Skip to main content

FESTA (um poema de Luiz Carlos Lacerda)



FESTA

(para minhas amigas lésbicas)



Safo na Ilha de Lesbos
Chupa as frutas todas
Com sua língua de lagarta que cicia

Entre suas pernas a orquídea molhada
rega o leito das virgens
que alicia
e beija suas róseas moléculas
como chupasse estrelas no universo.

Agasalha com o seio o leite das meninas
que mamam-lhe os peitos
cheios de promessas.

Campos arados cercam lagos imensos
onde mergulham as coxas entreabertas
E já plantaram óvulos na véspera.

Ontem as fogueiras formaram um só cinzel
como campos minados onde nada nasce
E elas preparam-se para a festa,
enchem de flores as jarras de barro
deitam toalhas de linho sobre as mesas
e os lençóis engomados
- todas férteis

Safo reina soberana em toda Lesbos.

Agosto de 2013.
(do livro inédito "Reis de Paus")

Luiz Carlos Lacerda
nasceu no Rio de Janeiro
em 15 de Julho de 1945.
É diretor e roteirista de cinema,
autor de "Leila Diniz", "For All" e "Viva Sapata!",
e seu novo filme,
"Introdução À Música do Sangue",
vem fazendo uma bela carreira em Festivais
e chega ao circuito comercial em breve.
Como escritor, Lacerda possui
vários títulos publicados sobre cinema,
além de um belo livro de poemas
intitulado "Os Sais da Lembrança",
que pode ser adquirido AQUI
no website da Editora Giostri,
que o publicou.




Comments

Popular posts from this blog

VINGANÇA (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.

A SURRA DE PICA QUE MEU IRMÃO DE DEU (um conto devasso de Emmanuelle Almada)

Meu nome é Sara e sempre fui uma menina muito caseira. Morava em um sítio no interior do Rio Grande do sul, e levava uma vidinha bem pacata. Cedo pela manhã eu tirava leite das vacas, alimentava os animais e fazia comida para meu pai e meus irmãos: um de 12 e outro de 14 anos. Sempre cuidei deles. Minha mãe morreu quando ainda eram muito pequenos, e eu assumi as responsabilidades da casa, mesmo sendo ainda uma menina. Nossa casa ficava longe da cidade mais próxima e para mim era praticamente impossível sair de lá para fazer qualquer coisa, daí vivia praticamente confinada naquele lugar. Meu pai é que saía, às vezes acompanhado por um dos meus irmãos, para levar leite para alguns mercadinhos da cidade, e passavam o dia inteiro fora. Eu ficava em casa cuidando do meu irmão menor, que era muito apegado a mim, me seguia onde quer que eu fosse. Era um menino franzino, de pele pálida e cabelos lisos, negros. Eu admirava a ingenuidade daquele anjo, sempre muito prestativo e car...

DOMADA PELO SEXO (um catecismo clássico de Carlos Zéfiro)

Carlos Zéfiro (1921-1992) é o pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha, que ilustrou e publicou durante as décadas de 1950 a 1970 histórias eróticas em quadrinhos que ficaram conhecidas por "catecismos", educando sexualmente pelo menos três gerações de brasileiros das mais diversas faixas etárias. M uito antes do advento das revistinhas suecas, da Ilha do Sol de Luz del Fuego, e dos filmes de Ron Jeremy.