Duas pessoas em um local público ou numa conversa do dia-a-dia. O diálogo seria uma atitude previsível, com troca de experiências, de valores, de percepções de mundo. Se você não é uma delas, basta esticar as orelhas para captar o fenômeno. Ambas falam, gesticulam, contam suas vidas. Ambas fingem esperar uma reação do interlocutor. O diálogo, muitas vezes, é estéril. Jamais existiu. O que presenciamos são dois monólogos, nos quais o outro sujeito é público, audiência cativa, e não alguém com papel interativo. O homem atual fala demais. Fala tanto que falseia a necessidade de ser ouvido. Não se trata daquela tia tagarela ou do vizinho para quem não podemos perguntar se está tudo bem. O homem de hoje deseja uma caixa de ressonância, confirmadora de teses, uma cabeça que balance positivamente a cada frase exalada com veemência. Estamos interessados em ouvir outras pessoas? Realmente nos importamos com aquilo que elas têm a dizer sobre suas rotinas anônimas e ordinárias?...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO