Sunday, January 14, 2018

AS BOAZUDAS DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO:#46: NEILA TAVARES




Neila Tavares é jornalista e também apresentadora de televisão. Nasceu na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 1948. Atua ainda em teatro e em cinema. Sua carreira artística começou quase por acaso. Em 1968, foi chamada às pressas, para substituir Suely Franco, na peça” Inspetor Geral”, de Gogol, no Teatro Opinião. Ela foi e se saiu muito bem.

Em 1973, ela convenceu Nelson Rodrigues a escrever a peça “Anti-Nelson Rodrigues” para que ela protagonizasse. E ele escreveu. Na ocasião, Neila era casada com o ator Paulo César Peréio, que também participou da peça, assim como o ator Carlos Gregório. Neila e Peréio tinham a companhia teatral Bléc-Bêrd.

Em televisão, Neila trabalhou na Rede Manchete, na Rede Globo, na TVE-Brasil, e até na TV Tupi. Começou na TV Tupi, em 1969, na novela “Enquanto Houver Estrelas”. Em 1972, fez “Tempo de Viver”. A partir de 1975, na TV Globo, atuou em “Gabriela”, “Anjo Mau”, “O Casarão” e “Sinal de Alerta”.

Neila Tavares fez muitos trabalhos em cinema. Foram dez anos de atividades cinematográfica, entre 1969 e 1979, que renderam quase 20 filmes -– entre eles: “Marcelo Zona Sul”, “Vai Trabalhar Vagabundo”, “A Estrela Sobe”, “Bandalheira Infernal”, “Um Marido Contagiante”, “Os Sensuais”, “O Namorador”, “As Borboletas Também Amam” e “O Coronel e o Lobisomem”.


Como jornalista, Neila escreveu para as revistas Pais e Filhos, Mulher de Hoje, Ele& Ela” e para a Folha de São Paulo. Como modelo, posou seminua para as lentes do grande fotógrafo Luís Trípoli, e as fotos foram publicadas na Playboy Brasil em 1976.

Neila, você é atriz, jornalista e trabalha com televisão, cinema, literatura e música, um currículo extensíssimo. Gostaria de começar com a pergunta de praxe: como e quando seu deu o encontro de Neila Tavares com a arte?

Pois é. A arte, que eu me lembre, chegou a mim a través do cinema. Eu tinha 4 anos, quando inaugurou um cinema bonito, moderno, ao lado de minha casa, em Niterói. O Cinema São Jorge, no Fonseca. Então eu fui. A censura mínima era 5 anos e o porteiro barrava ou deixava entrar. Quando passamos, ele disse: "Que idade tem a menina?" Minha mãe respondeu: "Cinco". E eu: "Mentira, moço. Tenho 4." Mas entrei. O filme era O Maior Espetáculo da Terra, com Charleston Reston. Fiquei deslumbrada. Saí dali, dizendo: "Vou ser artista." E nunca mais mudei de idéia. Quero fazer um curta sobre A Primeira Vez. Ouvindo gente da minha geração (sem TV, sem computador, nada) sobre a primeira vez que viu cinema.

Como você mexe com muitas áreas, gostaria de começar pelo teatro. Você já atuou, fez diversos trabalhos, inclusive teve uma ligação com Nélson Rodrigues e sempre está envolvida com o projeto Tertúlia Teatral. Como foi a sua chegada no teatro? Faz uma avaliação.

Foi bacana. O Teatro Opinião era ao lado de minha casa, e eu decidi pentelhar o Vianinha, o João das Neves, o Denoy de Oliveira, fundadores do importantíssimo Opinião. Colei neles. Via todos os ensaios, buscava sanduíche pro pessoal, sabia todos os papéis de cor. Era 1968. Aí eles faziam O Inspetor Geral, de Gogol (Paulo Gracindo, Agildo Ribeiro, Ducina, no elenco) e a Suely Franco ia deixar o espetáculo. Me candidatei ao papel e entrei, substituindo.

Como é que se deu o "Anti-Nelson Rodrigues"?

