COPA 2026: EMOÇÕES EU VIVI, DURANTE OS 104 JOGOS (por Marcelo da Silva Antunes)
Fim
dos jogos. Fim da Copa. E essa em especial deixou sentimentos confusos e afetos
ainda a serem digeridos, listo alguns provocados em mim ao longo desses 104
jogos. Devo ter visto mais de 100.
Raiva:
O começo da Copa era de raiva, um desejo de boicotar a FIFA e os Estados
Unidos, por suas recentes e históricas atrocidades. Absurdo completo essa Copa
ser nos EUA no momento em que eles estão encharcados com sangue de guerras,
provocadas por eles mesmos. E eles se esforçaram na destruição do futebol,
mudando regras, dividindo o jogo em 4 tempos, colocando Djs nos estádios e
aumentando o número de seleções. Esperava por jogos terríveis com essa
quantidade de países e essa desorganização.
Beleza:
Mesmo com esses caminhos da FIFA e dos EUA, quando o melão rolou, histórias
bonitas surgiram, como Cabo Verde e Curaçao em suas primeiras Copas, a emoção
dos atletas e dessas populações, o futebol beleza pura da França, com um time
que já está entre os melhores times que eu vi jogar desde 2002 em Copas, não me
lembro de um ataque tão avassalador como Mbapé, Olise e Dembélé. A beleza dos
estádios do México e de sua torcida envolvente. E teve o Messi aos 38 anos
desfilando nos gramados, desafiando o tempo, se recusando a parar de fazer
coisas bonitas em campo. Fez a melhor Copa de sua vida.
Coragem:
Cada jogo contou uma narrativa épica, foi a Copa das lutas, batalhas travadas
em campo e de muita energia dos atletas, jogos em sua maioria muito
equilibrados e com fortes emoções. Seleções valentes como Cabo Verde,
Argentina, Inglaterra, Congo, superando seus limites em cada partida e dando
gosto de ver a entrega nos gramados.
Frustração:
O técnico italiano mais bem pago da Copa, com a seleção brasileira fazendo um
papelão, capitaneada por um ídolo de papelão e outros jogadores garotos
propaganda de bets. Faltou entrega, faltou vontade, faltou tudo. E nossos
hermanos uruguaios? Sobrou confusão e faltou futebol, faltou garra, faltou
inconformidade, sobrou o caos e ficou em cacos.
Melancolia:
A disputa de terceiro e quarto lugar foi de uma melancolia, uma coisa sem
sentido nenhum, uma tristeza, com muitos gols, um jogo sem espírito de futebol,
compreensível, os jogadores não deveriam estar animados depois de uma dolorosa
eliminação e uma impossibilidade de jogar uma final, enfrentando mais um jogo
que não poderia dar alegrias para eles. Esse jogo poderia ter sido um e-mail.
Chatice:
O futebol Espanhol é muito legal em seu projeto, sua ideologia, com alguns
jogadores fascinantes como Yamal e Cucurella, porém, é muito chato assistir uma
posse de bola sem sentido, sem agressividade, sem criatividade, só toque e
toque, como um Barcelona sem o Messi, sem o Etoo, sem um Ronaldinho, sem um
molho latino ou africano. Nem o Yamal consegue performar como no Barcelona,
eles não têm nem um mísero Raphinha (pelo menos atrapalha) nas pontas. Chato.
Campeões.
Confusão:
Uma tese de que os argentinos eram os mais racistas da história das Copas (não
estou dizendo que não exista racismo por lá – e que deve ser combatido com
seriedade) e uma torcida feroz para qualquer outro país contra eles, ignorando
o contexto histórico-politico e social levado em conta contra os Hermanos. Se
fosse só pela galvãobuenização ainda vá lá, mas essa onda de hate achei
estranhíssima e desproporcional. Teve gente que torceu até pros Vikings e pra
países colonizadores – cada um torce pra quem quiser ou pra ninguém, o que é
mais divertido em uma Copa.
Foi
uma Copa cheia de enganos, construções e conspirações, tiveram opiniões sobre
tudo e sobrou pautas, temas e leituras. O futebol é mesmo uma caixinha de
surpresas e proporciona diversão, entretenimento, formação política e tática,
mais uma Copa vivida com muita emoção.
Ano
que vem tem mais.
Copa
do mundo feminina no Brasil.
E sem um técnico italiano e um ex-jogador bolsonarista.
Marcelo da Silva Antunes nasceu em São Paulo. É editor do selo literário Borboleta Azul e da Revista Agagê80 (Brasil/Portugal) agitador cultural e orientador de escrita criativa. Tem textos publicados em diversas revistas no Brasil e no Peru (Universidade Nacional Maior de São Marcos). Publicou diversos livros entre eles, VIVAVACA -2017, SP: Sem Patuá (editora Patuá) - 2018, Outros Cortes (Selo Borboleta Azul) -2019, Manifesto da hora que o couro come (Selo Borboleta Azul) -2020 e Tragédias (Selo Borboleta Azul) – 2022.




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