COPA 2026: PERCURSOS (por José Guilherme Vereza Julho 01 2026)
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Confesso
que o percurso do ônibus da seleção brasileira entre o hotel e o estádio me
emociona legítima e infantilmente. Sinto que lá dentro carregam-se esperanças,
redenções, alegrias iminentes, possibilidades de abraços, gritos e choros.
E
memórias insistentes.
Ainda
sobre percursos. Lembro que em 62, da janela do meu quarto num prédio da
Tijuca, eu vi o Constellation da Panair, escoltado por caças da época, revoando
a cidade até se aproximar do Galeão, na Ilha do Governador, bem na direção
oeste do meu olhar mais atento que um controlador de voo. Iam e vinham à minha
janela, como se me saudassem. A bordo, os bicampeões do mundo, em seus ternos
bem cortados, suas gravatas tronchas de cansaço, seus sorrisos justos, me
embeveciam só de imaginar que estariam perto de mim. Ou, quem sabe, acenando
para mim.
Copa tem dessas coisas.
Escrevo
na semana em que o Brasil tem a Noruega no percurso, para fechar o domingo. Ou
a esperança. Não sei que emoção me veste agora. Se a euforia persistente do
jogo contra o Japão ou a consciência assustadora de que do outro lado estará um
timaço, com seu cometa goleador fenomenal, cara de bebê ajustado grandalhão por
Inteligência
Artificial, jogador completo, forjado pela natureza e leite norueguês.
Não sei o que vou sentir quando o ônibus do Brasil iniciar seu percurso para o estádio. Aconteça o que acontecer, que a maturidade me ilumine a amenizar uma decepção. Faz parte. Ou me liberte a esvair em lágrimas e rouquidão por mais uma emoção que finca na memória. Também faz parte.
Aliás, a melhor parte do
percurso.
José
Guilherme Vereza
José
Guilherme Vereza é publicitário, redator, diretor de criação, escritor,
ficcionista, cronista, roteirista. Pós graduado em Pedagogia, acrescentou o
“professor” nessa lista de coisas que gosta de fazer. E não para por aí. É pai
de quatro (objetiva e subjetivamente), avô de dois, metido a cozinheiro,
botafoguense típico, ama escrever. Ter sido convocado para o timaço do Crônicas
da Copa é seu imodesto gol de placa.



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