Bom, tinha a paixão por Nelson Rodrigues desde 11 anos de idade. Não sei porque, mas eu fiquei louca quando uma amiga me deu uma peça dele pra ler. Eu, Peréio e Carlos Gregório éramos duros, mas criamos uma Cia de Teratro. A Bléc-Bêrd. Queríamos montar Nelson mas as peças dele tinham muitos personagens. Não dava. Aí eu que já conhecia Nelson por tê-lo entrevistado para meu livro Roberto Rodrigues - Desenhos - um irmão do Nelson, desenhista, assassinado aos 20 anos - voltei na casa dele, pedi uma nova peça e ele fez. Pra mim, Peréio e Carlos Gregório. Queria também o Paulo Gracindo e escreveu numa rubrica: "Paulo Gracindo, neste momento, está no meio do palco". Mas Gracindo não gostava de Nelson, eu acho, porque ninguém gostava, e não fez.

E o Tertúlia Teatral?

Bom, essa foi uma invenção do pessoal do Casarão dos Arcos, encenando textos de autores velhos e novos. Mas só participei de uma tertúlia.

Você já atuou no teatro, no cinema e na televisão. Apesar de serem três atividades distintas, todas elas correspondem ao seu trabalho de atriz. Como se dá a adaptação para tres formas diferentes de atuação? Como você concilia? Na televisão você já foi, inclusive, apresentadora. Como é que foi essa experiência?

Na televisão, gostei mais de ser apresentadora que de ser atriz. Como atriz achei a televisão uma chatura, um trabalho muito improvisado (eu gosto de elaboração) e nervoso.

No cinema vou já fez um bocado de coisa, né? Já atuou, já escreveu roteiro, já fez um monte de coisas. Como se deu essa relação com o cinema?

Você sabe de tudo, né? O cinema é um paraíso para o ator, a possibilidade de trabalhar pequenos músculos, expressões minimalistas. É o sonho. Mas escrever também é bom pra burro. Um trabalho solitário, que só depende de você. Dirigir também é legal, dar forma, dar dicas pro ator, criar imagens impossíveis. Cinema é tudo, em qualquer função.

Agora vamos para a poesia. Você desenvolveu um trabalho chamado "Poesia na Prisão". Como foi que você chegou à poesia e como se deu essa publicação?

Eram poemas escritos por presidiários. Então, eu os visitava, na Frei Caneca, e recolhia Poemas. Também falava com presidiário de outros estados. No Recife, por exemplo, tinha Marcelo Mário Melo, que outro dia vi na TV. Preso em Itamaracá. Era a ditadura e esses presidiário que estou falando eram presos políticos e comuns. Tive que esperar a abertura para publicar.

Falando de poesia, como estamos agora, eu quero falar de "Mulher", a sua parceria com Geraldinho Azevedo. Como foi que se deu essa parceria musical?

Então. Eu faço teatro, escrevo livros, dirijo cinema, mas a inveja que eu tenho mesmo é de quem faz música. Porque a música atinge todo mundo, igualmente, não importa a idade, a cor, a posição social, nada. Morro de inveja. E Geraldo é mais que irmão, mais que amigo, mais que companheiro. Geraldo é a maior conquista de minha vida, a mais importante. Eu não imaginaria minha vida sem Geraldo. E fizemos essa parceria. Depois ficamos exigentes e não fizemos mais nenhuma. Mas tenho uma peça infantil, musical, parceria com Gonzaguinha. Tenho parceria com Geraldo Amaral e com Mirabeau.

Você desenvolve um outro projeto ligado à poesia: o Armazém do Manuel. Como se desenvolve as atividades do Armazém?

Vai mal. Vai muito mal. Como anda a cultura brasileira. Não entendo como se pode pensar num governo revolucionário sem uma verdadeira revolução cultural.

Você está com 03 livros na praça: "As histórias maravilhosas para ler e pensar", "Os mais belos pensamentos dos grandes mestres do espírito" e "Orações para as pessoas de todos os credos". À primeira vista, esses 03 livros trazem uma religiosidade pronunciada. Qual a proposta deste trabalho?

