FOGUEIRAS
NA ESTRADA
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letra para um parceiro
Eu
era um menino alegre e distraído,
que
brincava todo dia no terreno baldio
Aos
sete, construí meu clube secreto,
Na
placa: forasteiros não são bem-vindos.
Minha
mãe era um sol no centro da casa,
sabia
o nome de todos os meus anjos,
meu
pai era o chão debaixo dos meus pés,
mas
eu só queria um abraço e um beijo.
Naquele
espelho do fim do corredor
me
olhava sem saber se gostava de mim.
Aos
dez anos, já pensava e sentia,
sabia
que a vida é curta e acaba.
Sempre
gostei das meninas bonitas,
do
olhar, do jeito, de um ombro despido,
inventava
amores antes dos amores,
fantasiava
com pecados sem saber pecar.
Eu e
elas na sala de fantasia.
Não
pode, menino. É proibido!
Quem
foi que escreveu
as
regras deste lugar?
Então
vieram os quinze anos,
e eu
parti sem sair de casa.
Anarquia,
anticlericalismo,
um
cabelo comprido, uma guitarra.
Depois
os livros, depois as drogas,
depois
a fome incandescente,
a
camisa preta, o amplificador,
essa
predileção por não me enquadrar.
Experimentar,
experimentar, experimentar,
experimentar,
experimentar, experimentar
experimentar,
experimentar, experimentar,
experimentar...
Subi
no barco, a família à margem,
me
fui em busca de um outro país,
uma
periferia onde eu coubesse,
alguma
fronteira, alguma canção.
Joguei
ioiô na beira do abismo,
mergulhei
no mar sem saber nadar.
Você
não vai ver nenhuma foto minha,
porque
eu estava fora da cena, a vagar.
Tornei-me
o forasteiro que repelia.
Juntei
gente, abri caminhos,
fiz
fogueiras no meio da rua
jamais
aceitei que estava sozinho.
E
agora?
Agora
a viagem é outra. Ou não?
Não
tenho mais meus quinze anos,
não
me tornei nenhum poeta romântico
A
cabana do clube baldio segue por lá,
mas
nenhuma manhã é tão simples.
Cicatrizes
na pele de quem foi soterrado
Rugas,
pálpebra caída, barba branca,
um
coração que absorve a luz de meio-dia
e
uma guitarra que harmoniza com o grito.
Talvez
nunca tenha existido
essa
avenida que eu via de longe.
Talvez
meu caminho fosse este mesmo:
cheio
de desvios e amores sequenciais.
Ainda
ando pela margem,
Ainda
não sei aonde isso vai dar,
Mas
não vou mais desviar de rota:
Não
quero mais partir, quero ficar.
Jornalista.
Escritor. Gestor público e de organizações do terceiro setor. Empreendedor
social. Realizador multimídia. Mentor de laboratórios de inovação. Professor.
Palestrante. Estudante. Pesquisador. Estrategista. Letrista. Guitarrista
amador. Arteiro. Ativista. Comuneiro. Poeta.



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