Skip to main content

DIÁLOGOS DE PLANTÃO (por JR Fidalgo)

 



– E agora?

 

– E agora o quê?

 

– O que você vai fazer?

 

– Por que a gente tem sempre que fazer alguma coisa?

 

– Por que é a ordem natural das coisas. Acaba uma coisa, começa outra.

 

– Se é assim, a gente não precisa fazer nada, já qua as coisas simplesmente começam assim que as outras coisas acabam.

 

– Não enrola. Você sabe do que eu estou falando.

 

– Não, não sei do que você está falando e gostaria que você me deixasse em paz, aqui no meu canto. Eu não preciso fazer porra nenhma pra continuar existindo. Basta continuar respirando, é o suficiente. Será que você é tão idiota que não percebe isso?

 

– Você vai acabar se intoxicando, tendo uma overdose.

 

– De quê?

 

– De tanto ar entrando pelo seu nariz.

 

– Não seja estúpido.

 

 

– Tudo bem, então diz aí!

 

– Diz aí o que, porra?

 

– O que você vai fazer agora?

 

– Nada, absolutamente nada. Vou ficar sentado aqui, quieto, bem quieto, respirando…

 

-Boa sorte, então.

 

– Obrigado. Abra a janela antes de sair.




JR Fidalgo: um jornalista que tem preguiça de perguntar, um escritor que não tem saco pra escrever e um compositor que não sabe tocar. (mas que, mesmo assim, já escreveu e publicou três ou quatro romances e uma quantidade considerável de canções ao longo dos últimos 50 anos)








Comments

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.