Friday, January 30, 2015

SANTOS GANHA MAIS UM BELO PRESENTE DE ANIVERSÁRIO




(por Chico Marques)

Venho acompanhando pelo Facebook há alguns meses o processo de criação e os ensaios de SANTOS DE FRENTE PARA O MUNDO, a mais nova empreitada artística do meu velho amigo produtor e agitador cultural Alcides Mesquita -- que conheço desde sempre por Mesquitinha, outros por Mista -- com estréia marcada para este sábado, 21 horas, no Teatro do SESC-Santos.

Tudo o que eu sabia até há pouco sobre SANTOS DE FRENTE PARA O MUNDO é que reunia três gerações da dança para celebrar juntas a cidade, mesclando as experiências de bailarinos veteranos com o vigor de uma nova geração especialmente ligada à dança-teatro. Sabia também que tudo gira em torno de dez novas composições de talentoso compositor santista Tarso Ramos que retratam vários aspectos da nossa cidade: a praia, o porto, os jardins, o Centro Velho, o futebol, etc.

Então, pedi ao Mesquitinha que tentasse definir para LEVA UM CASAQUINHO o que seria exatamente esse novo espetáculo que ele está produzindo, e ele disse assim:



"SANTOS DE FRENTE PARA O MUNDO nasceu de um poema de Roldão Mendes Rosa. Foi uma necessidade pessoal de ver outro diálogo conjugando a dança e o teatro, afinal não existem paredes na alma. O caso é que um momento de extrema caretice assolou a cidade de uns anos para cá, e daí eu fui buscar na efervescência dos anos 80 e 90 essa cidade vanguarda cultural da qual sinto tanta falta. Escutei muita gente. Aprofundei o grande poeta Jair de Freitas na minha vivência. Juntei bailarinos e coreógrafos dessa geração com outros mais experientes e espero ter conseguido ajudar a creiar um espetáculo de santistas de todas as vanguardas."

Eu confesso que ainda não consigo imaginar o que possa ser SANTOS DE FRENTE PARA O MUNDO, mas faço questão de estar neste sábado no Teatro do SESC-Santos, às 21 horas, para descobrir.

Se eu fosse você, leitor, viria também. 

SANTOS DE FRENTE PARA O MUNDO promete.





Cia Aplauso e Convidados apresentam 
SANTOS DE FRENTE PARA O MUNDO
com Célia Faustino, Rita Nascimento, Márcio Barreto, Sandra Cabral, Ze Maria Almeida, Samara Paschoal Moura, Elaine Vasques, Barbara Muglia-Rodrigues, Letycia Goncalves, Clarissa Felippe, Rafaella Cabral, Bruno Henrique Galdino, Natan Mesquita, Daniel Sette, Natan Brith, Daniela Guasti
Direção: Sueli Suka Cherbino e Luciana Raccini
Música: Tarso Ramos
Coreografias: Suka Cherbino e Luciana Raccini.
Luz e Técnica: André Leahun.
Produção: Alcides Mesquita
Dia 31 de janeiro, 21 hs, Teatro do SESC-Santos
Entrada franca, com retirada de ingressos na bilheteria do SESC.





Thursday, January 29, 2015

'INTO THE WOODS", PRODUÇÃO IMPECÁVEL (por Carlos Cirne)



PUBLICADO ORIGINALMENTE NA NEWSLETTER COLUNAS E NOTAS


Antes de qualquer coisa, desculpe se hesito em chamar “Into the Woods” de “Caminhos da Floresta”; ainda preciso me acostumar. Como apreciador da obra de Stephen Sondheim, acho que seus espetáculos têm títulos que falam por si só, aceitando mal as traduções ou versões. De “Company” (1970) a “Sunday in the Park with George” (1994), passando pelo intraduzível “Merrily We Roll Along” (1981), soa melhor em inglês. Neste caso então, pela própria história, caberia melhor um “Era Uma Vez...” que, aliás, é a frase que inicia o filme: “Once Upon a Time...”.

