SOPRAMOS AS VELINHAS PARA ANGELINA JOLIE (Los Angeles California Junho 4 1975)
Kathleen Hou entrevista Angelina Jolie para ELLE USA
Angelina Jolie me envia um filme. Começa com a panorâmica de um
aglomerado de plantas cônicas que lembram o cabelo de Marge Simpson, com um céu
azul atrás delas e o som de água correndo suavemente. Algumas abelhas entram e
saem da tela, conforme a câmera dá, lentamente, zoom em um espécime
particularmente gordo, com a parte inferior do corpo se curvando sobre uma
flor.
Sua aparência de “home office” é austera, com uma parede branca e
uma cadeira preta de escritório, e ela aparenta estar séria, mas entusiasmada,
conforme fala sobre o programa – uma parceria entre a Guerlain e a UNESCO que
se concentra na promoção do empreendedorismo feminino na apicultura, que agora
está em seu terceiro ano.
Abelhas e mel são fundamentais para muitos dos produtos exclusivos da Guerlain,
incluindo a linha de cuidados para a pele, Abeille Royale. Por meio da
iniciativa “Women for Bees”, Jolie participou de uma missão anual, mais
recentemente na Península de Yucatán, no México, onde a Melipona
beecheii, uma espécie de abelha sagrada para a antiga civilização
maia, está ameaçada de extinção. Aqui, ela fala sobre sua versão de
autocuidado, sendo uma agente de mudança e como podemos ajudar a apoiar e
preservar a população mundial de abelhas.
O filme de 16 segundos foi gravado pela diretora / atriz em seu
jardim na Califórnia e mostra um dos seus projetos menos conhecidos. Antes de
ela me enviar o filme, Jolie e eu estávamos conversando sobre seu papel como
madrinha (sim, esse é seu título oficial) do programa “Women For Bees” da
Guerlain. Através do Zoom, uma das mulheres mais famosas do mundo meio que se
parece conosco.
Sobre sua atração pelas abelhas:
Eu sempre gostei de abelhas. Eu nunca senti medo de
abelhas e eu não sou alérgica a elas. Eu tenho uma tendência a me interessar
por criaturas do mundo que são um pouco incompreendidas. Mas minha admiração e
respeito por estas pequenas e belas criaturas aumentaram ao longo dos anos
conforme fui aprendendo mais sobre como são importantes – sobre como a forma
que elas existem nas comunidades e sobre como elas contribuem em nossas vidas.
Eu aprendi mais sobre as abelhas no Camboja. Eu tenho uma casa e um projeto lá
[através da Fundação Maddox Jolie-Pitt], onde eu estive trabalhando com as
comunidades, cuidando das florestas, protegendo a terra e a vida selvagem há
mais de 20 anos. Eu comecei esse trabalho há muito tempo numa região de
Samlout, que foi o primeiro e último reduto do Khmer Vermelho. Era uma área
repleta de minas terrestres na fronteira com a Tailândia. Meu filho [Maddox] é
Cambojano e, inicialmente, eu pensei que realizaria um trabalho naquela área
voltado para a desativação das minas e voltado em aprender mais sobre os
moradores locais. Então, eu acabei aprendendo mais sobre o desmatamento e sobre
os riscos ao meio ambiente. Agora o projeto cresceu e nós estamos trabalhando
com os guardas florestais e com os grupos de proteção buscando entender melhor
o que isso significa com relação à biodiversidade. O que está correndo perigo?
Ao conviver com os agricultores locais, você aprende que as abelhas são
essenciais para a polinização. A apicultura é uma habilidade muito boa e um
meio de subsistência para muitos dos agricultores com quem trabalhamos.
Sobre suas missões-abelhas:
Recentemente, nós estivemos com as mulheres maias na
comunidade de Santa Clara, no México. Quando você conversa sobre polinização e
biodiversidade percebe, muito rapidamente, que o assunto está relacionado à uma
cultura, a uma história. As comunidades maias têm colmeias e usam o mel para
fins medicinais, como produto de beleza e como alimento. Meu trabalho é fazer
parte do treinamento, reunir as pessoas, participar e ajudar a apoiar o
programa. Às vezes, trabalho em me educar sobre o patrimônio cultural, sobre a
comunidade, o meio ambiente e também em educar outras pessoas sobre o que estou
aprendendo. Também trabalho no treinamento de crianças pequenas, ocasião em que
conversamos sobre abelhas e fazemos a “Bee School” (Escola de Abelhas). É
maravilhoso!