Eu sou uma pessoa religiosa, mas não pertenço a nenhuma religião. Fiz uma pra mim. Gosto do sufismo, de Ramakrishna, de Jesus Cristo, de Teresa D’Avila e João da Cruz, de algumas coisas de Osho e de Gurdjieff (algumas, outras não). Mas acho lindas as religiões que de fato falam de um espírito livre, de uma ética, de um aprimoramento constante do caráter, de uma superação de si mesmo, de uma forma de se comportar com o outro como um verdadeiro irmão. Assim como sou completamente avessa às religiões que se utilizam dessas coisas para aprisionar a mente e explorar os incautos. Religião pra mim é, antes de mais nada, liberdade. Então, andei estudando essas coisas. E acabei juntando material de pensamentos e de histórias religiosas. E fiz esta série. Não pretendo ficar escrevendo a respeito. A não ser talvez, publicar meus estudos sobre personagens da Bíblia um dia.

Você também é uma pessoa de participação política e já trabalhado muito nessa área também. Pergunto: como é que você está vendo o Brasil hoje?

Ah, acho tudo uma merda. Não quero nem falar a respeito.

Para encerar, que projetos Neila Tavares está preparando e tenciona desenvolver?

Vou te falar de sonhos. Meu sonho agora é ter uma câmera digital pequena e leve, mas de grande qualidade. Enfiar ela na bolsa e sair pelo Brasil, sem pressa, parando aqui e ali, sem destino certo, sem ponto de chegada, documentando o Brasil. Fazer horas e horas e horas de imagem. E quando estivesse saciada, parava pra editar tudo. Aí, sim, na ilha de edição eu via como aproveitar melhor o que fiz, de norte a sul do país. É este meu sonho.

(entrevista concedida a
Luiz Alberto Machado
do blog TATARITARITATÁ)
  




O Coronel e o Lobisomem (1979)
Os Noivos (1979)
As Borboletas Também Amam (1979)
O Namorador (1978)
Os Sensuais - Crônica de Uma Família Pequeno-Burguesa (1978)
Assim Era a Pornochanchada (1978)
Um Marido Contagiante (1977)
Bandalheira Infernal (1976)
As Desquitadas em Lua-de-Mel (1976)
As Deliciosas Traições do Amor (1975)
A Estrela Sobe (1974)
Vai Trabalhar Vagabundo (1973)
Ali Babá e os Quarenta Ladrões (1972)
Bonga, o Vagabundo (1971)
Um Uísque Antes, um Cigarro Depois (1970)
Marcelo Zona Sul (1970)
A Penúltima Donzela (1969)

Memória de Helena (1969)

















ENCERRAMOS NOSSA HOMENAGEM
A NEILA TAVARES RESGATANDO
TRÊS FILMES BEM DISTINTOS
DE SUA CARREIRA CINEMATOGRÁFICA:
O EXPERIMENTAL "BANDALHEIRA INFERNAL",
A COMÉDIA "UM MARIDO CONTAGIANTE"
E O CLÁSSICO 'VAI TRABALHAR VAGABUNDO"
DE HUGO CARVANA.

DIVIRTAM-SE




ONANISMO (uma reminiscência de Carlão Bittencourt)



“O que eu gosto na masturbação
é que você não tem
de dizer nada depois”
(Milos Forman)


O redator estava atrasado. Passava da meia noite quando chegou à festa de lançamento do Anuário do Clube de Criação de São Paulo, no Palace. Lotado.

Riu. Melhor assim. Antes tarde do que nunca. Afinal, àquela hora, quem precisava ir embora já tinha se escafedido. Quem ficou, foi para meter o pé na jaca. Com tudo. Homens ao bar!

No balcão, pediu ao barman um uísque à la Vinicius de Moraes. Sabe como é? Copo alto, gelo cristal e uísque até a boca. Perfeito. Apesar da sede, desértica, ficou mexendo a bebida com o dedo até o copo embaçar. Pronto. Matou o drinque de um longo e delicioso gole. Mais um, por favor. Gêmeo idêntico.

Enquanto esperava, tragou o cigarro e espiou o salão. Indócil mulherio. Que agito! Podia ouvir as vozes e gargalhadas de onde estava. A noite prometia. Pegou o segundo copo e entrou na festa. De cabeça.

Logo de cara, esbarrou numa mesa amiga. A ruiva da cabeceira abriu-lhe um sorriso que dizia tudo. E o decote ainda mais. É hoje. Sentou praça junto daquelas sardas.