Enfim, “Caminhos da Floresta” é a adaptação para as telas do espetáculo “Into the Woods” (1987), que tem libretto de James Lapine - que assina também o roteiro desta adaptação - com músicas e letras de Stephen Sondheim e que, quando de sua estreia na Broadway recebeu, entre outros, três dos dez Tonys Awards a que concorria (justamente para Libretto, Música/Letras e Atriz, para Joanna Gleason, a Mulher do Padeiro), e cinco de treze Drama Desk Awards (Melhor Musical, Libretto, Letras, Atriz Coadjuvante para Joana Gleason e Ator Coadjuvante, para Robert Westenberg, o Lobo e o Príncipe da Cinderella). Ou seja, estreou em grande estilo, e já teve inúmeras remontagens pelo mundo todo - incluindo o Brasil - e chegando até a ser gravado, podendo ser encontrado em DVD em lojas no exterior.

E mesmo assim, demorou quase 30 anos para chegar às telas de cinema. Mas entende-se. Primeiro, a dificuldade em se adaptar um musical às telas, para atender às plateias do século XXI - até o icônico musical “Annie”, que retrata a Depressão norte-americana da década de 1930 foi atualizado este ano, com resultados (parece) duvidosos -; em segundo lugar, transformar contos de fadas revisitados em matéria atraente ao público mais arisco do cinema, os adolescentes, sem perder de vista o público espontâneo - adultos que conhecem / gostam da obra de Sondheim - não é exatamente a coisa mais fácil de se atingir.

A solução foi trazer o autor do libretto para roteirizar o longa, entregar a direção a um especialista em musicais - Rob Marshall, diretor do último musical a ganhar o Oscar de Melhor Filme, “Chicago”, em 2002, além de mais cinco Oscars e mais sete indicações - e acentuar o que o original tinha de melhor, além da trilha sonora: o humor.




O partido adotado, principalmente para a personagem de Meryl Streep, foi a tolerância zero para a estupidez, o que acaba gerando diálogos antológicos no filme. O roteiro é uma junção de várias estórias dos irmãos Grimm, numa trama original que junta um Padeiro e sua Esposa que não conseguem ter filhos (James Corden e Emily Blunt, com uma voz impressionante), amaldiçoados por uma Bruxa (Meryl Streep), que têm que cumprir uma série de tarefas para que o feitiço se reverta. Ao mesmo tempo, acompanhamos a menina do Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford, a última “Annie” da Broadway), às voltas com o Lobo (Johnny Depp, fazendo “Johnny Depp” à perfeição), a caminho da casa da avó; João, seus feijões mágicos (Daniel Hittlestone) e sua Avó (Tracey Ullman); Rapunzel (Mackenzie Mauzy) e Cinderella (Anna Kendrick, outra boa surpresa cantando uma partitura tão elaborada) e seus respectivos Príncipes, Billy Magnussen e Chris Pine (que também surpreende no canto), além da Madrasta (Christine Baranski) e suas filhas (Tammy Blanchard e Lucy Punch), todos envolvidos numa história que aproveita o melhor - e o pior - de cada um deles. E que mostra também o outro lado da moeda, ou seja, o que acontece depois do “... E Foram Felizes para Sempre!”.

Mas nada funcionaria se, além do dedicado elenco, a trilha não fosse tão integrada à ação das cenas. Alguns dizem que esta trilha de Sondheim é a que menos tem canções marcantes. Esta não é minha opinião; apenas lembrando, fazem parte deste espetáculo as canções “Giants in the Sky”, “Children Will Listen”, “No One Is Alone” e “Agony”, só para citar algumas. Basta ouvi-las para que passem a fazer parte de sua memória auditiva indelevelmente. “Agony”, por exemplo, é uma das canções de letra mais divertida que conheço, principalmente se comparadas as duas versões que existem no espetáculo (apenas a primeira é mantida no filme). A canção, basicamente, coloca em confronto os dois príncipes da história, num duelo de duas crianças mimadas e voluntariosas, divertidíssimo.

E, se nada mais desse certo, ainda assim teríamos Meryl Streep. Parece “chover no molhado”, mas ela consegue fazer com que nossos olhos não se despreguem da tela enquanto ela está presente na cena. E ela sabe como fazer uma entrada! E, neste filme, também uma saída! (SPOILER) E quando sua transformação finalmente acontece, é para Prada nenhuma botar defeito!

