A canadense Dorothy Stratten é, de todas as páginas negras que envolvem a história da Revista PLAYBOY, a mais assustadora, com toda a certeza, pela crueldade monstruosa com que foi assassinada por seu ex-namorado. Pela primeira vez, o conceito de "Girl Next Door" vendido pela revista foi alvo do que poderíamos chamar de "a ação de um vizinho psicopata". Dorothy era linda, tinha um jeito quase angelical e uma beleza delicadíssima, como comprovam as fotos a seguir. Estava trabalhando em algo que pouquíssimas Coelhinhas conseguiam: uma carreira no cinema. Primeiro através de Hugh Hefner no abacaxi de ficção-científica "Galaxina". E depois na comédia lelouchiana de Peter Bogdanovich "They All Laughed", onde contracena com Ben Gazzara e Audrey Hepburn. Tudo isso foi interrompido por uma crise de ciúmes com um revolver carregado à mão. A morte de Dorothy gerou uma reflexão que envolveu diversos setores da Sociedade Americana, gerando argumentos para puritanos em campanhas contra a revista e para grupos que lutam por algum controle federal na venda de armas de fogo. Nada disso deu em coisa alguma, obviamente. Mas, de qualquer maneira, o incidente manchou de forma terrível o Universo PLAYBOY por uns bons anos. A direção da revista passou a ser muito cautelosa em relação a candidatas a Coelhinhas que tivessem problemas conjugais mal resolvidos, e algo semelhante nunca mais se repetiu -- o único incidente macabro envolvendo alguma Coelhinha nos anos seguintes foi o suicídio por OD da voluptuosa Anna Nicole Smith, mas ela já não tinha mais qualquer relação com a revista há muitos anos. Enfim, Dorothy virou filme duas vezes -- primeiro no TV-movie chinfrim "Diary Of A Centerfold" (1981), com Jamie Lee Curtis fazendo Dorothy, e depois no brilhante "Star 80" (1983), de Bob Fosse, com Mariel Hemingway. Ambos estão esquecidos 55 anos após a morte de Dorothy. Curiosamente, o diretor de cinema Peter Bogdanovich, que era namorado de Dorothy quando a carnificina aconteceu, acabou anos mais tarde se casando com a irmã mais nova dela. Muito parecida com ela, diga-se de passagem. Mas ao menos Bogdanovich era maluco manso, sem vocação para psicopatia. (Chico Marques)
Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

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