A casa foi do meu avô. Aquilo tudo foi do meu avô. O jipe vinha aos solavancos pela estrada estreita, só se viam pirambeira e mato raso. Ao sabor de buracos e valetas, sacolejávamos o corpo largado entre malas, sacolas e caixas de mantimento até que, lá embaixo no descampado, o telhado da fazenda se abria como um chapéu. Atrás, ficava o pomar: jambo, abacate, carambola, jaca, manga - todos os tipos de fruta. Um pequeno riacho descia pela serra, mergulhava sob o aglomerado de árvores, corria à sombra por algum tempo e aparecia jorrando água fresca na porta da cozinha. Na frente da casa, o terreiro e o curral. Quando chegávamos ao pé do morro, um de nós saltava pra abrir a porteira. Nada melhor do que pisar aquele chão. Terra socada e limpa. Ao lado da tulha, balaios barrigudos de milho ao sol, cavalos prontos pro galope - tudo bom e verdadeiro. Então, alcançávamos a sede: uma casa de pernas compridas e grossas, espetada naquele terreirão. Como pequenas formigas, olhávam...
UMA REVISTA ACONCHEGANTE QUE VALE POR UM COBERTORZINHO