Skip to main content

ERYK ROCHA SE REVELA UM DOCUMENTARISTA TOTALMENTE ORIGINAL EM "CAMPO DE JOGO"

por Sérgio Prior
publicado originalmente em www.setimaarte.iron.com.br


O filho de um dos maiores cineastas brasileiros, Glauber Rocha, fez um documentário - sem entrevistas, é bom frisar - sobre uma das expressões culturais fundamentais para se conhecer o Brasil, o futebol.

Apesar dos ótimos filmes de Ugo Giorgetti, "BOLEIROS" e alguns documentários sobre os principais astros que pisaram os campos de futebol em nosso território, pouco se produziu sobre o tema no cinema.

 Não há comentaristas "mauricinhos" falando sobre estatísticas. 

As grandes jogadas, as grandes arenas e o gramado perfeito também estão ausentes.

Eryk abre o documetário com a colocação de cal para delimitar o "campo de jogo'.

A final do campeonato dos times da favela do Sampaio, no Rio de Janeiro, entre o "Geração" e o "Juventude", mobiliza epicamente toda a comunidade. 

Não à toa Eryk utiliza a ópera como trilha sonora em algumas partes do documentário.

As faces dos espectadores, moradores do complexo de favelas de uma região próxima ao estádio de Maracanã, encaram o jogo mais importante do que um Fla X Flu.

Eles estão representados dentro das quatro linhas por jogadores com os quais convivem diariamente.

O mundo externo é esquecido, exceto quando as câmeras mostram um helicóptero sobrevoando próximo ao "campo de jogo".

Todos estão magnetizados pelo espetáculo que observam.

As preleções dos técnicos, longe de fazer leituras táticas, são de uma intensidade que se eu fosse jogador eu entraria e campo e iria ao meu limite pelo meu "chefe".
 
Eis a diferença entre o futebol pasteurizado que domina o esporte no Brasil e as verdadeiras raízes que foram as responsáveis que formataram equipes e seleções que se caracterizaram a arte em forma de futebol.

Atualmente, graças a Eryk Rocha, a arte pendeu para o lado do cinema.

Quem sabe, um dia, teremos arte nas telonas e nos campos concomitantemente.
CAMPO DE JOGO
documentário
(2015 - 71 minutos)

Direção
Eryk Rocha

Roteiro
Eryk Rocha 
Juan Posada

Fotografia
Leo Bittencourt

Edição
Renato Vallone

Música
Jorge Amorim


EM CARTAZ NO CINESPAÇO SHOPPING MIRAMAR



Comments

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.