuado Stanley Kubrick (O Iluminado, Laranja Mecânica), De Olhos bem Fechados foi um verdadeiro divisor de águas na carreira da atriz. Segundo relatos da mesma, a partir do seu contato diário com o perfeccionista cineasta, Kidman entendeu que estava na hora de priorizar a sua carreira, algo que a australiana colocara em segundo plano nos seus primeiros anos de casada. A partir dali, a atriz viveu a sua fase de ouro, que compreendeu os anos de 2001 a 2003, mas também um dos momentos mais tumultuados da sua vida pessoal, o rompimento com o marido na ocasião, o ator Tom Cruise, que, por sinal, é o protagonista deste longa. De Olhos bem Fechados trazia Cruise e Kidman como o casal Harford, cujo matrimônio é sacudido com a revelação de que Alice (Kidman) se sentia atraída por outros homens. A partir daí, William (Cruise) faz uma descida a seus mais profundos e obscuros desejos em uma jornada que envolve um encontro com um antigo amigo, breves momentos com uma garota de programa e uma passagem por uma soturna sociedade secreta. Redescoberto aos poucos através de processos de revisão após a sua tumultuada estreia em 1999, De Olhos bem Fechados é mais um exemplar do que Kubrick soube fazer de melhor na sua carreira: encher os seus filmes de um refinado uso da linguagem audiovisual e se aventurar pelos recônditos da psiquê humana.
Dogville (2003)
Dir.: Lars von Trier

Em 2002, a atriz embarcou para a Suíça e Dinamarca a fim de começar as filmagens de Dogville, longa do cineasta Lars von Trier (Melancolia, Ninfomaníaca), dando início a trilogia “Terra de Oportunidades”, na qual o diretor abordaria temas relativos a sociedade americana. Exibido em Cannes em 2003, o filme é marcado por opções ousadas do realizador. Com cerca de três horas de duração, o longa é conhecido pela ausência de cenários, substituídos por marcações a giz feitas em um galpão que reproduz o vilarejo de Dogville no Colorado. Na história, as pessoas do local abrigam a jovem fugitiva Grace (Kidman). Aos poucos, a bondade da moça começa a ser explorada pelos habitantes de Dogville, que de generosos e acolhedores passam a ser capazes de cometer as maiores atrocidades com Grace. Fruto de um processo criativo psicologicamente exaustivo, já que Trier é conhecido por ser bastante exigente com as suas protagonistas, este talvez seja uma das mais interessantes interpretações da carreira de Kidman em um filme que não apenas questiona a política de “boa vizinhança” dos EUA, mas também a própria natureza do homem, testando os limites da generosidade e bondade da humanidade através do seu olhar para a comunidade de Dogville e para a sua protagonista. O filme rendeu apenas uma continuação chamada Manderlay, na qual Bryce Dallas Howard interpretou Grace. Washington, que seria o terceiro filme da trilogia, nunca chegou a ser feito por Trier.
Os Outros (2001)
Dir.: Alejandro Amenábar

Em recente entrevista, James Wan, diretor da série Invocação do Mal, considerado por muitos como um dos mestres do terror contemporâneo, afirmou que Os Outros é um filme exemplar no seu gênero pela maneira como trata o tema do sobrenatural. A escolha de Wan é coerente, afinal o chileno Alejandro Amenábar (Preso na Escuridão, Mar Adentro) soube utilizar muito bem todos os recursos pelos quais, hoje, o malasiano é conhecido. Ao contar a história de uma mulher e seus dois filhos presos em uma mansão na ilha de Jersey durante a Segunda Guerra Mundial, aguardando o fim do conflito, Amenábar trabalha muito bem na composição de uma atmosfera de tensão com poquíssimos recursos digitais. O realizador opta por priorizar o uso de jogos de luzes e efeitos de câmera. Além disso, o diretor, com a ajuda de um roteiro escrito pelo mesmo, consegue sustentar o seu filme nos consistentes conflitos emocionais dos seus personagens principais. Pelo filme, Kidman foi indicada ao Globo de Ouro e ao Bafta de melhor atriz.
As Horas (2002)
Dir.: Stephen Daldry

