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CÉUS DE ALGODÃO (uma crônica de Ademir Demarchi)

Isso não é coisa que alguém faça. Estão todos sempre olhando para a tevê, para as vitrines, ou para alguém que passa. Não que eu seja diferente, porém certo dia me peguei olhando para o céu e o vi recoberto de nuvens brancas. Um imenso céu de algodão. E alguém em sã consciência conseguiria ficar olhando nuvem por muito tempo? Com os pés sempre na terra, rapidamente o céu se dissipou, mas eu não devia mesmo estar pra pagar contas e passei a ver nele a imagem invertida da floresta que um dia existiu onde agora pisamos. Sempre me espanto quando olho uma foto do início da colonização, em que há um caminhão saindo de um túnel de árvores e chegando na esplanada aberta de mata derrubada. É aquela mata, em que se cavava um túnel, que me intriga. A experiência dela não existe mais. É certo que restaram três pequenas reservas, cada vez menores diante do que a cidade cresce, a ponto de a designação de pulmões verdes já se tornar quase inadequada, quase designação de uma doença. Já ...