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SOPRAMOS 80 VELINHAS PARA A BELA E TALENTOSA STEFANIA SANDRELLI (Viareggio Italia Julho 05 1948)













Quando criança, Stefania Sandrelli sonhava em estudar dança e coreografia, e foi para Gênova estudar com o maestro Ugo Dallara. Ele também amava cinema. Juntamente com seu irmão Sergio, assistia a três filmes por dia. Acabou virando atriz nos filmes em 8mm que seu irmão Sergio filmava em casa. Predestinação?

 

Talvez. 1961 foi o ano da virada para ela, tanto profissional quanto particularmente. Stefania tinha apenas 15 anos quando conheceu o primeiro grande amor de sua vida, Gino Paoli. Logo depois, Stefania também conheceu o primeiro grande diretor de sua carreira, Pietro Germi, que a chamou para Roma para uma audição, após ver uma foto dela no "Le Ore", uma revista semanal da época. A foto foi tirada por Paolo Costa, um fotógrafo romano que passava por Viareggio, mas Germi deixou passar dois meses antes de se decidir e, nesse meio tempo, Stefania correu atrás e ganhou papéis em dois filmes: “Gioventù di Notte”, de Mario Sequi, e “Il Federale”, de Luciano Salce. Só então Germi então a convocou para as filmagens de “Divórcio ao Estilo Italiano”, que faz carreira internacional depois de ganhar o Oscar de Melhor Roteiro.

 

Stefania Sandrelli casou-se com Pietro Germi. Em 1964, nasceu a filha dos dois, Amanda – mesmo ano em que ela ganhou reconhecimento como atriz por mais dois filmes dirigidos pelo marido: “Seduced and Abandoned” e “Io La Conosceno Bene”, nos quais ela brilhava intensamente.

 

Cinco anos mais tarde, já separada de Pietro Germi, e com o physique-de-role adequado para papéis adultos, Stefania Sandrelli foi escalada para o elenco de “O Conformista”, de Bernardo Bertollucci. Resultado: virou uma estrela internacional. Outros grandes sucessos de bilheteria vieram na sequência, como “Alfredo Alfredo” e algumas comédias sexy italianas que a tornaram uma atriz muito popular.

 

Mas então ela fez o arrebatador “Nós Que Nos Amávamos Tanto” de Ettore Scola, uma obra prima do cinema europeu dos Anos 70, onde contracena com ninguém menos que Vittorio Gassman e Nino Manfredi. E depois fez o delicioso “Aquelas Estranhas Ocasiões”, de Luigi Comencini, que veio seguido do grandioso “Novecento”, de Bernardo Bertollucci. Entrou de vez para o primeiro time das atrizes européias.

 

Stefania sempre trabalhou muito, tanto na Itália quanto na França. Engatava um papel no outro. Mas, como toda bela atriz italiana, teve dificuldade em conseguir papéis no início dos Anos 80 -- época em que o cinema italiano, antes tão plural, ficou restrito a filmes extremamente violentos, filmes de horror e filmes assunigamente pornográficos.  


Em 83, Stefania topou estrelar “A Chave”, filme polêmico de Tinto Brass, onde ela, já com quase 40 anos, aceitou o desafio de fazer tórridas cenas de sexo. Sua carreira poderia ter sido seriamente maculada com essa escolha. Mas aconteceu o contrário: "A Chave" conseguiu um público enorme pela Europa, ultrapassando "Rambo" em bilheteria e revelando que, além de ser uma grande atriz, Stefania também era uma mulher naturalmente transgressora e surpreendente.


Os diretores de cinema passaram então a competir por ela, e ela só trabalhou com os melhores do ramo: Odorisio (Momento Mágico), Steno (Mi Faccia Causa), Quaregna (Uma Mulher no Espelho), Giuseppe Bertolucci (Segredos Secretos), Lizzani (Mamma Ebe), Monicelli (Vamos Torcer para que Seja Uma Mulher), Soldati (A Noiva Americana), Gabòr (A Noiva Era Bela), Bigas Luna (Jamon Jamon) e tantos outros. Sem contar os filmes de Ettore Scola, que passam a tê-la sempre no elenco – o caso de “A Família”, “O Jantar” e “O Terraço”.

 

Na década de 90, Stefania Sandrelli viu os convites para o Cinema reduzirem, e passou a se alternar papéis entre o Teatro e a Televisão. Não hesitou em fazer cenas de nudez com mais de 50 anos de idade, o que chocou o público mais conservador -- mas não os que conheciam bem seu espírito rebelde e libertário. 


Aos poucos foi cansando dessa brincadeira e se recolheu ao ambiente familiar, trabalhando apenas esporadicamente. Recentemente, ressurgiu com um papel de destaque em “Parthenope”, belíssimo filme do genial Paolo Sorrentino, e voltou a brilhar intensamente às vésperas dos 80 anos de idade. Uma atriz destemida e implacável. Difícil não se encantar com ela, e com tudo o que ela proporcionou ao cinema italiano e europeu. (Chico Marques)










































































































































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