Enfim, não é um filme para todos - os adolescentes podem alegar que “tem gente cantando” demais - mas é, definitivamente, para aqueles que apreciam uma produção impecável (design de produção, de Dennis Gassner; figurinos, de Colleen Atwood; e fotografia, de Dion Beebe, de tirar o fôlego), com música de qualidade e um elenco eficiente e dedicado. (SPOILER) Talvez se o final não fosse tão “disneyficado”, a sensação seria um pouco mais ácida, mas também um pouco mais próxima do espetáculo original. Imperdível para fãs de musicais.

Em tempo: devidamente esnobado pela Academia, o filme está concorrendo apenas aos prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep em sua 19ª indicação), Figurinos (Colleen Atwood) e Design de Produção (Dennis Gassner).














(foto: Rob Marshall, Meryl Streep, Stephen Sondheim)


"Caminhos da Floresta” (Into the Woods)

Direção: Rob Marshall

Roteiro de: James Lapine

Com: Meryl Streep, Emily Blunt, James Corden, Anna Kendrick, Chris Pine, Tracey Ullman, Christine Baranski e Johnny Depp, Lilla Crawford, Daniel Huttlestone, MacKenzie Mauzy, Billy Magnussen, Tammy Blanchard, Lucy Punch, Frances de la Tour, Simon Russell Beale, Richard Glover, Joanna Riding, Annette Crosbie.

Baseado na peça musical “Into the Woods”, de Stephen Sondheim e James Lapine.

Distribuição: Disney

Em cartaz do Roxy Gonzaga 5 e no Cinemark Chaparral Shopping






UM DOCUMENTÁRIO ROCK & ROLL À ALTURA DE CÁSSIA ELLER



Em seu primeiro documentário cinematográfico, “Loki?” (2008), sobre o mutante Arnaldo Baptista, Paulo Henrique Fontenelle poderia ter optado por um "easy way out".

Mas preferiu seguir na contramão.

Seria muito fácil, com todo o material de arquivo que ele tinha em mãos, fazer uma vídeo-retrospectiva jornalística blasé sobre as aventuras e desventuras do gênio musical responsável pela banda de rock mais brilhante de todos os tempos na América do Sul.

Em vez disso, ele mergulhou fundo na complexa e frágil personalidade de Arnaldo, e quando veio à tona revelou para nós, de forma extremamente carinhosa, toda a loucura e toda a generosidade de seu biografado, sem "perder la ternura jamás".

Fez um documentário assumidamente rock and roll.

Como nunca haviam feito antes no Brasil.



Essa mesma gentileza e essa mesma atitude rock and roll está de volta a mil por hora em 'Cássia Eller", a mais nova aventura documental de Paulo Henrique Fontenelle.

Dessa vez, o desafio foi maior, já que Cássia -- ao contrário de Arnaldo -- não está mais por aqui há 13 anos.

(isso, apesar de suas gravações nunca terem deixado de tocar no rádio e seus discos serem constantemente reeditados)

Paulo Henrique Fontenelle teve acesso a um extenso material de arquivo da TV Brasília, da TV Manchete e da MTV-Brasil para compor esse documentário. Se fosse um documentarista convencional, exporia Cássia em suas entrevistas o máximo possível, forjando um retrato unidimensional dela. Como não é, preferiu fazer contrapor os relatos de Cássia com entrevistas com amigos, amantes e companheiros de jornada.



E é justamente nesse contraponto é que Cássia ganha vida novamente.


"Cassia Eller" segue contando sua história depois de sua morte, mostrando a emocionante batalha judicial de sua companheira pela custódia do filho Chicão, e revelando como todos os que viviam em sua órbita seguiram em frente sem a presença física dela, mas com ela ao lado muitas vezes indicando o Norte nos momentos mais incertos.

A maneira emocional, mas sem pieguices, com que Fontenelle realiza isso é a mesma utiizada em "Loki?": deixando que amigos, parceiros e produtores abrirem o coração para a câmera detalhando histórias da vida dela.

São histórias que nem sempre enaltecem a biografada, e que, por isso mesmo, ressaltam ainda mais toda a sua complexidade e toda a sua loucura nem sempre abençoada.



Um dia desses, vi Paulo Henrique Fontenelle comentar num programa de entrevistas na GloboNews que editou o filme durante várias madrugadas, e que sentiu a presença de Cássia de forma tão intensa durante o processo de edição que diversas vezes teve vontade de ligar para trocar uma idéia sobre um passagem ou outra do filme.

