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Showing posts with the label Adam Driver

OUTRA BOA ESTRÉIA DA SEMANA É "LOGAN LUCKYN", NOVO FILME DE STEVEN SODERBERGH

por Luiz Mendonça (de Lisboa) para   Steven Soderbergh inaugurou com Contagion (Contágio, 2011), aquilo que ele mesmo considerou como um desejo de fazer cinema de género que permitisse ao espectador divertir-se durante um bocado. De lá para cá já tivemos, para além do terror de fim do mundo do referido título, filmes de espiões e pancadaria [Haywire (Uma Traição Fatal, 2011)], comédia dramática [Magic Mike (2012)], um corporation thriller [Side Effects (Efeitos Secundários, 2013)], um biopic de época [Behind the Candelabra (Por Detrás do Candelabro, 2013)] e agora, no seu regresso, uma heist comedy, Logan Lucky (2017). Ao longo da carreira de Steven Soderbergh, e de forma mais pronunciada depois de Traffic (Traffic – Ninguém Sai Ileso, 2000), os seus filmes vêm-se distanciando dos seus personagens num acto de desprendimento, cada vez mais pronunciado, ajudado pelas tramas: os trabalhadores do sexo – The Girlfriend Experience (Confissões de Uma Namorada de Serviço, 2009) e Ma...

FÁBIO CAMPOS COMENTA "PATERSON", FILME DE JIM JARMUSCH, EM CARTAZ NA CIDADE

Existem alguns filmes que funcionam como uma espécie de detox para a overdose de cinema padronizado a que um fã de cinema é submetido. Não tenho nada contra o cinema comercial, pelo contrário, além de realmente apreciar um blockbuster, como filho de exibidor, não posso renegar o que me alimentou durante muito tempo. Mas essa padronização acaba nos levando a uma espécie de desejo padrão. Assim que a luz se apaga, já temos ideia do que o filme deve apresentar para nos satisfazer. Em muitos casos, acabamos renegando um filme que não apresenta todos aqueles elementos a que estamos acostumados. Paterson, o novo filme de Jim Jarmusch, é um ótimo exemplo desse tipo de filme. Assisti ao filme sempre a espera de uma reviravolta, de algum feito heroico, ou de uma situação dramática aguda. Somente ao final, quando percebi que nada disso ocorreu, é que relaxei e parei pra pensar na beleza da simplicidade apresentada no filme. Também senti uma espécie de decepção na plateia, mesmo estando ...

FÁBIO CAMPOS DIVAGA SOBRE O SILÊNCIO DE DEUS NO NOVO FILME DE MARTIN SCORSESE

Silêncio, o ultimo filme de Scorsese, é baseado no livro de Shusaku Endo, que narra a jornada de dois padres jesuítas em 1640 ao Japão à procura de seu mentor, Padre Ferreira -- que, segundo consta, havia renegado a fé, tendo, inclusive, constituído família. Como Macau era uma colônia portuguesa, alguns jesuítas portugueses resolveram partir para a catequese do povo japonês, da mesma forma como fizeram com os índios na América do Sul. No início não enfrentaram problemas e a base de fiéis foi aumentando -- alguns falam em 300.000 católicos japoneses, os Kirishtan --, mas o Shogum passou a se incomodar com essa influência externa e baniu a religião. Alguns japoneses seguiram praticando a religião na clandestinidade, passando a ser perseguidos e forçados a renegá-la. Ferreira já estava no Japão quando a perseguição começou, mas os seus dois discípulos partem à sua procura depois disso, tendo que entrar clandestinamente no país. A partir da peregrinação dos padres pelo Japão...

MARTIN SCORSESE AMPLIFICA O SILÊNCIO DE DEUS EM SEU NOVO FILME, QUE ESTREIA HOJE

por João Lopes para o Diário de Notícias (Lisboa) Grande acontecimento desta temporada cinematográfica,  Silêncio  narra a odisseia trágica dos padres jesuítas portugueses no Japão do século XVII. Para Scorsese, é o prolongamento de uma reflexão radical sobre as relações entre o humano e o sagrado. Não é todos os dias que um filme consegue escapar às rotinas instaladas no mercado, sejam elas de natureza promocional sejam induzidas pelo alarido mediático.  Silêncio , de Martin Scorsese, é um desses filmes: um objeto obstinado e obsessivo, alheio a tendências, modas ou estilos ditados por fatores exteriores ao seu próprio pensamento - aí residirá, afinal, o seu espantoso apelo universal. Há em Silêncio uma dimensão genuinamente portuguesa que não pode deixar de nos tocar. Inspirado no romance homónimo do japonês Shusaku Endo, lançado em 1966, o filme centra-se na odisseia de dois padres jesuítas portugueses. Enviados ao Japão na segunda metade do século X...

"ENQUANTO SOMOS JOVENS": UM RITO DE PASSAGEM AGRIDOCE DE NOAH BAUMBACH

por Chico Marques Há mais de 50 anos, o cinema produzido na cidade de Nova York lança constantemente no mercado novos talentos que acabam se revelando de valor inestimável para a renovação do cinema americano.  Nos Anos 60, quem brilhou foi John Cassavetes.  Nos Anos 70, Woody Allen.  Nos 80, Spike Lee, e nos 90, Edward Burns.  Todos poderiam ter seguido para Hollywood, mas a maioria deles preferiu permanecer em Nova York, fortalecendo o cinema produzido na cidade e dando sequência a carreiras notáveis. Pois a bola da vez do cinema novaiorquino é Noah Baumbach, c ineasta com uma filmografia em construção desde a metade dos anos 1990.  Graças ao surpreendente sucesso de sua comédia FRANCES HA, de 2012, o agora quarentão Baumbach vem transformando em ficção uma certa perplexidade diante do que imagina vir pela frente em sua vida. A descoberta de que o tempo passa sem que notemos isso com clareza é o tema de ENQUANTO SOMOS JOVENS, nov...