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CENAS URBANAS NUM DIA E NO OUTRO (uma crônica de Ademir Demarchi)

I - Numa manhã, ao sair do prédio, um flamboyant enche os olhos e a rua, saindo da calçada como um imenso volume verde que se espalha em longos galhos de folhas e flores enternecendo os que passam com a sensação física de cruzar sob ele, benzidos por seus braços sobre as cabeças. Ele está ali desde sempre, porém hoje a incidência de luz especial proporciona uma majestade inesperada. O impacto de sua visão não cessa e se transfere, enquanto se transita, como uma continuada sensação de ver novos seres verdejantes pelas ruas, que entram pelos olhos, não por suas particularidades, mas pela massa e volume de verde vistosos. Noutra manhã, ao sair do prédio, o flamboyant é apenas o tronco e alguns galhos mais grossos que restaram, amputado de sua massa verde e dos galhos que, sem impedir o trânsito, se debruçavam sobre a rua. Os pássaros que nela habitavam ou faziam algazarra, sumiram. Os prédios azulejados estão à vista, toda a beleza se foi, roída pela incompetência administrativa mu...

CENAS URBANAS NUM DIA E NO OUTRO (uma crônica de Ademir Demarchi)

I - Numa manhã, ao sair do prédio, um flamboyant enche os olhos e a rua, saindo da calçada como um imenso volume verde que se espalha em longos galhos de folhas e flores enternecendo os que passam com a sensação física de cruzar sob ele, benzidos por seus braços sobre as cabeças. Ele está ali desde sempre, porém hoje a incidência de luz especial proporciona uma majestade inesperada. O impacto de sua visão não cessa e se transfere, enquanto se transita, como uma continuada sensação de ver novos seres verdejantes pelas ruas, que entram pelos olhos, não por suas particularidades, mas pela massa e volume de verde vistosos. Noutra manhã, ao sair do prédio, o flamboyant é apenas o tronco e alguns galhos mais grossos que restaram, amputado de sua massa verde e dos galhos que, sem impedir o trânsito, se debruçavam sobre a rua. Os pássaros que nela habitavam ou faziam algazarra, sumiram. Os prédios azulejados estão à vista, toda a beleza se foi, roída pela incompetência administrativa ...