Sobre apicultura pessoal:
Eu faço apicultura em nossa casa no Camboja. Em Los
Angeles, adaptei meu jardim para as abelhas com flores e plantas ricas em pólen
e néctar.
Sobre o que as pessoas podem fazer para ajudar na crise
das abelhas:
Conscientização é a primeira coisa. Devemos nos educar sobre o que está
acontecendo e a gravidade do declínio da espécie. Você pode começar
questionando o que está causando isso. Existem diferentes aspectos que podem
ser combatidos, como os efeitos dos pesticidas. Podemos ser mais responsáveis
na forma como consumimos e no que compramos. Qualquer um pode encontrar uma
forma de fazer isso. Também pode ser um projeto divertido como o de montar uma
colmeia ou então combatendo a destruição do meio ambiente. Conhecemos essas
belas comunidades locais no México. Podemos apoiá-las garantindo que as
florestas ao seu redor sejam protegidas. Se elas produzirem algum produto,
podemos comprá-lo diretamente. Temos que estar cientes de que nosso mundo está
em mudança e sobre o que é importante – não é que devemos ser contra o
crescimento. Mas temos que entender o que estamos perdendo e o que está em
jogo.
Sobre fazer mudanças para um estilo de vida mais
consciente:
Acho que muitas pessoas reconhecem todos os riscos ao
nosso meio ambiente. É um pouco avassalador e as pessoas quase não sabem o que
fazer e como continuar existindo ou vivendo. Muita pressão pode estar recaindo
em cima do consumidor, mas também deve ser exercida sobre as grandes empresas e
governos, observando o que eles estão escolhendo proteger, o que estão vendendo
e permitindo que seja destruído. Muitos governos e grandes empresas no mundo
podem fazer com que, individualmente, as pessoas achem que tudo é culpa delas.
Existem algumas grandes decisões que a comunidade internacional e os governos
poderiam tomar, que gerariam uma enorme mudança. Todos nós podemos fazer a
nossa parte, mas eles têm que fazer a parte deles e devem ser
responsabilizados. Muitas pessoas estimam que temos apenas 10 anos. Ou
revertemos o curso das coisas, ou acabaremos em um estado muito sério, onde
muitos dos danos causados ao meio ambiente serão irreversíveis. Não é para
assustar todo mundo, mas essa é a realidade com a qual estamos vivendo.
Seu conselho para quem quer fazer mudança:
Como todo mundo, estou procurando encontrar o equilíbrio
para viver nos tempos de hoje. Você não pode ser especialista em tudo. Descubra
pelo o que você é apaixonado, o que você está tentando apoiar e proteger e, em
seguida, faça o bem onde puder. Para mim, muito disso está relacionado ao meio
ambiente, mas meu coração está, principalmente, com as pessoas dessas
comunidades. Trabalho com refugiados há anos. Muitas pessoas são deslocadas
porque não conseguem viver na terra de onde vieram, cultivar, se alimentar ou
proteger seus próprios recursos naturais. Gostaria de encorajar todos a pensar
nessas comunidades, nas mulheres maias e em outras, e encontrar maneiras de
apoiá-las e respeitá-las, com todo o trabalho que estão fazendo que beneficia a
todos nós.
Sobre autocuidado:
Isso não é algo central durante meu dia. Mas acho que a
educação é uma parte importante do autocuidado. É onde sou mais feliz. Se sinto
que enriqueci minha mente ou um relacionamento com alguém, por meio de algo que
aprendi ou experimentei, tenho a sensação que estou crescendo. Para mim,
pessoalmente, não acordo e sigo uma rotina de autocuidado, fazendo coisas que
costumam ser consideradas como autocuidado. Eu acho maravilhoso que as pessoas
possam fazer isso. Todo mundo tem sua própria versão. Gosto de sentir que estou
crescendo emocional ou intelectualmente – esse é o meu autocuidado. Então acho
que sim, tenho autocuidado mas não é um creme para o rosto.




















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