Essa presença avassaladora de Cássia, que o diretor sentiu tão forte, grita no filme. 

E emociona.

"Cassia Eller" é muito mais que um documentário: é uma verdadeira "experiência musical documental"

Daí, não esperem ver um tributo pegajoso ou uma homenagem chapa branca, como tantas outras que circulam por aí.

E aumenta que isso aqui é rock and roll...








Em cartaz do Iporanga 4 e no Cinespaço Shopping Miramar.








Tuesday, January 27, 2015

CHEGA DE SILÊNCIO: A CONCHA ACÚSTICA ESTÁ DE VOLTA


A Concha Acústica do Canal 3, que estava fechada desde 2001 por determinação do Ministério Público, foi reaberta nesta segunda-feira, 26 de Janeiro, quando Santos comemorou 469 anos.

Estavam lá presentes o Prefeito Paulo Alexandre Barbosa, que não mediu esforços para que a Concha voltasse a funcionar o quanto antes, e o Secretário de Cultura Fabião Nunes, que desde seus tempos de vereador sempre brigou para que esse dia chegasse -- além, é claro, do ex-Secretário de Cultura Raul Christiano, que acompanhou a restauração da Concha ao lado do Arquiteto Responsável pelo Projeto Carlos Alberto Prates nos anos de 2013 e 2014.

Para quem não sabe, a velha Concha ficou fechada 14 anos porque arrumou uma briga feia com a vizinhança do Canal 3, que argumentava que a música amplificada vinda de lá invadia as salas dos apartamentos da Orla. Os moradores entraram na Justiça tentando impedir a Concha de funcionar, e foram vitoriosos em todas as instâncias.

Para reverter essa situação, a Prefeitura entrou em negociação com os moradores e iniciou uma ampla reforma, proporcionando à Concha um tratamento acústico diferenciado, com vidros temperados posicionados de forma estratégica para evitar novos problemas com decibéis exagerados e mal direcionados. 

Reforma que, diga-se de passagem, já foi testada e aprovada pelos moradores da região.  

A programação de reabertura contou com o quarteto Blue Hat, composto por músicos da Jazz Big Band que tocou na inauguração da Concha em 24 de julho de 1981 -- entre eles, o pianista Newton Zago, o contrabaixista Ney Rocha, o saxofonista alto Arnaldo Catalan, e o apoio luxuoso do caçula do grupo, o ótimo saxofonista tenor Maurício Fernandes.

Só nos resta torcer para que a Concha Acústica receba a partir de agora uma programação regular à altura de suas novas instalações. 

Verdade seja dita: de todos os presentes que Santos ganhou em seu aniversário neste ano, esse foi sem dúvida o melhor. 






















PS: 
Parabéns a todos os responsáveis. 
Tudo funcionou perfeitamente bem, para o desespero dos (muitos) que torciam contra. 
Só falta agora a Concha Acústica ganhar o nome do cara que brigou incansavelmente para que ela fosse reativada, e que infelizmente não esta mais entre nós para ver seu velho sonho realizado. 
É você mesmo, Zéllus Machado...










Saturday, January 24, 2015

NA FESTA DE ANIVERSÁRIO DE SANTOS, REFRIGERANTES DE ITU
















Santos e Itu sempre tiveram grandes afinidades.

Tanto uma cidade quanto a outra sempre pensaram grande.

Prova disso é aquela escultura em aço com um peixe gigantesco plantado na entrada da cidade...

E também aquele polvo enorme esparramado sobre a fachada das Torres Quíntuplas da Ponta da Praia...

E, claro, como esquecer da grande performance do ator santista Nuno Leal Maia na pornochanchada "Bem Dotado, o Homem de Itu" (1979), em que ele passa o rodo sem piedade em uma pequena legião de beldades da época, como Esmeralda de Barros, Marlene França, Ana Maria Nascimento e Silva, Aldine Muller, Helena Ramos e Maria Luíza Castelli?


Agora, sem ironias: o artista plástico Eduardo Srur decidiu trazer para cá uma de suas intervenções artísticas: garrafas pet gigantes e coloridas, que já estiveram expostas nas margens do Rio Tietê, em 2008 e também na represa Guarapiranga, em 2012. 

