STICKY FINGERS, DOS ROLLING STONES (o disco de cabeceira de LUIZ THOMAS)
No verão de 73, saí para comprar um disco no supermercado, que hoje é o Carrefour, dos Rolling Stones -- porque um amigo meu disse que era ótimo disco. Eu conhecia pouquíssimo dos Rolling Stones.
O disco nada mais era do que "Exíle on Main Street", que é tido por muitos como um dos melhores da história do rock and roll. Comprei e fiquei entusiasmado com o disco, que era duplo. Ouvia numa vitrolinha brega super portátil. Enfim, eu gostei muito. E comecei a comprar tudo que os Stones haviam produzido ao longo dos 10 anos que antecederam "Exile" para trás. E, não satisfeito, passei a buscar também os autores dos originais de rock e blues que eles gravavam. A coisa foi ficando muito séria...
Mas dois anos antes de "Exile", os Stones haviam produzido um disco tão poderoso quanto: "Sticky Fingers". Na época, o disco saiu aqui pela Phonogram, que representava o selo Atlantic. Mas a representação acabou, a Atlantic passou a ser representada pela Continental Discos, e o disco ficou impedido de ser vendido pela Phonogram. Só em 1976 saiu já pela Warner uma reedição, caprichada, com toda a arte de capa de Andy Warhol preservada.
Mas eu não esperei por ela. Em uma das minhas idas a São Paulo no Museu do Disco, encontrei o "Sticky Fingers" importado, e comprei logo dois, porque um era presente para esse meu amigo que me indicou os Stones, ele merecia, e o outro era para eu mesmo.
É um disco espetacular, com canções fabulosas. O Lado A abre com "Brown Sugar", que tem um sonho inacreditável, uma letra que contagia, na época eu pensava que Brown Sugar era apenas açúcar mascavo, mas na verdade estava falando de heroína e das mulheres: “Brown Sugar seu gosto é tão bom quanto a mulher". É fantástica. É seguida por "Sway", um número soul espetacular, de ouvir de joelhos. Tem ainda "Bitch", um rock seco, como em uma guitarra fenomenal. Keith Richard esbanjou talento aqui, todas as todos os ritmos que ele traduz são fantásticos acoplados aos solos de Mick Taylor a bateria de Charlie Watts, sempre seca e precisa, diferente dos bateristas do rock que querem ser protagonistas. Charlie nunca fez isso, vem do berço do jazz, o que faz uma diferença enorme. E tem também "Can’t You Hear Me Knocking", e essa eu pirei quando escutei. Da metade da música em diante é uma jam session de tirar o fôlego. Cheguei a usar até em peças minhas de teatro. Para mim, está entre as melhores músicas dos Stones, sem sombra de dúvidas,
E não pára por aí. Tem "Dead Flowers", que é meio country, e é extremamente climática. E tem ainda "Sister Morphine", um número meio blues, meio country, parceria com Marianne Faithfull, grande cantora e atriz inglesa, companheira de Jagger na época. Detalhe importantíssimo: traz a slide guitar anestesiada de Ry Cooder dando a sensação auditiva do que seria o efeito da morfina.
Enfim é um disco para ouvir 200.000 vezes, sem sombra de dúvidas. Eu acho este disco incrível em todos os aspectos. ideia de Andy Warhol. Se eu tenho um Disco de Cabeceira, é "Sticky Fingers". É um disco que sempre me surpreende quando ouço novamente. É coeso. É truculento. E, ao mesmo tempo, trafega por vários gêneros musicais. Um espetáculo. Um marco na carreira dos Rolling Stones.
LUÍS THOMAZ TRABALHA COM TEATRO DESDE 1985.
COMANDA UM CURSO DE TEATRO E UM GRUPO DE TEATRO COM SEU NOME.
ESTÁ COM UM ESPETÁCULO NOVO PRESTES A ESTREAR EM JULHO.






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