Três horas depois estavam atracados no carro. Dele. Em frente ao prédio. Dela. Pediu para subir. Negativo. Mas a mão que abria sua braguilha, dizia-lhe que nem tudo estava perdido.

Com o bimbo livre, desfraldado e orgulhoso da ereção, recostou no banco e deixou a moça mostrar a que vinha. Deu azar. Ela foi de mão. Melhor que nada. Salve Onã, rei dos solitários!

Cinco minutos depois, sentiu que a ela não era do ramo. Mal de ritmo, acelerava e desacelerava, como motorista amadora. Uma tristeza. Resolveu dar uma mãozinha. Isto é, um palpite. Sussurrou:

"Pega mais na base...isso, assim... Agora toca em frente, benzinho, rápido..."

A ruiva bem que tentou fazer a vontade do freguês, mas não acertava a mão. Deu outra dica:

"Insista na cabecinha, por favor..."

Novo fracasso. Definitivamente, ela não entendia do assunto. Fez força para se concentrar, pensando na esposa, Rosa. Quem sabe? “Rosinha, sim, bate um punhetaço!” Sem sucesso.

A dor que vinha do saco escrotal se estendia por longos minutos. Insuportáveis. Suava em bicas. E a ruiva não melhorava o desempenho.

Finalmente, concluiu: “Chega de terceirização! Quem gosta das coisas bem feitas que as faça.”

Empurrou a mão da moça. Num assomo de loucura, continuou ele mesmo o serviço, bem ao seu modo, gritando para a pobre coitada, pasma, ao seu lado:

"Vê se aprende, ô sarará, é assim que se descabela um palhaço!!!"

Carlão Bittencourt
é redator publicitário
e cronista.
É autor de
"Pela Sete - Breves Histórias do Pano Verde"
(2003, Editora Codex),
um mergulho no universo
dos salões de bilhar de São Paulo
e escreve todas as terças
em LEVA UM CASAQUINHO.





CALLING DOCTOR LOVE #59 (por Odorico Azeitona, MD)



Caro Dr. Love:
Sou engenheiro civil mas tenho alma de arquiteto, e tempos atrás decidi reformular o apartamento em que eu e minha mulher vivemos. Perguntei a ela o que ela queria que nossa nova casa tivesse e ela disse: "Uma barra de pole dance... para dançar prá você, meu amor". Criei uma cama especial integrada a um palco com uma barra de pole dance e cercada de espelhos por todos os lados. Ela amou. No início fui abençoado com as melhores preliminares de toda a minha vida. Mas, com o passar dos meses, percebi que minha mulher ficava cada vez mais envolvida numa trip narcisista e passou a viver uma espécie de ardente caso de amor com ela própria. Nem queria mais trepar comigo, o que ela via nos espelhos já a satisfazia plenamente. Estou desolado. E pensando seriamente em chegar em casa um dia desses com um machado e uma marreta e destruir tudo o que projetei -- e que agora me faz tão triste. Faço isso, Dr. Love? (Gilsandro Gervitzz, Americana SP)
   
Caro Gilsandro:
Vá com calma, meu chapa...
Sua mulher deve estar vivendo
um momento de descobertas
e você vai ser um perfeito idiota
se cair na sandice de interferir nesse processo,
que pode ser meio delicado.
Aproxime-se dela, mas chegue de mansinho.
Não espere que ela venha até você,
ao menos, não nesse momento.
Descubra o que a está levando a agir assim
e tente reconquistar o seu lugar na vida dela.
Eu, no seu lugar, faria um curso de pole dance
e começaria a fazer strip-teases
diários para ela, só para ver como ela reage.
Duvido que ela não se sensibilize com seu esforço.
Considere isso, e veja o que acontece.
Boa sorte e boa fudelança!