Apesar do valor artístico de trabalho de Srur ser altamente discutível, sua intenção é nobre: chamar a atenção das pessoas sobre o grave problema da poluição deste tipo de embalagem nas águas que banham os Estado de São Paulo.

Nas palavras do artista: "A exposição cria uma narrativa visual de esculturas que surgem nas margens de um rio metropolitano contaminado, depois reaparece nas águas da represa que abastece a cidade e, finalmente, encontra seu destino no mar para onde correm todos os rios do mundo". 

As esculturas gigantescas já podem ser vistas no Parque Roberto Mário Santini, no Emissário Oceânico, e ficam expostas por lá até 1° de Fevereiro.

Depois disso, elas voltam para o galpão de onde vieram, fiquem tranquilos...























Thursday, January 22, 2015

AOS 43 ANOS DE IDADE, A FERRS APERTA O OFF E ENCERRA DIA 31


Fui cliente contumaz da FERRS desde 1973, quando funcionava na Galeria Quinta Avenida, depois na Galeria Campos Elíseos, e por último no Parque Balneário Shopping. 

Era a loja mais descolada da cidade, sempre abarrotada de LPs -- depois, CDs -- importados e sempre atualizadíssima -- ao contrário de seus concorrentes, que trabalhavam só com o arroz com feijão fornecido pelas gravadoras brasileiras.


Virou rapidamente o equivalente local às grandes lojas de São Paulo e Rio, como o Museu do Disco, Modern Sound, Brenno Rossi, Billboard e Bruno Blois. Tinha importação própria e trabalhava tão bem que durante algum tempo ganhou uma "quase filial": a Korneta, com LPs importados e equipamentos de som high-end.

Eu sou suspeito para falar, pois é enorme a quantidade de LPs que guardo até hoje com aquele selinho dourado clássico de extremo bom gosto com o logo da loja em azul escuro. 


(verdade seja dita: a FERRS era na época a única loja de discos da cidade com um logo bacana, bem projetado, e f
oi a primeira a se preocupar em ter uma identidade visual forte) 

Sempre achei que o Fernando e o Paulo tinham uma atitude cosmopolita e uma postura pouco sorridente, que vez ou outra entrava em rota de colisão com estratégias de venda maneiristas e pegajosas praticadas por outros lojistas do ramo na cidade. 


Graças a isso, os dois irmãos ganharam fama de antipáticos, e
cagavam solenemente para esse mimimi provinciano local. 

Sabiam o que estavam fazendo, tanto que a FERRS sobreviveu a todos os seus concorrentes nesses 43 anos com instalações de dar inveja à maioria das lojas de discos de São Paulo. 


Eu bato palmas para a FERRS p
elo alto padrão de comércio praticado nesses 43 anos e também pela tenacidade. 

Obrigado, Fernando. 


Obrigado, Paulo (in memoriam). 


Que bom que vocês fizeram a diferença. 









A propósito: tem uma liquidação rolando tanto na loja física do Parque Balneário Shopping quanto na loja virtual da FERRS:  http://www.ferrs.com.br/ferrs/









Tuesday, January 20, 2015

STREET CHEF FOOD PARK APORTA EM SANTOS MEIO LONGE DA ORLA


(publicado originalmente no website Eu Sou de Santos)