Reunir Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep no elenco principal de um filme e ainda trazer coadjuvantes do calibre de Ed Harris, Toni Collette, Claire Danes, Allison Janney, Miranda Richardson, John C. Reilly, Jeff Daniels e Margo Martindale é fazer de um filme um verdadeiro evento cinematográfico. O inglês Stephen Daldry (de Billy Elliot e O Leitor) adaptou o romance As Horas, de Michael Cunningham, para os cinemas e o resultado foi um filme marcante para toda uma geração de cinéfilos e amantes da literatura. No longa, o espectador acompanha um dia na vida de três mulheres em três épocas distintas das suas vidas, todas vinculadas a uma única obra literária: em 1923, a escritora inglesa Virginia Woolf (Kidman) lida com sua depressão enquanto desenvolve o célebre romance Sra. Dalloway; em 1949, enquanto lê o livro de Woolf, a dona de casa Laura Brown (Moore) tem que tomar uma importante decisão nos preparativos do aniversário do marido; e, em 2001, a editora Clarissa Vaughn (Streep) prepara uma festa para a premiação do seu melhor amigo. Entre outras questões, o filme é sobre as decisões que tomamos em nossas vidas e como nossas escolhas, muitas vezes, implicam na infelicidade dos que estão ao nosso redor, mas existem muitas leituras, todas pertinentes, e seria necessário uma postagem à parte para dar conta de todas elas. O longa foi indicado a 9 Oscars, mas só levou para casa o prêmio de melhor atriz para Nicole. No Festival de Berlim, Kidman, Streep e Moore receberam juntas o prêmio de melhor atriz. Quase fizeram parte da lista: Margot e o Casamento (2007), de Noah Baumbach; Segredos de Sangue (2013), de Park Chan Wook; Retratos de uma Mulher (1996), de Jane Campion; Reencontrando a Felicidade (2010), de John Cameron Mitchell.





Thursday, June 22, 2017

FINALMENTE, UMA MOSTRA EXTENSA COM A OBRA MAGNÍFICA DO BERTOLUCCI FRANCÊS

MOSTRA CAIXA “BERTRAND BLIER E A COMÉDIA COMO PROVOCAÇÃO”

13/06 A 28/06


Caixa Cultural apresenta “Bertrand Blier e a Comédia como Provocação”, uma homenagem ao diretor Bertrand Blier que será realizada no Cine Caixa Belas Artes em São Paulo, entre os dias 15 e 28 de junho, através de uma retrospectiva com cópias em 35mm e digital, de um dos mais polêmicos e autorais realizadores da França. A mostra é uma grande oportunidade de resgatar um dos grandes nomes da comédia mundial que levou essa arte a um patamar artístico pouquíssimas vezes alcançado e que no Brasil ainda merece ser apreciado de maneira completa.

Bertrand Blier foi grandemente influenciado pelo cinema de Luis Buñuel, recorrendo ao simbolismo e ao surrealismo para dizer o que pensa. O sucesso de seus filmes entre os críticos evidência sua originalidade cinematográfica e seu apelo de público é fruto da capacidade de capturar o espírito de seu tempo, tudo isso um testamento do gênio especial de Blier. Ele não foi apenas um ótimo realizador, Blier foi sempre um autor muito à frente de seu tempo e um dos artistas mais provocadores do cinema francês.



