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Showing posts with the label Alain Robbe-Grillet

CAFÉ E BOM DIA #9 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

Fugindo do rótulo polêmico que determina o que é "nouveau roman" -- estilo não muito claro para mim, cujo ponto de partida talvez tenha sido Nathalie Sarraute, ou Alan Robbe-Grille, ou Michel Simon -- acabo de ler "Passagem de Milão", um belo romance de Michel Butor que vem acompanhado do rótulo "nouveau roman". "Passagem de Milão" retrata a vida de um edifício em 24 horas. Nele, Butor aponta que a solidão é consequência de um mundo com valores em transformação. Mas, se ignorarmos até mesmo quem somos, como poderemos almejar o conhecimento do próximo e a compreensão recíproca? A impossibilidade do conhecimento do outro resulta na solidão irremediável dos homens, que Nathalie Sarraute já desenvolvera como tema, deixando uma reflexão ótima: Somos Planetas de um mesmo Sistema, mas absolutamente mudos uns com os outros. A insegurança, fruto da incapacidade de conhecer qualquer coisa em definitivo, faz com que o homemtome na...

CAFÉ E BOM DIA #8 (por Carlos Eduardo "Brizolinha" Motta)

Tantas vezes eu e o Argemiro Antunes -- o grande cartunista Miro -- trocamos visões críticas com relação a exibição do filme "O Ano Passado em Marienbad", de Alain Resnais, mas nunca citamos "A invenção de Morel", de Adolfo Bioy Casares.  Perdemos esse comparativo face jamais ter lido a obra.  Com relação ao Argemiro não posso afirmar que tenha lido ou não.  O mesmo não se passa com relação com Alain Robbe-Grillet, roteirista do filme, de quem li alguns livros.  O filme é um dos grandes enigmas intelectuais do século 20.  Dia destes li um artigo que falava da obra de Bioy descrevendo a angustiante investigação de um perseguido político acerca do que se passa na ilha onde se refugiou.  Acaba descobrindo que os turistas são apenas imagens gravadas que vivem uma única semana.  Fala que Resnais apresenta uma construção do talvez.  As imagens geram insegurança diante de hipóteses, espelhos, invenções e quebr...

"O PAI MORTO" INICIA A PUBLICAÇÃO DA OBRA COMPLETA DE DONALD BARTHELME NO BRASIL

É no mínimo estranho que nenhum dos livros de Donald Barthelme tenha sido traduzido e publicado no Brasil. Sua prosa minimalista alegórica certamente teria tido uma boa acolhida entre os leitores brasileiros nos Anos 70 e 80, época em que ele ganhou projeção na cena literária americana ao faturar o National Book Award. Colegas de geração seus, como John Barth e Raymond Carver, foram muito bem recebidos por aqui, em traduções nem sempre muito cuidadosas. Talvez não fosse o momento certo, ou seus direitos de publicação estivessem muito caros na época, vai saber... Agora, nesse momento estranho em que muitos leitores brasileiros se afirmam "encantados" com David Foster Wallace, que teve este ano seu "Graça Infinita" traduzido para o português e editado pela Companhia das Letras, parece que chegou a hora. Até porque na medida em que David Foster Wallace nunca escondeu que Donald Barthelme foi uma de suas maiores influências literárias, começa a fazer sentido ...