COPA 2026: SELEÇÃO FRANCESA ARREBENTANDO (por Leandro Rodrigues)

 


Seleção francesa arrebentando, praticamente indestrutível, nesta Copa do Mundo.

 

Por aqui, curto os dribles, passes e gols de Mbappé, Dembélé e companhia, ao som do pop folk de cabaré, com pegada jazzy e dois pés na chanson, de  "Recto Verso", de 2013, segundo álbum da sensacional cantora Zaz, uma das maiores representantes da Nouvelle Scène da música francesa, onde ela passeia sua voz encorpada, levemente rouca e quebrada, cheia de energia e de interpretação marcante, em delícias, que representam os dois lados contrastantes de sua personalidade: o luminoso, idealista (Recto), representado  pelo contagiante hit "On Ira", composta pelo produtor Kerradine Soltani (responsável também por lança-la e pelas composições dos hits do seu aclamado álbum de estréia), a saltitante "Gamine" (que tem um divertido video clipe), com o empolgante riff de teclado de Sylvain Lux, o apelo ecológico "T'Attends Quoi", a batida gypsy pop de "Déterre", que tem  o vocal urgente de Zaz, alternando entre o quase falado e o percussivo, e explode num solo de guitarra do requisitado multi-instrumentista e produtor canadense James Bryan e o lado mais íntimo, emocional (Verso) presente na mensagem de renascimento de "J'ai Tant Escamote", emoldurada pelo envolvente acordeon de Thierry Faure e a rouquidão quase vulnerável da cantora transitando entre o intimismo e a intensidade, a balada chanson "Le Lessive", conduzida pelo violão de Frédéric Volovitch, do duo Volo, que é também seu compositor, "Toujours", que também traz Volvich na composição e remete aos tempos em que ela se apresentava cantando nas calçadas de Paris e Toulouse, a balada chanson  "Si Je Perds", movida a fender rhodes e vocais dobrados, e ainda o pop brilhante de melodia vibrante "Nous Debout", a regravação de "Oublie Loulou", de Charles Aznavour, com o vocal scatato de Zaz duelando com o violino de Mathias Levy e o tango "La Lune", que encerra a viagem sonora com compassos ternários, violinos, cello e os dedilhados do violão de Bryan.

 


Mesclando o pop fofo de produção polida, vocais doces e letras otimistas (Recto) com o passado orgânico, instrumentos nada convencionais na cena atual, letras soturnas e atmosfera de cabaré da clássica boêmia francesa (Verso), Zaz criou um trabalho de modernidade nostálgica, uma atualidade em plena conversa com o passado, que invadiu as paradas de língua francesa e se tornou sucesso internacional,  assim como os dribles de rua, o toque refinado e a genialidade instintiva de Mbappé e sua turma nos dão uma sensação de deja vu do futebol moleque de outrora em meio ao ultrarrápido, eficiente e estatístico futebol moderno no qual ele é campeão.

 

Maravilhas contemporâneas.




Leandro Rodrigues 

(jornalista, historiador e pesquisador musical)







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