A onda dos Food Trucks e das comidinhas de rua chegaram a Santos. Na última Quinta-feira, teve início na cidade o “Street Chef Food Park”. O evento, trazido de Jundiaí para Santos a convite do Empreendimento Trinity Lifestyle, tem a frente dois jovens sócios com algo em comum: o gosto pela comida. Amigos de infância, lançaram o projeto em Novembro e conseguiram atrair a atenção do segmento com expositores que fazem questão de participar de todas as edições. Boa parte desceu a serra e ficará por aqui até o dia 22 de Fevereiro.
A equipe do website Eu Sou de Santos visitou o evento na Sexta. Além de experimentar e aprovar todas as guloseimas, procuramos ouvir a história de alguns dos empreendedores que resolveram encarar o desafio de deixar a tradicional cozinha de um restaurante atrás de um novo público.
Via Carlo Buffet
viacarlo
À frente do Via Carlo Buffet está o jovem Chef Juan Soares. Aos 15 anos de idade, Soares entrou para a Federação Italiana de Cozinha (FIC) tornando-se o mais jovem do mundo a ser admitido pela organização. Com pais e irmãos cozinheiros, hoje comanda o negócio que há 30 anos está no mercado. Dos eventos empresariais e à domicilio que estavam acostumados a fazer em todo o país, partiram para a comida de rua. O teste deu certo. Hoje o logo do “Street Chef Food Park” está bordado no peito.
Paella: R$ 20 – Baião de Dois: R$ 15
Los Mendozitos
mendozitos
Três sócios são os responsáveis pelo charmoso Los Mendozitos: o argentino Ariel Kogan, Danilo Janjacomo (publicitário e responsável por todo o design e logotipo) e o jornalista André Fischer. Prestes a completar 1 ano, o projeto já conta com 6 trailers em São Paulo e 2 no Rio de Janeiro.
(Valores por Taça)
Malbec (Família Cecchin): R$ 12 | Bonarda (Família Blanco): R$ 14
Rosé Malbec: R$ 12 | Chardonnay Triade: R$ 10
Torrontes (Família Blanco): R$ 14
Espumante Demi-Sec (Família Cecchin): R$ 14 | Espumante Brut (Família Blanco): R$ 15
Doce Arte
docearte
De família chilena, as irmãs gêmeas Marina e Macarena são as responsáveis pela Doce Arte. Com sede em São Paulo, na Rua Adolfo Tabacow, 202, no Itaim Bibi, tem como carro chefe o autêntico Bolo Mil Hojas (uma torta de massa folhada recheada com doce de leite). Arrisco a dizer que foi aqui que experimentei um dos melhores bolos de morango com chocolate branco da minha vida. Tão bom que encomendei um inteiro!
Fatia de Bolo: R$ 10
A Brasileira
brasileira
O projeto A Brasileira começou há 1 ano e no último mês saiu do papel e começou a rodar. A especialidade da kombi é comida brasileira em formato de sanduíche. Dos dois sócios, um morou em Nova Iorque por 6 meses (o suficiente para observar todo o conceito de sucesso dos food trucks na terra do Tio Sam). A equipe conta 5 pessoas (3 tomam conta da cozinha).
Sanduíche de Cupim (com rúcula, vinagrete e molho de ervas): R$ 20
Sanduíche de Sobrecoxa de Frango (com agrião, cebola em conserva e molho de ervas): R$ 20
Picoleteria
picoleteria
Se assim como eu você também acha que a onda das Paletas Mexicanas já extrapolou o limite do bom senso, tenho certeza que você vai amar a Picoleteria. Com sede em São Paulo (no Bairro do Tatuapé), completou 1 ano em Dezembro do ano passado. Sua matéria prima é 100% italiana (com exceção, é claro, das frutas). E convenhamos: nada supera o bom sorvete italiano. Provei dois sabores: Frutas Vermelhas e Torta de Limão (ambos aprovadissimos). Destaque para os diferentes sabores Detox e Gengibre com Mel.
Picolés: R$ 7 | R$ 8
Outros destaques do Street Chef Food Park de Santos:
Carro Chef
Hamburger de Fraldinha (com rucula, queijo, molho especial de tomate com batata rustica): R$ 23.
Batata rústica (com maionese de alho): R$ 15.
Tartari & Peroni Gourmet
Sanduiche de Mortadela do Mercadão: R$ 15.
Sanduíche Costelão: R$ 15.
Sanduíche Buraco Quente: R$ 15.
Pastéis Gourmet: R$ 12.
Cozinha a Dois
Torta Salgada (a fatia) de Frango com Requeijão, Palmito de Pupunha ou Carne Seca com Banana da Terra: R$ 13.
Arroz de Bacalhau: R$ 20.
Camarão Encapotado: R$ 4 (unidade) e R$ 20 (a porção com 6).
Coxinha de Frango: R$ 3 (unidade) e R$ 20 (a porção c0m 8).
A Dogueria
Dogão: R$ 12.
Carne Louca: R$ 15.
Batata Rústica: R$ 12.
Batata Frita: R$ 8.
Onion Rings: R$ 10.
Água de Coco: R$ 6 (lata de 300ml)
Point do CrepeCrepes Doces ou Salgados: R$ 6.
Também fazem parte do Street Chef Food Park: BangBang Beer, Morom (batatas-fritas e polentas fritas), Kombosa (Milk Shakes), Home Chef Ducati e Aim Thai.

