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Showing posts with the label LEVA UM CASAQUINHO 580

BOM SENSO (uma crõnica de Álvaro Carvalho Jr.)

Dona Lídia, minha mãe, não era uma mulher culta. Pelo contrário, completou apenas o curso primário, deu alguns passos no ginasial e depois teve que cuidar da vida. Mas, vamos deixar claro, não era mulher de se omitir e o que lhe faltava de educação formal (tão necessária!), sobrava de sabedoria. Sim, ela era uma mulher sábia, durona; uma educadora de dar exemplo. Ao longo de toda minha formação educacional ouvi uma velho ditado recitado quase como um mantra: "em mulher não se bate nem com uma flor". O respeito era imposto, ás vezes, com cascudos e puxões de orelha, o método psicológico/pedagógico da época na política educacional de minha mãe. Aprendi que tias, avós, amigas, primas, mulheres de todas as matizes devem ser respeitadas a qualquer custo. Os anos passaram, minha mãe chegou ao limite da idade e partiu aos quase 90 anos, eu fiquei por aqui e não tenho qualquer problema com ela. Nunca precisei deitar num divã de psicanalista. Sinto sua falta, suas broncas e um...

JOÃO e JEREMIAS - A PORRA DA HISTÓRIA (um folhetim beat de JR Fidalgo - 2ª de 16 partes)

CAPÍTULO 2 Não, não iria mexer naquilo outra vez. Sabia até onde estavam os originais de Sobre Aquilo Tudo. Estavam salvos num CD guardado em alguma gaveta ou prateleira do velho guarda roupa no quarto adaptado como escritório. E havia até mesmo alguma coisa esparsa publicada no blog, cerca de ano e meio atrás. Mas não queria mais mexer naquilo. Era assunto encerrado e devia permanecer assim. No entanto, sabia que ali havia muitas das coisas que gostaria de repetir para ela. Às vezes, ele achava que ela havia se esquecido daquele tempo e de tudo o que tinham passado durante aquele período. Mas talvez fosse tudo bobagem. De qualquer forma, não mexeria mais naquilo. Contudo, a lembrança daquele material, escrito há cerca de oito anos e organizado na forma do que poderia ter sido um livro – caso fosse editado e impresso -, era sintomática. Sentia que estava andando para trás e isso lhe dava medo, medo de onde isso poderia levá-lo, nos próximos dias, nas próximas semanas...

EDUARDO CAVALCANTI SAÚDA A CHEGADA DA 4ª TEMPORADA DA SÉRIE "BLACK MIRROR"

Eduardo Rubi Cavalcanti é jornalista desde a década de 80. Trabalhou em A TRIBUNA de Santos e em várias outras publicações.  É Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e leciona Jornalismo na Unisantos, onde cursou sua graduação. Publica domingo sim, domingo não, em A TRIBUNA de Santos, a página PRÓXIMA PARADA, que reproduzimos aqui.

QUANDO OS MUDOS CONVERSAM (uma crõnica de Marcus Vinícius Batista)

Duas pessoas em um local público ou numa conversa do dia-a-dia. O diálogo seria uma atitude previsível, com troca de experiências, de valores, de percepções de mundo. Se você não é uma delas, basta esticar as orelhas para captar o fenômeno. Ambas falam, gesticulam, contam suas vidas. Ambas fingem esperar uma reação do interlocutor. O diálogo, muitas vezes, é estéril. Jamais existiu. O que presenciamos são dois monólogos, nos quais o outro sujeito é público, audiência cativa, e não alguém com papel interativo. O homem atual fala demais. Fala tanto que falseia a necessidade de ser ouvido. Não se trata daquela tia tagarela ou do vizinho para quem não podemos perguntar se está tudo bem. O homem de hoje deseja uma caixa de ressonância, confirmadora de teses, uma cabeça que balance positivamente a cada frase exalada com veemência. Estamos interessados em ouvir outras pessoas? Realmente nos importamos com aquilo que elas têm a dizer sobre suas rotinas anônima...