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15.06 (quinta-feira)
  • 16h00 – Preparem seus Lenços (Préparez vos Mouchoirs)/ DVD, 108 min, 1978, 18 anos
  • 18h30 – Calmos / DVD , 81 min 1976
16.06 (sexta-feira)
  • 16h00 – Meu Marido de Batom (Tenue de Soirée)/ DVD, 84 min, 1986, 14 anos
  • 18h30 – Linda Demais para Você (Trop Belle Pour Toi) / 35mm, 91 min, 1989, 14 anos
17.06 (sábado)
  • 16h00 – Por Amor ou por Dinheiro?/DVD , 95 min, 2005, 16 anos
  • 18h30 – Os Atores (Les Acteurs) / 35mm, 103 min, 2000, 12 anos
  • 23h30 – Corações Loucos (Le Valseues) / Bluray, 150 min, 1974, 18 anos
18.06 (domingo)
  • 16h00 – Um, Dois , Três, Sol (Un, Deux, Trois, Soleil) / 35mm, 104 min, 1993, 16 anos
  • 18h30 – Linda Demais para Você (Trop Belle Pour Toi) / 35mm, 91 min, 1989, 14 anos
19.06 (segunda-feira)
  • 16h00 – Meu Homem (Mon Homme) / DVD, 99 min, 1996, 16 anos
  • 18h30 – A Filha da minha Mulher (Beau-père) / DVD, 123 min 1981, 16 anos
20.06 (terça-feira)
  • 16h00 – A Filha da minha Mulher (Beau-père) / DVD, 123 min 1981, 16 anos
  • 18h30 – Quartos Separados (Notre Histoire) /DVD , 110 min 1984, 14 anos
21.06 (quarta-feira)
  • 16h00 – Os Atores (Les Acteurs) / 35mm, 103 min, 2000, 12 anos
  • 18h30 – Preparem seus Lenços (Préparez vos Mouchoirs) / DVD, 108 min, 1978, 18 anos
22.06 (quinta-feira)
  • 16h00 – Le Bruit des Glaçons/Bluray, 87 min, 2010, 14 anos
  • 18h30 – Debate com os críticos Fernando Oriente e Luis Carlos Oliveira Júnior
23.06 (sexta-feira)
  • 16h00 – Meu Marido de Batom (Tenue de Soirée)/DVD, 84 min, 1986, 14 anos
  • 18h30 – Coquetel de Assassinos (Buffet Froid)/DCP, 67 min 1992, 14 anos
24.06 (sábado)
  • 16h00 – Les Côtelettes /DVD , 86 min, 2003
  • 18h30 – Merci la Vie /35mm , 117 min, 1991
  • 23h30 – Corações Loucos (Le Valseues) / Bluray, 150 min, 1974, 18 anos
25.06 (domingo)
  • 16h00 – Coquetel de Assassinos (Buffet Froid) / DCP, 67 min 1992, 14 anos
  • 18h30 – Um, Dois , Três, Sol (Un, Deux, Trois, Soleil) / 35mm, 104 min, 1993, 16 anos
26.06 (segunda-feira)
  • 16h00 – Por Amor ou por Dinheiro? / DVD , 95 min, 2005, 16 anos
  • 18h30 – Quartos Separados (Notre Histoire) /DVD , 110 min 1984, 14 anos
27.06 (terça-feira)
  • 16h00 – Calmos / DVD , 81 min 1976
  • 18h30 – Les Côtelettes /DVD , 86 min, 2003
28.06 (quarta-feira)
  • 16h00 – Le Bruit des Glaçons / Bluray, 87 min, 2010, 14 anos
  • 18h30 – Merci la Vie / 35mm , 117 min, 1991


Inteira: R$ 10,00 | Meia*: R$ 5,00
Passaporte para toda mostra: R$ 35,00


* direito de meia entrada para estudantes, correntistas do banco Caixa Econômica Federal e melhor idade. Trabalhadores, mediante comprovante, pagam meia entrada nas segundas-feiras (exceto feriados).




O MACHO NA MINHA CAMA (uma crônica de Marcus Vinícius Batista)



Não sei a data precisa. Acho até melhor porque seria mais uma forma de cristalização na memória, com chances reais de traumas. Numa noite dessas, eu e minha mulher Beth tínhamos acabado de deitar, estávamos naquele sono inicial, com o sinal de alerta no botão mínimo, quando senti os pelos dele roçarem na minha perna.

Minha mulher não era. Beth nunca precisou depilar as pernas. Levei alguns segundos para processar a informação. Meu filho não era também. Vini não estava em casa e, com sete anos, seria impossível que eu não tivesse notado um garoto-lobisomem como herdeiro. Vini ainda tem aquela pele de nenê.

O sujeito subiu mais um pouco na cama. Esfregou-se em mim e se encaixou ao lado do meu quadril. Tentava achar um canto entre eu e Beth. Criança entre os pais a esta altura da paternidade? Eu e Beth não tivemos filhos. Meus dois eram grandes já, e não gostavam de dormir entre a gente. Ainda bem. Preferiam o espaço deles.