Caro Dr. Love:
Meu nome é Marva, sou muito rica e muito gostosa desde minha juventude e sempre tive aos meus pés todos os homens e mulheres que desejei. Mesmo depois de sofrer um acidente de ski que me condenou a viver sentada numa cadeira de rodas para o resto da minha vida, continuei gostosona e com muitos homens e mulheres a meus pés. Devo ser um caso único no Planeta Terra de pessoa entrevada que permaneceu tão sexualmente ativa quanto antes do acidente. Claro que, para viabilizar isso, conto com o suporte de um grupo de enfermeiras que estão sempre a postos para me deixar sempre pronta para o sexo. Pois bem: acabo de completar 54 anos dia 1 de Janeiro e decidi que enquanto ainda estiver com tudo em cima não usarei mais roupas em casa e só sairei para a rua trajando lingerie bem provocante. Tenho causado tumulto em alguns Shoppings, e me divirto bastante com isso, mas acho também que ao levar homens e mulheres a sentir tesão por uma gostosona entrevada numa cadeira de rodas estou ajudando muitas outras pessoas que não se conformam com suas situações e ficam enfurnadas e deprimidas em casa. Estou certa, Dr Love? (Ramona Schwarbick, Jundiaí SP)



Cara Marva:
Você já se deu conta que deve proporcionar
experiências sexuais absolutamente únicas
às pessoas que se relacionam com você?
Você é uma Cleópatra Sobre Rodas.
Eu confesso que já trepei com mulheres
com defeitos físicos meio cabulosos,
e sempre me senti estranho fazendo isso,
mas juro que nunca vi uma uma mulher
que aceitasse esses defeitos físicos
com essa nonchalance que você esbanja.
Presumo que isso tenha levado anos de terapia.
Você se importaria se eu guardasse meus conselhos
para dar pessoalmente a você qualquer hora dessas?
Faça assim: mande seu chauffeur vir me buscar
aqui na redação de Leva Um Casaquinho.
Ou então venha até aqui, se preferir.
Quero ser seu súdito de pau duro,
ó adorável Messalina Sobre Rodas!
Tudo o que você precisa é de
uma piroca serelepe como a minha
colocando você no esquadro,
equilibrada pelos orifícios do prazer. 
Deal?



Odorico Azeitona vem escrevendo
sobre putaria e sacanagem
para LEVA UM CASAQUINHO
desde o início de 2014.
Expert gabaritadíssimo nesses assuntos,
decidimos convidá-lo para assinar
uma coluna de aconselhamento sexual
para nossos leitores mais atrapalhados.
Odorico não só adorou a ideia
como rapidamente se transformou
no conselheiro sexual menos ortodoxo
do lado de cá do Equador:
DOCTOR LOVE

A BALZAQUIANA E O MENINO PINTUDO (um conto devasso de Emmanuelle Almada)




Meu nome é Luzinete, há sete anos trabalho numa empresa especializada em limpeza urbana em São Paulo, e acabo de ser promovida a gerente operacional. Com a promoção, ganhei um prêmio: uma viagem com acompanhante para Salvador. Queria convidar minha melhor amiga, Sirlei, para me acompanhar, mas minha filha Camila começou a se insinuar dizendo que queria ir comigo, e eu fiquei na maior saia justa. Deixei de estar ao lado de minha filha em alguns dos momentos mais marcantes de sua vida. Depois que meu marido morreu, tive que arcar com o sustento da casa. Como eu trabalhava de dia e estudava à noite, minha filha acabou sendo criada por minha mãe. Por conta disso, eu não estava por perto quando veio a primeira menstruação dela, quando ela deu o primeiro beijo, quando transou pela primeira vez... A interlocutora dela era sempre minha mãe, que me passava as novidades.

Senti muita raiva ao descobrir alguns anos depois da morte de meu marido que ele me traía na cara dura. Teve várias amantes o vagabundo. Não satisfeito com isso, ainda teve filhos com duas dessas amantes. Ao morrer, deixou dívidas enormes, que fiz questão de pagar uma a uma. Nunca deixei que minha filha soubesse dessas atitudes desabonadoras à reputação de seu pai, e fiz questão – sei lá porquê, ele não merecia isso -- de que ela cultivasse uma imagem imaculada dele, de paizão. Como já estava morto, e as dívidas que deixou já estavam pagas, para mim era tudo questão de passar uma borracha naquele episódio terrível da minha vida e retomar minha vida.

