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UM POEMINHA SAFO DO IMPLACÁVEL POETA CARIOCA CHACAL

 


O VERSO LIBÉRRIMO

 

depois do verso metrificado e sua música preexistente

o verso livre, letra e música do poeta

depois do verso livre, limitado ainda à superfície plana da página

o verso libérrimo, em 3D ao vivo e a cores a todos os sentidos

 

o verso tem cheiro?

no verso libérrimo yes

ali se misturam sangue e suor do autor e do leitor

agora ouvinte vidente

 

o verso libérrimo pinta borda fede cheira

o verso libérrimo troca gases fluidos corporais

o poeta não fala mais pras paredes

no verso libérrimo, autor/leitor ouvinte/vidente

são polos da mesma conversa

um completa a falha do outro

 

o verso libérrimo — mais que livre — incita à liberdade

olhar ouvir cheirar tocar falar com o corpo inteiro

conectado ao outro aos outros à vila à vida

 

verso libérrimo, gozai por nós!


Chacal, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, nasceu no Rio de Janeiro no dia 24 de maio de 1951. É poeta, cronista, letrista e dramaturgo. Estudou Comunicação Social na UFRJ. Pertenceu à geração que utilizava o mimeógrafo para imprimir e divulgar os seus poemas. Junto com Francisco Alvim e Cacaso, participou em 1975 do grupo Vida de Artista. Logo em seguida, com Charles Peixoto, Bernardo Vilhena e Ronaldo Bastos, fundou o coletivo Nuvem Cigana, grupo que teve larga atuação na vida carioca no final da década de 1970. A sua obra poética está reunida no livro “Tudo (e mais um pouco)”, publicada pela Editora34 em 2016. Como letrista, tem parcerias com Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira, Rogério Duarte, Evandro Mesquita, entre outros.



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