Uns minutos depois, o visitante resolveu se deitar em cima da minha mulher. Sem autorização. Sem jantar e cinema antes. Sem respeitar o marido deitado ao lado. Sem proposta indecente.

Dormir a três nunca foi preferência nossa. Gostamos de exclusividade a dois no nosso quarto. Em qualquer endereço, para ser franco. Mas o amigo era persistente. Tentei enxotá-lo e ganhei arranhões e uma mordida. Puxa, o sujeito é fora do padrão, gosta de uma relação mais violenta. Seria sadomasoquismo clássico? Assim, como ficariam os papéis de dominador e dominado?

Ele queria mesmo minha mulher, percebi logo depois. O terceiro elemento ficou ali, deitado sobre ela, como se fosse uma situação cotidiana, previsível e metódica. Virou-se para um lado, jogou a cabeça para outro. Colou na barriga dela e pediu carinho. Um amante latino, sensível e melancólico? Mas e o macho violento de minutos atrás?

Confesso que não conseguia dormir. Beth também, mas por outras razões, as quais temia pensar nelas. Testemunhar a própria traição me parecia um cenário extracurricular no contrato de matrimônio.

O sujeito era determinado e debochado, foi a forma que o compreendi. Olhava para mim. Os olhos lânguidos teimavam em me informar que dali não sairia, que bastava que aceitasse a nova ordem política, econômica e social daquela cama. Nunca mandei naquele terreno, mas agora passava à figuração com risco de dispensa sem vencimentos.

Minha sorte é que o parceiro - era o jeito de reconhecer a derrota, chamá-lo deste modo - era bem volúvel. Não que viesse para cima de mim. Em dez minutos, ele se cansou da minha mulher. Não agradeceu, não deu beijo de despedida, não disse que ligaria no dia seguinte. Ele saiu da cama e pronto.

O fulano era volúvel, porém metódico, se é possível combinar as duas características no mesmo ser. Fiquei de escanteio, na beirada da cama, suportando arranhões e eventuais mordidas - de vez em quando grunhidos - por uns dois meses. Sofri calado, mas salvei meu casamento.

Quando Lui se fartou de nós, levantei as mãos para os santos e agradeci pela paz conjugal. Até que a parceira dele optou por brincar a três. A única diferença entre eles é que Magriça (nome de guerra da danada) tem seus próprios métodos.

Ela sobe na cama pelo meu lado. O fetiche dela é passar pela parte do meu corpo que está vestida. Depois, deita-se sobre Beth e descansa de felicidade. Ameaça se relacionar com beijo, mas o máximo é uma fungada no queixo. No meu caso, só não sobe na cama se eu estiver nu.

Magriça, a gata, não gosta de machos. Assim como Lui, o macho que me arranha e morde.

(publicado originalmente em CONVERSAS E DISTRAÇÕES em 6 de Março de 2017)

 
Marcus Vinícius Batista
é o cronista santista número um, ponto.
É autor de "Quando Os Mudos Conversam"
Realejo Livros)
coletânea de crônicas escritas
entre 2007 e 2015
e mantém uma coluna semanal
no Boqueirão News
que é aguardada com avidez
por sua legião de leitores.
Atendendo a um pedido
de LEVA UM CASAQUINHO,
ele se dispôs a resgatar
algumas de suas crônicas favoritas
escritas nos últimos anos
para republicação no BAÚ DO MARCÃO.

COM VOCÊS, MAIS UM ELETRIZANTE EPISÓDIO (O 72°) DA SAGA CONJUGAL "AH, O AMOR"



 Amor, vê aí no seu computador a previsão do tempo.

— Precisa ser agora?

— Bem, eu queria saber agora. Estou pedindo.

— Espera aí, estou fazendo uma coisa e depois vejo isso.

— Cacete, você nunca faz o que eu peço!

— Eu disse que vou fazer, só perguntei se precisa ser já.

— É sempre assim, nunca pode ser na hora.

— Você não acha o seu jeito meio tirânico? Tudo tem de ser pra ontem?

— Mas você é muito devagar!

— Eu acabo fazendo tudo, só que no meu ritmo.

— Vai me responder a previsão do tempo depois que eu tiver saído sem guarda-chuva. E se chover?

