3 POEMAS (por Walmor Colmenero)

 


FIRE

 A Jimi Hendrix

 

Há um fogo no olhar de Jimi

e uma canção na sua guitarra.

E na sua voz rouca e firme,

voam vidas, canta a cigarra.

 

Que ecoa pelo beijo na escuridão,

despertando a luz do túnel, forte.

Viaja pelo Chile, à exaustão,

Sentindo todo cheiro de morte.

 

Ah!...Mas, há um fogo nos dedos do vento

que eletricamente se extenua,

balbuciando os pensamentos

e os estendendo pela rua.

 

Passa por Joe, pela estrela do mastro fincado,

canta as dores do mundo moderno

e quanto mais for odiado

sente-se mais eterno.

 

A fender destrói padrões,

geme em notas colossais,

triturando os corações

até dos próprios animais.

 

Dispara balas a todo lado

destruindo dogmas e conceitos,

calando a boca do soldado,

exigindo os seus direitos.

 

Ah!...Mas, o pensamento é vão! Ingrato!

Despe o ser humano no seu ninho,

retrata tudo como um fato,

mas deixa o homem tão sozinho.

 



LAMENTO DE UM GUITARRISTA DE BLUES

 

Será que o blues é um pouco de solidão,

é frieza, é exaustão,

saudade de um conto de Machado,

é chorar, é ver-se

e ver um desgraçado

e lamber a lua do infinito?

Será?

Conspirar contra os desígnios da música

e tocar um violão numa estrada poeirenta e deserta.

Trazer de volta a genuína música dos céus.

 



O BLUES

 

Não me venham me condenar pelo blues!

Não me venham!

O que eu quero é poder

te dizer que o som é do Mississipi, do Delta, do New Orleans.

É do guitarrista negro que toca a emoção,

que sente o sentimento e evoca o coração.

A negra velha que faz a roupa do negro velho,

que toca o violão.

Da boca desdentada que grita o blues.

dos dedos magros,

da pele magra,

da pele em ossos,

dos ossos. Blues.

Ontem, eu ouvi um blues e fiquei bem.

 



Walmor Dario Santos Colmenero é um autor santista

Possui o blog O Poeta, o fanzine Escritos 

e o subfanzine O Abacaxi

Edita com Eunice Mendes a revista anual digital Poetizando

Possui vários trabalhos na internet.




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