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A BRINCADEIRA: versos sacânicos de FRANCISCO ALVIM

Debaixo da mesa - de porquinho - um fuçando o outro FRANCISCO ALVIM nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 1938. Diplomata, habituou-se a ser um cidadão do mundo. Viveu um período em Brasília onde participou de movimentos de poesia marginal, tendo sido o organizador da célebre antologia "Águas Emendadas" (1977). Seus "Poemas 1968-2000" foram reunidos num único volume pela Editora Massao Ono. Seus dois últimos livros de poemas, "Elefante" (2000) e "O Metro Nenhum" (2011) foram publicados pela Cia. das Letras.

POEMINHA DA SEMANA: OLHOS DE RESSACA (por Geraldo Carneiro)

OLHOS DE RESSACA Geraldo Carneiro minha deusa negra quando anoitece desce as escadas do apartamento e procura a estátua no centro da praça onde faz o ponto provisoriamente eu fico na cama pensando na vida e quando me canso abro a janela enxergando o porto e suas luzes foscas o meu coração se queixa amargamente penso na morena do andar de baixo e no meu destino cego, sufocado nesse edifício sórdido & sombrio sempre mal e mal vivendo de favores e a minha deusa corre os esgotos essa rede obscura sob as cidades desde que a noite é noite e o mundo é mundo senhora das águas dos encanamentos eu escuto o samba mais dolente & negro e a luz difusa que vem do inferninho no primeiro andar do prédio condenado brilha nos meus tristes olhos de ressaca e a minha deusa, a pantera do catre consagrada à fome e à fertilidade bebe o suor de um marinheiro turco e às vezes os olhos onde a lua eu recordo os laços na beira da cama percorrendo o álbum de fotografia...

POEMINHA DA SEMANA (por Geraldo Carneiro)

OLHOS DE RESSACA Geraldo Carneiro minha deusa negra quando anoitece desce as escadas do apartamento e procura a estátua no centro da praça onde faz o ponto provisoriamente eu fico na cama pensando na vida e quando me canso abro a janela enxergando o porto e suas luzes foscas o meu coração se queixa amargamente penso na morena do andar de baixo e no meu destino cego, sufocado nesse edifício sórdido & sombrio sempre mal e mal vivendo de favores e a minha deusa corre os esgotos essa rede obscura sob as cidades desde que a noite é noite e o mundo é mundo senhora das águas dos encanamentos eu escuto o samba mais dolente & negro e a luz difusa que vem do inferninho no primeiro andar do prédio condenado brilha nos meus tristes olhos de ressaca e a minha deusa, a pantera do catre consagrada à fome e à fertilidade bebe o suor de um marinheiro turco e às vezes os olhos onde a lua eu recordo os laços na beira da cama percorrendo o álbum de fotografia...

POEMINHA DE DOMINGO (por Francisco Alvim)

A POESIA Houve um tempo em que Schmidt e Vinicius dividiam as preferências como maior poeta do Brasil. Quando, por unanimidade ou quase, nesse jogo tolo de se querer medir tudo, Drummond foi o escolhido,  ele comentou: alguém já mediu com a fita métrica para saber se de fato sou o maior poeta? Estava certo,  Pois a poesia quando ocorre tem mesmo a perfeição do metro - nem mais nem menos - só que de um metro nenhum um metro de nadas FRANCISCO ALVIM nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 1938. Diplomata, habituou-se a ser  um cidadão do mundo .  Viveu um período em Brasília  onde participou  de movimentos  de poesia marginal,  tendo sido o organizador  da célebre antologia  "Águas Emendadas" (1977). Seus "Poemas 1968-2000"  foram reunidos num único volume pela Editora Massao Ono.  Seus dois últimos livros de poemas,  "Elefante" (2000)  e "O Metro Nenhum" (2011)...