COPA 2026: MESSI, MALANDRO (por Gustavo Araújo, 24 de Junho de 2026)


 

Hoje, 24 de junho de 2026, Lionel Andrés Messi Cuccittini, nosso querido Lionel Messi, está completando 39 anos de vida. E comemorará seu aniversário junto à seus companheiros na concentração da Seleção Argentina nos Estados Unidos. Por lá, Messi já disputou duas partidas e fez cinco gols nesta Copa do Mundo. Um jogador singular, que ao longo dessas mais de duas décadas de carreira protagonizou memoráveis belezas dentro dos campos de futebol mundo afora e que encanta o tão apaixonado povo argentino com a bola nos pés.


Hoje, 24 de junho de 2026, não há nenhuma referência direta a vida e obra do sambista pernambucano José Bezerra da Silva (pelo menos não encontrada por mim), entretanto, o músico, nascido em 1927 e falecido em 2005, fez sua carreira já em terras cariocas e deu vida a grandes sucessos, dentre eles a canção “Malandro não vacila” composta por Júlio Belmiro Filho. Esses dias entre um jogo e outro da Copa parei para ouvir o malandro Bezerra da Silva e através dessa canção descobri o malandro Messi.


“Malandro não cai, nem escorrega/ Malandro não dorme, nem cochila/ Malandro não carrega embrulho/ E também não entra em fila” dizem alguns versos da música. Desde os primeiros movimentos do 10 argentino nos campos de futebol ele sempre foi conhecido por não cair mesmo após os atos mais fortes e violentos de seus marcadores, mantinha-se de pé e sempre altivo com a bola quase que presa ao seu domínio de pés. Por vezes, quando nos detemos para somente observá-lo em campo, vê-se um jogador que parece aéreo, desligado do jogo, parece dormir, cochilar. Mas não, Messi é malandro, não dorme, nem cochila e num instante recebe a bola e parte em direção ao gol, obstinado a marcar o tento para sua equipe.


Messi, malandro, que não adentra as burocracias do futebol moderno: jogo de táticas quase que exatas, toques de lado pra cá e pra lá, moroso, chato. Messi não entra nessas filas e tampouco carrega os embrulhos de um futebol preso a obediência tática acima de qualquer talento. Ele observa a tudo e todos ao longo dos noventa minutos, possuí seu próprio tempo de escolhas e decisões, ele tem sua própria hora, ou melhor, “ele tem hora pra falar gíria/ Só fala verdade, não fala mentira”: um malandro que rege e ginga seu time em campo.


Como pode uma entidade cultural com simbologia tão importante para a cultura popular brasileira ser associada a um jogador argentino que pouco fala nosso pretuguês brasileiro e que prefere cumbia em detrimento do samba? Coisas que não explico, a inspiração veio como felicitação ao aniversário desta importante figura que tenho o prazer de ver jogar. Feliz aniversário! Messi, malandro!

 


P.S: dedico esse texto ao professor, escritor e querido amigo Flávio Luiz Costa, com quem partilho inúmeras prosas sobre a magia de ver Messi jogar.


Gustavo Araújo é apresentador e produtor do podcast “O Jogo é Hoje”, que discute Futebol, Política e Sociedade. Um dos autores da obra literária “Becos & Bicos” que discute a precarização do trabalho e ascensão de profissões plataformizadas. Professor de história e sociologia. Doutorando em Sociologia com pesquisa sobre o fenômeno social das apostas esportivas no Brasil atual.






 

Comments