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SAUDAMOS OS 92 ANOS DE NASCIMENTO DA ETERNA BRIGITTE BARDOT (PARTE #2)

 


Brigitte Bardot foi a primeira mulher moderna do cinema mundial. A primeira realmente de carne e osso. Nunca pretendeu ser uma grande atriz, sabia não ter estofo para tanto. Mas foi uma personalidade cinematográfica única, que soube melhor que qualquer outra atriz de sua geração trazer para a tela sua sexualidade latente com uma naturalidade e uma delicadeza jamais imaginadas anteriormente por qualquer outra atriz.


Como definir a magia que emanava dela, capaz de arrastar multidões de marmanjos para os cinemas só para vê-la? Acreditem: não é nenhum exagero dizer que antes de Brigitte as mulheres eram mostradas no cinema de uma determinada maneira. Depois dela, de outra. Brigitte tinha uma beleza estonteante, longos cabelos loiros, boca carnuda, olhar penetrantes e um corpo perfeito. Cheia de graça, de paixão, de encanto e de joie de vivre. Mulher inquieta, transgressora, que nunca fez concessões à família, à maternidade, ao casamento, aos maridos e aos costumes de seu tempo, e que moldou a partir dela toda uma geração de mulheres liberadas. Tanto que se dizia na época que, perto dela, Marilyn Monroe era um homem.


Para se ter uma ideia, foi criado nos Estados Unidos o termo Bardolatria para definir o frenesi que Brigitte provocava nos homens das mais diversas idades. Não foi à toa que, no auge de sua popularidade, em 1970, o escultor Alain Aslan a escolheu como inspiração para criar Marianne, a mulher que é a personificação da própria República Francesa.


Brigitte Bardot é a maior expressão feminina dos Anos 60. Permanece até hoje vinculada à imagem daquela década extraordinária. Nunca uma mulher foi tão odiada, invejada, incensada, insultada e amada. Seus filmes arrastavam multidões aos cinemas, seus namoros eram acompanhados de perto pela imprensa, suas viagens à América Latina e aos Estados Unidos causavam um furor inimaginável. Serge Gainsbourg compôs para ela uma das mais desconcertantes canções de amor de todos os tempos: “Je T’aime... Moi Non Plus”. A gravação original, poucos sabem, nao é aquele conhecido dueto de Gainsbourg com Jane Birkin de 1971, mas sim um outro dueto dele com Brigitte gravado no final dos Anos 60.


 Claro que toda essa popularidade teve um custo altíssimo para sua vida pessoal. Chegou num ponto tão insustentável que ela decidiu se aposentar precocemente do cinema assim que completou 40 anos, em 1974. Desde então, nunca mais fez filme algum. Recolheu-se a sua casa em St. Tropez e foi cuidar de seus animais, de quem virou uma defensora incansável. E enquanto tocava sua vida adiante e envelhecia naturalmente longe do olho público, sua imagem deslumbrante no cinema permaneceu cristalizada para sempre. (Chico Marques)





























































































































































































































































































































































































































































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