Street Chef Food Park

Rua Barão de Paranapiacaba, 55.
Empreendimento Trinity Lifestyle.
De Quinta à Domingo das 16h até às 24.
(Até o dia 22 de Fevereiro)

Saturday, January 17, 2015

TODOS OS CAMINHOS LEVAM À NOVA CASA DO MENO, NO CANAL 4




Ano retrasado, estava eu numa Pizzaria no Canal 5 quando o garçon, antes mesmo de recolher o pedido, começou a trazer os pratos e os talheres para a mesa.

Quando olhei para os pratos, uma surpresa: quase todos tinham a logomarca do White & Red -- o último bar que meu velho amigo Meno Gonçalves comandou, isso há mais de 10 anos, e que funcionava naquela mesma casa.


Dias depois, encontrei o Meno na Banca de Jornais de nosso amigo comum Paulo Sérgio Pinheiro -- na Oswaldo Cruz, em frente à Universidade Santa Cecília --, e comentei o caso com ele. 

Ele desconversou de imediato, e começou a falar de seus planos para o futuro, deixando claro que nunca mais comandaria um bar novamente -- mas poucos meses depois assumiria o comando do Bar e do Restaurante do Clube dos Ingleses.

Meno nunca foi de ficar olhando muito para trás. 

Olha só o suficiente, para ver onde foi que errou aqui ou lí, e onde foi que acertou.

Essa casa nova do Meno, o MenoChopp, promete ser um mix de todos os acertos que ele cometeu na Noite de Santos dos Anos 70 para cá.

Ainda não fui conhecer a Casa, mas já gostei. 

Se der tudo certo, nesse domingo à noite eu passo por lá.

Mas desejo Boa Sorte ao velho amigo desde já, e aproveito a deixa para reproduzir a matéria publicada em A Tribuna do último dia 16.


Chopp do Meno, bar sem ‘raio gourmetizador’

Texto e Fotos de  para A Tribuna (16-01-2015)

Ele estava sumido da linha de frente da cena gastronômica santista há mais de 10 anos e fazia falta. Depois de marcar época, com bares como a Casa do Meno e o Mesa Redonda, Meno Gonçalves está de volta com o Meno Chopp, que fica em uma simpática casa de esquina no Canal 4.

Ali, sem ser atingido pelo raio gourmetizador, ele serve petiscos como a tradicional biribinha, aquela que junta em um palitinho, salsicha e picles. Mas, claro, apreciador da boa comida como é, na biribinha do Meno tem salsichão da melhor qualidade.

Assim como fazia em suas antigas casas, Meno montou uma mesa de frios, onde serve todas as noites receitas diferentes que foi acumulando em muitos anos de bares. Entre elas, um salmão marinado em chá de jasmim, um carpaccio feito por ele ou uma terrine agridoce com bacon. Tudo tradicional, semgourmetização exagerada, que banalize o sabor do ingrediente.

O cliente pode escolher três tamanhos de pratos de tapas. Tem o Egoísta, que vem no prato menor (R$ 12,00), o Para Dois (R$ 24,00) e o Solidário, que é servido em prato raso (R$ 36,00). O próprio Meno monta a porção, sempre variada. Perfeita para beliscar, conversando. Aliás, o slogan da casa já diz: um bar para beber, comer e conversar.

Para quem preferir algo mais substancioso, o cardápio tem grelhados, que vêm em uma chapa quente à mesa. Há opções como picanha, mignon, costelinha suína, linguiça, lombo, entre outras, todos com molhos especiais feitos na casa, e batatas. Os preços vão de R$ 25,00 a R$ 35,00. Os aparecidinhos também são sucesso. A sugestão carne bêbada é feita na cerveja preta desfiada com molho.

Para acompanhar, chope Brahma claro (R$ 7,00), Black (R$ 9,00), Lady (com xarope de framboesa, R$ 9,00), Viúva Negra (Black com espumante, R$ 10,00) ou o Shandi (com limão e sal no copo, R$ 8,50), além de drinques.