Quando Camila completou 16 anos, alguma coisa aconteceu. Minha mãe deixou de conseguir ter controle sobre ela, que só queria saber de sair para baladas e só voltava para casa de manhã. Eu morria de preocupação, tentava discutir o assunto com ela, mas fui tachada de chata, superprotetora e careta. Meu medo é que ela estivesse usando drogas, não desejava aquilo para minha filha. Um dia conseguimos ter uma conversa íntima e muito séria, e ela me revelou que estava saindo com uns amigos meio barra pesada. Havia experimentado crack, ficou assustada com o que sentiu – até então, ela só tinha provado álcool e maconha -- e queria se afastar daquela gente e ficar mais em casa por uns tempos. Para mim foi um alivio. Camila começou a ficar muito introspectiva a partir daí, não saía de frente do computador o dia inteiro, começou a escrever histórias e a criar um mundo só dela. No dia em que ela me permitiu ler as coisas que escrevia, fiquei emocionada. Não entendo nada de literatura, mas minha filha parecia ter talento e escrevia naturalmente, com uma facilidade impressionante.

A partir daí, ao invés de sair para a rua, os amigos e amigas dela é que começaram a frequentar nossa casa. Foi ótimo, todo fim de semana era festa, gente andando por toda a casa, pessoas rindo e se divertindo. Me lembrou da minha adolescência. Eu era uma loirinha magricela e desajeitada de olhos azuis e cabelos escorridos, que usava duas calças jeans (uma por cima da outra) para parecer mais bundudinha. Meu corpo só se modificou aos 19 anos, depois da gravidez da Camila. Estranhamente não fiquei com uma estria sequer. E ainda ganhei as ancas que tanto sonhava ter, quando adolescente, além de seios bem volumosos, com bicos mais amarronzados e salientes, do tipo que faz "farol aceso” nas blusas. Sem falsa modéstia, tudo isso somado a minha cinturinha fina e minhas pernas grossas faziam de mim uma balzaquiana enxuta e bastante desejável. Como eu sabia que era bonita e gostosa, usava calças de cintura baixa, bem justas, ou vestidinhos colados no corpo, e, claro, salto alto. Pois essa gostosura toda começou a incomodar Camila, que um dia me pediu que não vestisse roupas insinuantes assim nas festas com os amigos dela, pois alguns deles poderiam perder o controle e ficar mais salientes comigo depois de beberem um pouco. Aceitei o argumento dela, parei de me misturar ao grupo dela e passei a convidar Sirlei para as festas que rolavam lá em casa às sextas e sábados. Ficávamos nós duas recolhidas na cozinha, bebendo e recordando histórias de quando éramos jovens.

Numa dessas festinhas de sexta em casa, Sirlei me ligou avisando que estava com dor de cabeça e não poderia ir lá em casa. Eu, então, resolvi subir para meu quarto e tirar um cochilo. Mas antes fui até a sala conferir a bagunça que estava rolando entre os convidados de Camila, e ví uns garotos diferentes diferentes dos habituais, com um jeito bem viril. Gosto muito de homens mais jovens, gosto da pele macia, da virilidade, daqueles pintos que parecem feitos de concreto e nunca amolecem por completo. Bateu um flashback de um envolvimento que tive com o filho de uma amiga um ano depois que meu marido morreu. O menino tinha 14 anos. Nunca vou esquecer das explosões de tesão dele, daqueles poucos pelos recém nascidos no rosto, daquela pele branquinha e cheirosa. Ele ficava doidinho quando eu chegava de vestidinho curtinho e sem calcinha. Ele gostava de transar ouvindo as bandas barulhentas favoritas dele: System Of A Down, Papa Roach e Slipknot. Nunca ficava completamente pelado, transava usando boné e tênis AllStar. Eu odiava aquilo, mas deixava quieto, até porque, na hora H, quem dava as ordens era eu: “Me chupa... Me fode... Com força!” Eu tinha uma enorme satisfação ao ver aquele moleque alí em ponto de bala, me querendo, sabendo que ele poderia ter a menina mais linda que quisesse, mas preferia estar comigo. Aqueles eram os momentos em que eu recarregava minhas baterias. Nossa brincadeira acabou quando ele foi para Montréal em um intercâmbio. Depois dele, eu nunca mais me envolvi com meninos, apesar de nunca ter perdido o hábito de flertar levemente com eles.

