O DISCO DE CABECEIRA DE MAURO PINHEIRO CRUZ: "EMOTIONAL RESCUE" DOS ROLLING STONES
Prezados
amigos! Confesso que quando LEVA UM CASAQUINHO me convidou para resenhar um disco meu de
cabeceira, tive certa dificuldade em selecionar qual seria “o escolhido”, pois
iria precisar de uma cabeceira de bom tamanho pela impossibilidade de se deixar
apenas um em destaque. Porém, ao invés de dedicar minutos de prazer e dedicação
para “o” disco, resolvi por “um” disco, por sinal o qual escutei hoje, no caso
o delicioso "Emotional Rescue" dos Rolling Stones. Eles vinham de uma exaustiva
(e lucrativa) turnê americana de 1979, e ao final desta, foram para as Bahamas
para descansar e preparar o novo disco, e sou capaz de apostar que também se
divertir bastante, a la Rolling Stones, se é que fui claro rsrs. É certo que o
disco anterior (o fantástico "Some Girls", 1978) soava quase punk em algumas
canções e tem produção dura e crua, dando a entender que o disco seguinte
tenderia a contrabalancear mesclando ritmos e tempos um tanto quanto mais
amenos. E foi exatamente assim que se deu. "Emotional Rescue" abre com uma batida
quase “disco” na charmosa “Dance pt1”, com direito até a cuíca na percursão,
tocada pelo ex-Santana Michael Shrieve, conforme indicado nas poucas informações
da contracapa. Na sequência “Let me go” é quase caricata com a batida 4x4
característica ao som dos Stones, uma assinatura do saudoso Charlie Watts. As
Bahamas fizeram tão bem para a banda que “Send it to Me” flerta com o reggae,
ritmo que sempre deu as caras nos discos subsequentes, e ainda
neste lado os “globalizados” Rolling Stones mandam a belíssima “Indian Girl”, com direito a metais “mexicanos”, em um dos poucos momentos em que flertam com
questões sociais, no caso a revolução que se dava na Nicarágua. Ok, mas em se
tratando dos Rolling Stones, é evidente que o lado B traria de volta a velocidade
do disco anterior, com “Where the Boys Go”, típico jogo de gato e rato entre os
flertes de garotos e meninas, e, acredito eu, deva ser sobra do disco anterior.
Ah, e finalmente, um belo blues “Down in a Hole”, com o virtuoso Sugar Blue (um
quase gaitista oficial da banda), onde as guitarras de Keith Richards e Ron
Wood tem espaço para fazer o que ambos nasceram para fazer. Na sequência, um
dos pontos altos do disco, a faixa título "Emotional Rescue", uma aula de
virtuose vocal de Mick Jagger, e cozinha impecável de Charlie Watts e Bill
Wyman, contando ainda com o charme do sax do também saudoso Bobby Keys (esse sim,
praticamente membro da banda). Depois de tudo isso, somos
presenteados com mais um rock típico dos Stones, a divertida “She's So Cold” –
uma de minhas preferidas do disco. E para fechar com chave do ouro, Keith
Richards leva os vocais para a suave “All About You”, fato que manteve por
quase todos os discos posteriores, onde dedica sua voz (ou algo parecido com
isso) a uma belíssima balada. Lançado em 1980, ficou em um limbo entre os
estrondosos "Some Girls" e "Tattoo You", fato que acredito ter colaborado para que
fosse pouco lembrado nas rodas de conversa sobre os grandes discos dos Rolling
Stones. Concordo, também não é meu preferido (título móvel que vira e mexe cabe
ao "Sticky Fingers"), mas é um grande disco. Produzidos pelos Glimmer Twins
(Jagger & Richards), traz nas teclas Ian Stewart e Nicky Hopkins, envolto
em uma capa estranha porém criativa, onde negativos de fotos são expostos a diferentes
temperaturas gerando distorções. Marcou época e ainda hoje, voltando ao inicio
do texto, é um disco “delicioso” para se curtir. Mesmo que esteja chovendo no
molhado a boa parte dos leitores deste também “delicioso” blog, recomendo aos
amigos que dediquem em torno de 40 minutos a prazerosa audição do "Emotional
Rescue". Abraços!




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