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AS BOAZUDAS DOS ANOS DE OURO DO CINEMA BRASILEIRO: NÍDIA DE PAULA
























Nídia de Paula tem 77 anos de idade.


Quem a vê hoje, trabalhando como corretora de imóveis numa imobiliária no Morro do Vidigal, pode demorar um pouco para reconhecer nela a morena linda e libidinosa que virou símbolo sexual nos anos 70 desfilando nua em mais de 18 pornochanchadas produzidas no Rio de Janeiro, e que enlouqueceu milhares de marmanjos babões com seu corpo escultural vestindo absolutamente nada na capa e nas páginas de STATUS, ELE&ELA e PLAYBOY.

 Nascida em Lage do Muriaé, uma cidadezinha de dois mil habitantes na divisa do Rio com Minas, Nídia Maria de Paula começou a atuar ainda pequena, aos 8 anos, em peças infantis na escola onde estudava, e na adolescência participou de montagens de A Exceção e a Regra, de Bertold Brecht, e de Picnic no Front de Fernando Arrabal.

Chegou ao Rio em 1970 para estudar direito, mas logo um olheiro a convidou para fazer algumas fotos, e em pouco tempo ela já estava na capa de O CRUZEIRO e de FATOS E FOTOS.

Virou uma modelo muito requisitada, provocando engarrafamentos em todo o Brasil ao aparecer de biquini com seu corpo bronzeado de linhas perfeitas em outdoors do bronzeador Copertone em 1971.

Daí para o cinema foi só um pulinho.

E o resto é história: 18 filmes realizados entre 1972 e 1979, quase todos sucessos de bilheteria que encheram os bolsos de produtores, mas que não permitiram a Nídia sequer comprar um apartamento no Rio para sua mãe.

Por essas e outras, Nídia de Paula abandonou sua carreira no cinema de forma definitiva em 1981, para nunca mais voltar.

Quem a acompanhava no cinema, por sua vez, nunca a esqueceu. Como esquecer aquele corpo arrebatador? Impossível... Eu confesso que tive uma espécie de revelação ao assistir no cinema Ainda Agarro Esta Vizinha em 1975, quando a vi pela primeira vez falando e se movimentando e pude confirmar que aqueles belíssimos seios que ela exibira poucos meses antes nas páginas da revista STATUS não só existiam como balançavam suave e maravilhosamente.

Nídia de Paula foi tão impactante na minha adolescência que até hoje, quando vejo que algum de seus filmes está programado para passar na sessão Como Era Gostoso o Nosso Cinema do Canal Brasil, fico em polvorosa, e não sossego enquanto o filme não acaba, mesmo estando com sono e tendo que acordar cedo no dia seguinte.

Nídia merece... Nídia é demais...
(Chico Marques)

 


 


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