Monday, September 5, 2016

POEMINHA DE SEGUNDA: DENTRE TODAS AS ALMAS JÁ CRIADAS (por Emily Dickinson)



Dentre todas as Almas já criadas -
Uma - foi minha escolha -
Quando Alma e Essência - se esvaírem -
E a Mentira - se for -

Quando o que é - e o que já foi - ao lado -
Intrínsecos - ficarem -
E o Drama efêmero do corpo -
Como Areia - escoar -

Quando as Fidalgas Faces se mostrarem -
E a Neblina - fundir-se -
Eis - entre as lápides de Barro -
O Átomo que eu quis!

(Tradução: José Lira)



Emily Dickinson nasceu
em 10 de dezembro de 1830
na pequena cidade de Amherst
perto de Boston, Massachusetts,
e morreu no mesmo local
em 15 de maio de 1886.
Viveu à margem dos círculos literários.
Solteira por convicção e auto-exilada
dentro de casa por mais de vinte anos,
não chegou a publicar os seus versos,
para não ter que submetê-los
aos rígidos padrões de discrição
que se esperava então de uma mulher.
Em 1955, o crítico Thomas H. Johnson
reuniu numa edição definitiva
todos os seus 1.775 poemas.
Daí em diante a obra de Emily Dickinson
passou a ser reverenciada por legião de críticos
e leitores exigentes.
Sua escrita poética, ambígua, irônica, fragmentada,
aberta a várias possibilidades de interpretação,
antecipa, sob muitos aspectos,
os movimentos modernistas que se sucederiam
depois de sua morte.

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