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VAMOS EM FRENTE (por Alvaro Carvalho Jr)




Ninguém, ou melhor, nenhuma equipe, tem a obrigação de ser campeã do mundo. Quem define o maioral é, exatamente, a regularidade, a vontade de vencer e a condição técnica. A seleção brasileira, nesta última quarta-feira, mostrou que sabe o que quer e que pode, sim, chegar ao título. Não que a vitória sobre a Sérvia tenha demonstrado uma equipe defintiva, eficiente, brilhante. Mas, com muita atituide, mostrou uma equipe decidida e em condições de evoluir ao longo de competição.

O futebol é a grande definição da imponderabilidade, basta usar como exemplo a derrota alemã para os coreanos e a vibrante e sofrida vitória da Argentina quando ninguém mais apostaria um níquel, tanto na Coréia como na Argentina. Por isso, nem mesmo essa vitória brasileira coloca o Brasil como o grande favorito. México será um adversário complicadíssimo e, caso passe para a outra fase, preparem-se para enfrentar os gigantes do futebol mundial, mesmo com a saída alemã.

Mas, detalhando a partida, descobrimos que Neymar fez sua primeira boa partida neste Mundial. Não caiu, não abusou das jogadas individuais e, principalmente, não abusou das firulas. Jogou para a equipe, tocou a bola na hora certa, deslocou-se bem e arrastou consigo, sempre, dois ou três zagueiros quando pegava a bola. Hora, se três preocupavam-se com ele, outros dois ficavam mais à vontade na partida, matemática simples. Assim, o Brasil passou 90 minutos sem sofrer grandes surpesas, ou sentiu-se afogado e pressionado.

Considero interessantes as análises pós-jogos, quando nosso “entendidos em futebol”, derramam várias teorias, colocam em dúvida a partida ou, simplesmente, acham que o Brasil ainda não jogou bem. Ora, se o futebol é a arte do imponderável, o que discutir de uma vitória de 2 a 0 sem grandes sofrimentos? É preciso entender que duas equipes entram em campo para vencer, independente da qualidade técnica de qualquer uma delas. Volto com o exemplo de Coréia e Alemanha. Tudo se decide dentro das quatro linhas, onde 22 jogadores procuram, incansavelmente, o gol. Lembrem-se, tudo pode aconceter. O mais fraco (teoricamente), pode vencer o mais forte (teoricamente), demonstrando a grande beleza desse esporte bretão. Quando o juiz apita a saída, não existem favoritos, existem tão somente levantamentos que informam quantas vezes um time venceu o outro e nada mais. Caso fosse diferente, os chamados tabus nunca seriam quebrados. Simples assim.

Portanto, o Brasil dá um passo enorme e tem boas chances de chegar à final. É favorito? Quem se arrisca a afirmar. O futebol é tão louco e tão imprevisível que substituições, mesmo que indesejáveis, acabam transformando a partida. Marcelo, considerado o melhor lateral esquerdo do mundo, saiu logo no início e André Luis deu conta do recado, transformando a seleção mais forte em sua defesa. O mesmo se diga do outro lado, onde Danilo era o titular absoluto e acabou derrubado por uma contusão. Seu substituto, o único jogador que não atua em times europeus, Fagner, mostrou que é competente o suficiente para ser o titular. Ou seja, seleção é conjunto, é grupo. Lembrem-se, este talvez o maior exemplo do futebol mundial, Pelé era reserva em 1958 e deu no que deu.

Assim, chego à conclusão de que o Brasil pode chegar lá. Campeão? Não sei, a imponderabilidade do futebol me impede dos dotes de pitonisa. Mas, vamos ser sinceros, a seleção mostrou outra cara, mostrou outro comportamento e mostrou, principalmente, atitude. Uma equipe de futebol se forma com homens, não com meninos. Sinto apenas a falta de um grande líder, Casimiro parece não querer assumir o cargo, e a falta de um capitão. Em todas as cinco Copas que vencemos, saímos do Brasil com o capitão definido, homens inesquecíveis e que comandavam a equipe com linha dura, exigiam garra e determinação. Sempre é bom lembrar que os melhores e mais famosos, nas velhas seleções, nunca foram capitães. Eram, e sempre foram, aqueles quem demonstravam liderança. Esse rodízio de Tita pode ser contra producente, na reta final. Mas, o futebol é imponderável, lembram??? Inté.

PS: A Itália caiu e não chegou até a Copa. A Alemanha (que delícia!) foi desclassificada pela Coréia. O Brasil continuará a ser a única quipe penta campeã. Não sei se isso é importante, mas é um tesão...HE!HE!HE!



Álvaro Carvalho Jr. é jornalista aposentado
e trabalhou para vários jornais e revistas
ao longo de 40 anos de carreira.
Colabora com LEVA UM CASAQUINHO
quando esquece que está aposentado.

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