Meno Chopp


Av. Siqueira Campos, 342, esquina com Torres Homem

De terça a domingo, a partir das 18 horas






Friday, January 16, 2015

FUGINDO DA DIETA QUE ASSOLA AS SALAS DE CINEMA NO VERÃO


Dieta cinematográfica de Férias de Verão todo ano é a mesma coisa.

Quando não ficamos reféns dos blockbusters infanto-juvenis, que dominam a imensa maioria das salas de cinema, acabamos cercados pelos blockbusters que concorrem ao Oscar -- e que chegam às telas um a cada semana, homeopaticamente, para não ter que tomar salas dos sempre rentáveis blockbusters infanto-juvenis.

Raro é o ano em que algum filme que não se encaixe em nenhuma dessas duas categorias acima consiga a proeza de se manter nas salas de exibição por 2, 3 semanas nos meses de Janeiro e Fevereiro.

"As Duas Faces de Janeiro" é um desses casos raros.

O nome, curiosamente, não tem a ver com essa dieta cinematográfica de que estávamos falando.

É um filme de suspense climático e muito simpático, baseado num thriller psicológico menos conhecido de Patricia Highsmith

Eu vi e recomendo, e aproveito a deixa para republicar a resenha do amigo Carlos Cirne para a newsletter Colunas e Notas:   

"As Duas Faces de Janeiro - As Aparências Não Enganam"
(Carlos Cirne - Colunas & Notas)


A primeira coisa que se percebe, logo nos primeiros minutos de “As Duas Faces de Janeiro”, é uma incômoda sensação de que nem tudo nos está sendo mostrado, ou contado, e que aquelas pessoas escondem alguma coisa. Todas!
Mas aí a gente se lembra de que é um filme baseado em uma obra de Patricia Highsmith - a mesma autora de “O Talentoso Ripley”, entre outros - e todas as nossas dúvidas ficam esclarecidas: eles estão mesmo escondendo algo. Todos!
1962: Rydal (o subaproveitado Oscar Isaac), jovem americano de aparência acentuadamente mediterrânea e poliglota, ganha a vida como guia turístico em Atenas, e tem como rotina seduzir incautas turistas e aplicar pequenos golpes em endinheirados norte-americanos. Durante um de seus tours vislumbra ao longe o casal Chester (Viggo Mortensen, meio sumido desde 2012) e Colette MacFarland (Kirsten Dunst, sem sal como sempre), interessa-se pela garota, mas alega achar o homem parecido com seu recém-finado pai. E dá um jeito de aproximar-se.
Instalada a ambígua tensão sexual no triângulo de protagonistas, resta ao destino virar de ponta cabeça todas as expectativas do público. Uma série de pequenas situações vai aproximando, mesmo que involuntariamente, o jovem do casal em viagem pela Grécia. E os laços se apertam um pouco que por demais.
O que é muito interessante é que as soluções técnicas adotadas pelo estreante diretor Hossein Amini (também autor do roteiro, assim como do roteiro do impressionante “Drive”, de 2011), todas encaminham o espectador para uma sensação de calor e sufocamento - muita luz, areia e fotografia em tons quentes - indescritível. O calor - assim como a tensão e o perigo - chegam a incomodar. Para tanto, também contribui e muito a trilha sonora, assinada por Alberto Iglesias, herdeiro direto de Bernard Hermann e suas hitchcockianas criações (à exceção da música dos créditos finais, esta claramente “anos 60”).
E se você ficar, como eu, incomodado com a figura de Daisy Bevan, que faz algumas cenas como “Lauren”, no começo do filme, não se preocupe, o DNA não mente. Ela é, simplesmente, da quarta geração de uma família de estrelas que inclui seus avós, Tony Richardson e Vanessa Redgrave, sua tia-avó Lynn Redgrave, sua mãe, Joelle Richardson, e sua tia, a bela Natasha Richardson, falecida em 2009.

As Duas Faces de Janeiro

(The Two Faces of January - 2014 - Reino Unido / França / EUA - 96’)

Direção: Hossein Amini

Com: Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Oscar Isaac, Daisy Bevan e David Warshofsky



Em cartaz no Cinespaço Shopping Miramar
confira os horários das sessões em: 
http://cinespaco.com.br/home/