— Você está dizendo isso só pra chatear. Nem vai sair de casa agora, e está sol lá fora.

— Dá pra você ver a previsão?

— Pra quê? Não vai chover.

— Eu já me dei mal diversas vezes por confiar na sua intuição.

— E eu não aguento a sua mania de só confiar em dados científicos. Estou dizendo que não vai chover, não estou vendo nenhuma nuvem.

— Já que a sua boa vontade é nenhuma, posso pegar o computador pra ver?

— Espera um pouco. Estou fazendo outra coisa. Cadê o seu notebook?

— Deixei no escritório.

— Vai buscar, é aqui perto.

— E se chover?

— Não vai chover. Mas vai de carro, pra prevenir.

— É ridículo ir de carro até lá, é tão perto.

— Se quiser vou com você. Eu dirijo.

— Deixa ver se eu entendi. Pra não ver AGORA a previsão do tempo, você se dispõe a ir comigo até o escritório, para eu pegar meu notebook e ver a previsão do tempo. É isso?

— O que é que tem?

— É completamente sem sentido.

— Pra você tudo tem de ter sentido. Isso é muito chato. A gente pode aproveitar a saída e tomar um chope, pra relaxar.

— Onde?

— No bar da praça.

— Mas lá as mesas são ao ar livre.

— Acho uma delícia.

— Então espera aí.

— O que você vai fazer?

— Pegar o guarda-chuva.

— Se você pegar esse guarda-chuva eu não vou.

— Por que? Vai morrer de vergonha?

— Vou.

— Você deve ter algum problema.




Luiz Antonio Guimarães Cancello
é Escritor, Psicólogo, Professor e Músico.
Foi editor, ao lado do poeta Jair Freitas,
da lendária revista cultural ARTÉRIA,
marco da Cultura Santista dos Anos 1980.
Possuí vários livros publicados,
alguns sobre Psicologia,
outros de Ficção,
que podem ser adquiridos
na Realejo Livros
(Marechal Deodoro, 2 , Tel: 13 3284-9146)
na Disqueria Santos
(Conselheiro Nébias, 850, Tel: 13 3232-4767)
ou pelo website
www.luizcancello.psc.com

CAFÉ & BOM DIA #64 (por Carlos Eduardo Brizolinha)



Antes era habitual. neste ano é vez que outra que atravesso a rua para um café. Escolho uma mesa e folheio um livro. O bairro que moro. Olho a rua e as pessoas, algumas param para socializar e é então que me transformo em Ivan Lessa. Me sinto embromando alguém ou sendo embromado, pois na verdade não queria encontrar ninguém ou ser encontrado. Não quero ser incomodado pelo sofrimento de ninguém ou a ladainha de um Brasil melhor. Tenho identificação com o texto de Ivan Lessa e me vejo diante de pretensos Ruy Barbosas quando danço bem com mistura simples de Moreira da Silva. Um dos pontos de identificação com Ivan Lessa é o fato pitoresco que mentirinhas vão tomando formas de tragédia enfeitadas com verdades e transformadas em diversão. Resmungo como resmungava Ivan Lessa que o mundo parece ter sido engolido em gotas com versão pobre e sem legenda, dublado em javanês. Tomo meu café, me levando e volto para casa com a sensação de ter encontrado ventríloquos ou personagens mal dublados. Domingos não quero saber como foi. tampouco o que vai ser. Não dá para aguentar tantos Severinos.



Não fiz mais nada do que assistir duas temporadas do seriado Billions. Não sou de seriados, achava uma aporrinhola, cheguei a me sentir excluído num fim de semana sentado na mesa de um restaurante pela simples razão de que falavam só de seriados. Minha querida Lucy nunca me convenceu, nem meus amigos paulistanos. Eis que porém um amigo me pôs nas mãos o seriado do Sherlock Holmes, American Gods e Jesse Stone e entrei para o clube da inserção. Vieram o Jovem Papa, Billions e agora o House of Cards. O ruim é que o que começo, termino, daí estou ficando paranoico por ter que esperar mais uma gotinha.