Camila estava certa. Minha gostusura era um perigo naquelas festas. Meu tesão por meninos jamais se apagou, e em cada festinha que a Camila promovia eu sempre analisava de longe todos os “amiguinhos” dela. Um deles – que não estava lá naquela noite – tinha o dom de sempre me deixar nua só com os olhos. Eu adorava. Seu nome era Cleverson, um moreninho da pele clara, um pouco mais velho que Camila, talvez uns 18, 19 anos, com olhos verdes e braços fortes. Era bem saliente, ostentava várias tatuagens, e destoava um pouco dos demais. Um dia, quando fui levar uma bandeja de petiscos para eles na sala, senti Cleverson tocando de leve na minha bunda. Levantou para se desculpar e, de propósito, feito um tarado num onibus, roçou seu pinto na parte superior de minha perna. Me deixou louca. Sem-vergonha aquele menino.

Mas naquela noite eu estava cansada e, já que Sirlei não viria mesmo, subi para tomar um banho e me deitar. Tirei o conjunto de calcinha fio dental e sutiã com estampa de oncinha que estava usando por baixo da minha roupa, entrei no chuveiro quente por dez minutos e, depois de me enxugar, sentei num banquinho do banheiro para me depilar. Como estava com a pele bronzeada do verão, fui seguindo as marquinhas de biquini e desenhando com a lâmina um pequeno triângulo de pelos pubianos no topo da bucetinha. Ao redor dos grandes lábios, no entanto, eu depilava tudinho. Me sentia mais limpa e sensível assim, sem contar que adorava vislumbrar aquele “Big Mac” sempre que apontava meu espelho de maquiagem para minha bucetinha. Então, ainda coberta de espuma, escutei alguém bater na porta do quarto. Perguntei quem era. Ninguém respondeu. Mandei entrar, achando que fosse Camila. Então vesti meu roupão e saí do banheiro. Foi quando dei de cara com Cleverson, com a cara de sem-vergonha habitual, parado diante da porta do quarto.

“Oi tia! O que houve com a senhora?”

“Ai menino, quase me mata de susto, O que você faz aqui?”

“Vim ver se a senhora está bem”

“Estranho... não vi você lá embaixo, Cleverson”

“É... quando eu cheguei, a senhora estava subindo a escada... aí 15 minutos se passaram, a senhora não descia, então vim até aqui dar uma olhada se estava tudo bem.”

Olhei fundo nos olhos dele, dei um sorrido bem safado e disse:

“Fico feliz que você se preocupe comigo tanto assim, acho que isso merece uma recompensa...”

Desamarrei o roupão deixando que ele se abrisse sem mostrar meus seios, mas escancarando minha bucetinha recém-depilada ainda com marcas de espuma de barbear em alguns pontos. Peguei uma loção pós-depilação, entreguei o frasco nas mãos de Cleverson e disse.

“Acabo de me depilar, e sempre gosto de passar uma loção na pele para evitar irritações. Mas tem lugares que eu depilo onde eu não alcanço direito. Se você puder me ajudar, eu agradeço...”

Cleverson estava paralisado. Sua safadeza habitual ficou completamente subjulgada à minha. Mandei que ele se sentasse à beira da cama. Ele obedeceu. A seguir, aproximei minha bucetinha do rosto dele, soltei a faixa do roupão, abrindo-o por completo e o envolvi com ele. Senti sua língua lamber toda a minha região genital de uma maneira desenfreada, sem requintes de fodedor, seguindo apenas o instinto animal mesmo. Eu adoro atitudes impulsivas assim. Estava morrendo de saudades disso. Empurrei Cleverson para trás, fechei a porta do quarto, que estava entreaberta, e em um único gesto, deixei meu roupão cair no chão e fiquei completamente nua na frente dele. Andei em direção à cômoda e me agachei para pegar duas calcinhas, ambas minúsculas, uma preta e outra vermelha. Perguntei para ele:

“Qual das duas você acha que ficaria melhor em mim agora?”

Nesse momento, Cleverson recuperou um pouco da safadeza e disse:

“Eu confesso que estou na dúvida. Daria para a senhora provar as duas, por favor?”

Vestia uma a uma, desfilando diante dele para deixa-lo bastante excitado, e fiquei nua novamente aguardando uma resposta. Foi quando ele me surpreendeu:

“Continuo na dúvida. Daria para a senhora experimentar também a calcinha suada que estava usando antes do banho?”

