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QUINTA, 19hs, TEM "A LOJA DA ESQUINA" NO CICLO ERNST LUBITSCH NO CINECLUBE PAGU (MUSEU DA IMAGEM E SOM DE SANTOS)

por Paulo Ricardo de Almeida para Contracampo.com.br Henry Van Cleve morre. Consciente da vida que levou, vai direto conversar com satanás por uma vaga no inferno. O diabo, extremamente gentil e cortês – típico da ironia elegante de Lubitsch – dispõe-se a ouvir a história do recém-chegado. E, surpresa, conclui que seu lugar não é embaixo, mas lá em cima. Como acontece sobretudo a partir de Ninotchka (1939), está em jogo, em O Diabo Disse Não – e também em A Loja da Esquina –, a completa transformação das expectativas do público quanto aos personagens que, se a princípio se mostram superficiais, arrogantes, mesquinhos ou mesmo odiosos, ao longo da narrativa se relevam, ao contrário, frágeis, sensíveis, esperançosos, românticos e apaixonados. O sexo e o dinheiro são as marcas estruturais de uma sociedade burguesa frívola e afetada, que olha apenas para o próprio umbigo e que Ernst Lubitsch disseca nas famosas operetas com que se lança no cinema norte-americano. Em clás...

"JANELA INDISCRETA" DE ALFRED HITCHCOCK, DE VOLTA AO CINEMARK EM CÓPIA DIGITAL

por Rodrigo Cunha para Cineplayers A facilidade que o mago Alfred Hitchcock tem em pegar situações simples, cenários mais simplistas ainda, e transformá-los em um antro de medo e tensão é algo indiscutível. Um dom que fomos presenteados de diversas formas de clássicos como Psicose , Um Corpo que Cai , Disque M para Matar , Festim Diabólico e Janela Indiscreta , o filme-tema desta matéria a seguir. Filmado entre Novembro de 1953 e Janeiro de 1954, a história gira em torno de um jornalista chamado Jeff, interpretado por James Stewart, que está de ‘molho’ em sua casa, depois de quebrar a perna arriscando-se na produção de uma matéria. Como não tem nada para fazer durante o dia, ele passa a espiar o cotidiano de seus vizinhos, até que desconfia que um deles tenha matado a própria esposa e tenta provar isso para sua mulher e um amigo detetive. Um enorme cenário foi construído nos estúdios da Paramount, contendo 31 janelas para o filme ser ambientado. Ele começa um pouco ...

ALFRED HITCHCOCK: O HOMEM QUE COMIA DEMAIS (por Sérgio Augusto)

"O homem não necessita apenas de um assassinato. Ele também necessita de uma sólida refeição." Esta frase é de Alfred Hitchcock. Que também disse esta: "Certos filmes são pedaços de vida. Os meus são pedaços de bolo."  Sempre que a ocasião permitia, ele arrumava um jeito de enfiar metáforas culinárias em suas conversas e entrevistas. Glutão e gourmet, para Hitchcock, comer era tão prazeroso quanto matar alguém diante das câmeras e oferecer à platéia os mais deliciosos bolos deste mundo, envenenados de charme, malícia e perversidade. Prazeroso e calmante. Quando seus pais o deixavam sozinho em casa, o pequeno Alfred aplacava o medo do escuro e eventuais fantasmas atacando a geladeira e devorando fatias de carne assada. "Só aquilo me acalmava", revelou no prefácio de uma coletânea de contos de terror de Edgar Allan Poe. Bulimia e frisson não freqüentam o mesmo capítulo apenas nos compêndios de psicanálise. Na vida e na obra de Hitchcock tamb...