O frescor da liberdade nasceu no trópico para Morineau. O primeiro sopro veio da viagem a América do sul. Retornou para a França, mas voltou para contribuir para a formação de vários artistas e para gritar independência da influência européia. Desembarcou no Rio de Janeiro em 1931 e cinco dias depois do desembarque conquista importante espaço no teatro brasileiro. Mal casada e proibida pelo marido de praticar a profissão, ainda assim mantinha vinculo com o teatro através de conferências. Em 1944 se agrega a companhia de Bibi Ferreira e faz sua primeira representação em português. Esteve na estréia do TBC fazendo o monologo " A Voz Humana " de Jean Cocteau, peça que é um marco do teatro brasileiro. Mulher coragem, sangrou por perder sua filha. O marido lhe impôs escolher entre o teatro ou a filha. A guarda foi conferida judicialmente a ele fazendo Morineau viver um turbilhão de emoções descontroladas e um intenso sentimento de perda. Sentiu na alma o nascer de novos ventos nos anos 40 com Décio de Almeida Prado estreando como crítico e no mesmo ano Cacilda Becker como atris, não podemos esquecer do magistral Nelson Rodrigues como dramaturco, sendo sua primeira peça " A Mulher Sem Pecados ". Louvor a companhia de Jouvet que estimulou a procura de autores brasileiros, além é claro de mostrar o trópico da liberdade para Henriette Morineau, Madame Morineau como ficou conhecida por ser chamada assim por Fernanda Montenegro.



Sou entusiasta do livro biográfico de Victor Hugo escrito por Max Gallo em dois tomos. Victor desde cedo mostrou sua combatividade contra miséria do povo, pena de morte, trabalho infantil e tantas outras questões. É uma biografia das melhores de Victor Hugo e uma personalidade fascinante. Essa obra me motivou ler outros trabalhos de Max Gallo. Muito embora tenha restrições por não gostar de historiadores que romanceiem e que usem fatos documentados como base mesclando na narrativa diálogos imaginados. Para dar um parâmetro dos meus limites vide os sérios Carlo Ginzburg, Le Goff, Françoise Giraud. Max Gallo está no time de Maurice Druon, Mary Renaut, Jean Plaidy e Alexandre Dumas, Que aliás foi considerado o Dumas dos tempos atuais, digo que estes últimos autores são mais flexíveis. A trilogia " Os Cristãos " em três tomos não há como negar os cuidados com cronologia, personagens chaves, porém muito arrastado e distante de outras obras. A produção de Max Gallo é enorme, romances, ensaios, ficção política, biografias, conto, auto biografia e muitas colaborações. Duas obras pesam na balança, " Os Patriotas " sobre a resistência francesa e " Napoleão ".



A admiração fundada na verdade contradita Apuleio, autor de Asno de Ouro. Gera prazeres pouco experimentados pelos seres humanos. O que injeta a verdade numa relação? A dialética da razão? Coragem que não se intimida? Quem dispõe dessa coragem não encontra par? A dor frustrante nos leva a jogos de Chordelos de Laclos na narrativa de " Relações Perigosas "? Recebia desafios de uma fonte de verdades para ficar narcotizado com mentiras. É admirável encontrar um ser com essa coragem. É maravilhoso compartilhar anseios que tomam verdades como diretriz

Estradas diferentes em busca do mesmo sol.
Embora vitimas de dias perversos
Em dias perversos, embora vitimas,
e línguas perversas
Na escuridão e envoltos em perigos
E solidão
(John Milton, Paraíso Perdido)

Estamos fartos desse inferno. Palmilhamos encontrar um campo de honestidade. Você estendeu sua mão e entrelaçou os dedos, então siga sem pensar nas lágrimas. Podem não verter de seus olhos vivos e verdadeiros. Estendi minhas mãos e ainda não senti. Me compraz saber que alguém ao menos saber o sabor da mesma água que nos motiva buscar.

 BOM DIA, NUNCA SEM CAFÉ.


Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta
é poeta e proprietário
da banca de livros usados
mais charmosa da cidade de Santos,
situada à Rua Bahia sem número,
quase esquina com Mal. Deodoro,
ao lado do EMPÓRIO SAÚDE HOMEOFÓRMULA,
onde bebe vários cafés orgânicos por dia,
e da loja de equipamentos de áudio ORLANDO,
do amigo Orlando Valência.