Vesti o conjunto de oncinha suado e desfilei diante do olhar safado dele. Então ele disse:

“Acho que a vermelha vai ficar melhor em você. Mas tira esse conjunto de oncinha e dá um pouquinho aqui pra mim.”

Fiquei nua e entreguei a calcinha e o sutiã nas mãos dele. Ele começou a cheirar e a lamber as duas peças. Então, ficou de pé e me mandou sentar onde ele estava sentado antes. Acatei a ordem. Já sentada, libertei o pinto dele para fora da calça e comecei a bater uma punheta para ele alternando as mãos, segurando a calcinha preta e a calcinha vermelha durante a massagem.  Vez ou outra, encostava a ponta da minha língua na sua chapeleta, mas só para deixá-lo enlouquecido, sem engolir aquela jeba de ferro. Não parei de fazer isso enquanto ele não anunciou que iria gozar. Só então engoli seu pinto por inteiro, deixando que ele inundasse minha garganta com aquele dilúvio de esperma. Foi maravilhoso. Ao final, cuspi um pouco do gozo que engoli nas duas calcinhas que estavam nas minhas mãos, levantei, fui até a cômoda, guardei as duas na gaveta e disse a ele:

“Pronto, agora as duas estão prontas para usar. Mas não agora, claro...”

Fui em direção a Cleverson, arranquei violentamente as roupas que ele vestia, joguei-o na cama, vesti rapidamente uma camisinha no pau dele e aterrissei minha bucetinha nele, que já estava em riste novamente. Dei tantas chaves de buceta naquele menino que não sabia mais se ele estava gemendo de prazer ou de dor. Dessa vez ele demorou mais para gozar. Mas gozou. Pouco, mas gozou. Ao final, enquanto repousava, abri bem as pernas dele e comecei a chupar seu saco e seu pau. Mas quando enfiei o dedo no cu dele, ele reagiu mal. Disse a ele:

“Menino, deixa de ser bobo... isso faz parte da brincadeira...”

“Comigo não.. tô fora!”

Cleverson levantou, se vestiu e nem se despediu: simplesmente foi embora e nunca mais apareceu em casa nas festas de Camila. Soube depois que casou e entrou para uma dessas Igrejas Evangélicas. Para ele, devo ser o diabo em forma de mulher. Foda-se!

Contei para Camila o que aconteceu, e ela me disse que aquele menino era muito babaca, que não estava perdendo nada. Para minha surpresa, ela não reprovou o que eu fiz, e me liberou para voltar a usar minhas roupinhas justas nas festinhas dela. A partir daí, comecei a experimentar depois das festas algum amiguinho de Camila que me parecesse interessante. Camila, por sua vez, perdeu a inibição, seguiu meu exemplo e começou a devorar os meninos que a interessavam. Nossos quartos viraram um puteiro só. Fizemos swing inúmeras vezes. Até algumas surubinhas nós chegamos a promover por lá. Um dia ela chegou para mim e disse:

“Mãe, só te peço um favor: me consulte antes de comer esses meninos. Tem um deles que eu estou interessada e quero só para mim, daí combinar entre nós em quem vamos dar o bote, okay?”

Dei um beijo nela e concordei.

“Claro, filha.. perfeito!”

E então, quando ganhei essa viagem para a Bahia, Camila me disse:

“Vamos juntas, e vamos comer uns negões bem pintudos por lá! Já pensou que legal uma suruba só com negões bem suados?”

 Desnecessário dizer que eu adorei a ideia. E que o convite para Sirlei dançou. Contei uma história triste para ela, fazendo Camila de coitadinha. Mas sabe ela que de coitadinha Camila não tem nada. Somos duas ninfas bem safadas, isso sim. E tomara que nosso time continue batendo esse bolão por muito tempo.


Emmanuelle Almada tem 34 anos,
nasceu e vive em São Paulo,
e trabalha com Tecnologia da Informação.
Escreve desde muito pequena
e se iniciou na literatura erótica
por considerar sexo o único tema
relevante nos dias de hoje.
É casada com o empresário
e também escritor Ariel Almada.