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NUM RESGATE EMOCIONAL, AS MULHERES REDESCOBREM OS PRAZERES DA COZINHA

por Odorico Azeitona No início dos tempos, o arquétipo da cozinheira doméstica era Dona Benta: uma senhora gorda, muito sorridente, com a cabeça toda branca, capaz de produzir quitutes magníficos a toque de caixa para um batalhão de netinhos sempre esfomeados. Mas o tempo passou. E, com o advento do Feminismo, as mulheres da geração baby boomer se libertaram da prisão domiciliar então representada pela cozinha, seguindo direto para o mercado de trabalho. De quebra, libertaram também suas filhas e netas da sina de serem as responsáveis pela alimentação da família.  Hoje, as mulheres não são mais "preparadas para o casamento" -- ao menos, não como eram 50 anos atrás. Mesmo aquelas que tentam conciliar uma vida profissional com obrigações de mãe e tarefas domésticas fogem da cozinha feito o diabo da cruz.  Por conta disso tudo,  é mais comum ver um homem cozinhando -- e fazendo isso por puro e absoluto prazer -- do que uma mulher. Mesmo assim, as primeiras cozi...

AS FEMINISTAS LIBERTARAM AS MULHERES DA COZINHA E HOJE ELAS COZINHAM POR PRAZER

No início dos tempos, o arquétipo da cozinheira doméstica era Dona Benta: uma senhora gorda, muito sorridente, com a cabeça toda branca, capaz de produzir quitutes magníficos a toque de caixa para um batalhão de netinhos sempre esfomeados. Mas o tempo passou. E, com o advento do Feminismo, as mulheres da geração baby boomer se libertaram da prisão domiciliar então representada pela cozinha, seguindo direto para o mercado de trabalho. De quebra, libertaram também suas filhas e netas da sina de serem as responsáveis pela alimentação da família.  Hoje, as mulheres não são mais "preparadas para o casamento" -- ao menos, não como eram 50 anos atrás. Mesmo aquelas que tentam conciliar uma vida profissional com obrigações de mãe e tarefas domésticas fogem da cozinha feito o diabo da cruz.  Por conta disso tudo, é mais comum ver um homem cozinhando -- e fazendo isso por puro e absoluto prazer -- do que uma mulher. Mesmo assim, as primeiras cozinheiras da TV brasileira ...

O LADO A E O LADO B DE "DURVAL DISCOS" (Cineclube Pagu Quarta 19 horas)

por Lucas Rodrigues Pires para DIGESTIVO CULTURAL O slogan de publicidade do filme Durval Discos afirma que "tudo na vida tem um lado A e um lado B". O filme de Anna Muylaert, já em exibição nos cinemas, é exatamente assim: tem um lado A que caminha muito bem, mas o lado B deixa um pouco a desejar. Lado A Para começar, Durval Discos tem uma das aberturas mais criativas e fantásticas do cinema brasileiro contemporâneo. A câmera flutua pelas ruas de Pinheiros, bairro da cidade de São Paulo, e em sua paisagem natural inclui os créditos do filme, ora mergulhando em lanchonetes, chaveiros, casa de jogos e mesmo nos transeuntes do momento. É uma seqüência longa, de uns quatro minutos, sem cortes, que lembra muito a célebre cena inicial de A Marca da Maldade, de Orson Welles. Depois disso, entram em cena os personagens. Durval é um quarentão dono de uma loja de discos de vinil - que não aderiu ao CD e nem pretende - que mora com a mãe num dos sobrados de Pinheir...