O dia em que o homem pisou na Lua, estávamos na sala, diante da tevê, na expectativa do grande momento. No entanto, a minha emoção era outra: eu tinha no bolso um poema — para Laís. Enquanto papai falava sobre a importância da conquista espacial, eu o recitava em silêncio, completamente alheio ao significado histórico. De repente, mamãe viu a ponta da folha de caderno: — O que é isso no bolso da tua camisa? — Não é nada — respondi, encabulando. Ela então fez um olhar severo, exigindo que eu lhe entregasse aquilo. Em seguida, achando muita graça, se pôs a declamar o poema; agora, eu não reconhecia mais as minhas próprias palavras. Ditas assim, naquele tom absurdo e ridículo, despiam o meu amor da sagrada emoção. Márcio Calafiori é jornalista. Nasceu em 1957 e se formou pela Facos em 1986. Exerceu quase todos os cargos em redações de jornais em Santos, San...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO