QUINTA, 19hs, TEM "A LOJA DA ESQUINA" NO CICLO ERNST LUBITSCH NO CINECLUBE PAGU (MUSEU DA IMAGEM E SOM DE SANTOS)
por Paulo Ricardo de Almeida para Contracampo.com.br Henry Van Cleve morre. Consciente da vida que levou, vai direto conversar com satanás por uma vaga no inferno. O diabo, extremamente gentil e cortês – típico da ironia elegante de Lubitsch – dispõe-se a ouvir a história do recém-chegado. E, surpresa, conclui que seu lugar não é embaixo, mas lá em cima. Como acontece sobretudo a partir de Ninotchka (1939), está em jogo, em O Diabo Disse Não – e também em A Loja da Esquina –, a completa transformação das expectativas do público quanto aos personagens que, se a princípio se mostram superficiais, arrogantes, mesquinhos ou mesmo odiosos, ao longo da narrativa se relevam, ao contrário, frágeis, sensíveis, esperançosos, românticos e apaixonados. O sexo e o dinheiro são as marcas estruturais de uma sociedade burguesa frívola e afetada, que olha apenas para o próprio umbigo e que Ernst Lubitsch disseca nas famosas operetas com que se lança no cinema norte-americano. Em clás...